Climas muito frios ou muito quentes podem ser desconfortáveis e prejudiciais à saúde. Isso ocorre quando a pessoa já está com a saúde debilitada, quando não tem roupas adequadas ou quando vive em um local sem condições de climatização — para aquecer no inverno ou refrigerar no verão, por exemplo.
Essa realidade me leva a pensar nas demandas da nossa vida: nos problemas, nas dificuldades e nos desafios. Por vezes, sentimos o interior e a alma tão “frios”, desanimados e incomodados, que precisamos de aquecimento. Em outros momentos, sentimos o extremo oposto, onde a alma está tão “quente”, ansiosos, angustiados, em uma convulsão como a de um vulcão pronto a explodir.
Nesses momentos de frio intenso, de temperaturas negativas, precisamos aquecer a alma, a mente, as emoções e o coração; mas, nos momentos de muito calor, de temperaturas extremamente altas, precisamos arrefecer o interior.
E de onde vem tal refrigério ou aquecimento? Onde e em quem buscar as condições adequadas para lidar com tais “temperaturas do coração”?
Vem-me à mente o Salmo 119:92-94, onde o salmista diz: “Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria perecido na minha angústia. Nunca me esquecerei dos teus preceitos, visto que por eles me tens dado vida. Sou teu; salva-me, pois eu busco os teus preceitos”.
No início do Salmo 119:1-3, encontramos declarações de fé e promessas de Deus: “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, os que andam na lei do Senhor. Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração; não praticam iniquidade e andam nos seus caminhos”.
São declarações de Deus sobre a pessoa que desfruta do bem-estar que procede d’Ele. Pela Sua graça e compaixão, ela se torna irrepreensível e anda na lei do Senhor, pois entende, conforme diz oversículo 4: “Tu ordenaste os teus mandamentos para que os cumpramos à risca”.
Para ser “bem-aventurada” e receber esse bem-estar, a pessoa precisa de uma resolução de fé, afirmando: “Cumprirei os teus decretos; não me desampares jamais” (v. 8). Decisões como esta manifestam o desejo de alguém que confia e anda nos caminhos do Senhor.
Vale a pena, agora, voltar a mente para o próprio Senhor Jesus Cristo, o Verbo que se fez carne e habitou entre nós, à nossa semelhança, mas sem pecado. Ele se compadece das nossas lutas. Jesus, que nas Escrituras se apresenta como o Caminho, a Verdade e a Vida; o Pão que alimenta e a Água que sacia.
Quando, movidos pelo arrependimento e pela fé através do Espírito Santo, vamos a Ele em obediência, vivemos a verdadeira espiritualidade do discipulado. Isso não torna o discípulo imune às aflições, mas, debaixo da Sua misericórdia, ele encontra em Jesus e nas Escrituras o alento necessário: a alma é refrescada quando está “queimando” e aquecida quando está “congelando”.
Assim como o salmista clamou “vivifica-me”, busquemos no Senhor as condições para enfrentar não apenas as situações extremas, mas também as mais simples, que podem trazer desconforto à nossa alma.
Um forte abraço.
Domingos Mendes Alves
@paraoalvo
Do frio de Viseu, Portugal
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Last modified: January 21, 2026