Qual a tua maior riqueza?

Sob a cosmovisão bíblica a “maior riqueza” é a vida eterna que, segundo a riqueza da graça divina, há por meio da fé em Jesus Cristo…

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Reflexões espirituais
Qual a tua maior riqueza?
Domingos Mendes Alves
@paraoalvo
Viseu, Portugal
17.06.2024

Qual a tua maior riqueza?
O tema desta reflexão me foi sugerido, na semana passada, por um precioso irmão na fé e amigo em Jesus Cristo.

RIQUEZA

“RIQUEZA – Uma abundância de bens ou dinheiro. Termos como “rico” e “pobre” são relativos ao contexto em que são usados. Além de considerações pragmáticas, o antigo Oriente Próximo teve implicações sociais e espirituais para a riqueza. Os escritores bíblicos consideravam a riqueza um indicador da espiritualidade de alguém”. (Simpson)

Como o conceito de riqueza e/ou pobreza podem ser relativos dependendo do contexto, e podem ser relacionados a aspectos concretos como, por exemplo, o acúmulo de bens materiais; assim como, podem ser relacionados a aspectos subjetivos como, por exemplo, a felicidade.

Pv 13.7 Uns se dizem ricos sem terem nada; outros se dizem pobres, tendo muita riqueza. 8 O resgate pela vida de alguém são as riquezas que ele tem, mas o pobre não corre o risco de ser ameaçado.
“Fingir refere-se a um estilo de vida adotado, e não à encenação. Uma pessoa pode ser rica em bens materiais, mas não ter nada social ou espiritualmente. Por outro lado, outra pessoa pode ser pobre materialmente, mas rica espiritualmente.
As palavras riquezas e pobres ligam este versículo ao anterior. Um homem rico pode precisar de usar o seu dinheiro para se livrar dos problemas (resgatar a sua vida), mas uma pessoa pobre não é ameaçada de rapto ou roubo. Ser pobre tem pelo menos uma vantagem”. (Buzzell)

Assim, para tal pergunta, nós podemos ouvir respostas de que a maior riqueza é: saúde; família; amigos; felicidade; simplicidade de vida; bom caráter; seu nome familiar; acúmulo de muito dinheiro, bens materiais; religião; fé; ter apenas o mínimo para o bem viver no seu dia a dia; ter paz; os pets; …

COSMOVISÃO BÍBLICA
Sl 11.3 Ora, se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo?

Para o ser humano que tem uma cosmovisão bíblica, que verdadeiramente crê no Deus Vivo – Criador – Eterno – Pessoal, que é discípulo do Senhor e Salvador Jesus Cristo, a resposta à pergunta “Qual a tua maior riqueza?”, não é uma questão relativa.

Pois, para o discípulo de Cristo a resposta é e está no próprio Deus, Ele que é o absoluto dos absolutos e assim relativiza todos absolutos humanos, que na sabedoria divina torna em loucura a sabedoria humana, e que na verdade divina torna em mentira a suposta verdade humana.

Os fundamentos do justo (Rm 1.15,16; 5.21; 3.26; 2 Co 5.21) são Jesus Cristo e a palavra de Deus (1 Co 3.10; Ef 2.20; Mt 7.24,25).

Portanto, a luz da palavra de Deus, vamos refletir sobre qual é a maior riqueza do ser humano.

Riqueza, “πλούτος τó, ploútos – (1) riqueza, opulência, Mc 4.19,20; 1 Tm 6.17-19; (2) abundância Rm 9.23; 11.33; 2 Co 8.2; Ef 1.7,18; 3.8,16-19; Fp 4.19; Hb 11.26; Ap 5.12” (Gingrich & Danker)

Eclesiastes 2.1–26.
No capítulo 2, Salomão afirma que considerou – a alegria, o riso; gozar, a felicidade; dar-se ao vinho; empreender grandes obras; comprar servos e servas (ter inúmeros funcionários); amontoar ouro, prata, tesouros; prover-se de cantores, mulheres; engradecer-se e sobrepujar a todos; a sabedoria, e a loucura, e a estultícia … – e, concluiu que tudo é “vaidade e correr atrás do vento” (2.1,11,17,26).

E, isto se aplica a todas as respostas humanas, que não estão vinculadas, sujeitas ao que Jamieson, Fausset, Brown, denominam como o “bem principal”.

No final de Eclesiastes, podemos compreender esse “bem principal”, quando o Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém, conclui: 12.13 De tudo o que se ouviu, a conclusão é esta: tema a Deus e guarde os seus mandamentos, porque isto é o dever de cada pessoa. 14 Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más.

Ou seja, a luz do viver sem o “relacionamento todo suficiente, com o Deus todo suficiente” (John MacArthur), toda a possível e/ou imaginável maior riqueza, é “vaidade, correr atrás do vento – um bem ilusório, fútil, passageiro.

Todo e qualquer “bem”, deste mundo, é transitório, mutável, não produz pleno significado, propósito, satisfação de vida…; e, acima de tudo, aparte do viver segundo a fé no Senhor e Salvador Jesus Cristo, aparte do “pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” (Tt 1.1), e da piedade que “… tem a promessa da vida que agora é e da que há de vir” (1 Tm 4.7); tal “bem”, não é a “maior riqueza do ser humano”.

Então, segundo a cosmovisão bíblica, qual é a “maior riqueza” que um ser humano pode ter?

A MAIOR RIQUEZA – JESUS CRISTO
Efésios 1.7,8
7 Nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, 8 que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e entendimento. (NAA)

Em Cristo há redenção – libertos, comprados da escravidão do pecado por Sua morte; e remissão dos pecados – perdão … Redenção e perdão, segundo a riqueza da sua graça …

“Este perdão, diz Paulo, está de acordo com as riquezas da sua graça, graça que é rica além da compreensão humana e infinitamente além de qualquer riqueza terrena (cf. Mateus 6:19-20; 1 Timóteo 6:17-19; Heb. 11:26). Seis vezes nesta carta o apóstolo fala assim das riquezas de Deus, reveladas e disponibilizadas, a riqueza de sua graça, misericórdia e glória (v. 18; 2:4, 7; 3:8, 16) … E a doação de Deus não vem apenas dessas riquezas, mas de acordo com a sua medida (cf. Fp 4.19)”. (Foulkes)

Colossenses 1.27
27 A estes Deus quis dar a conhecer a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vocês, a esperança da glória.

“No centro do mistério está a revelação, em Cristo, de que os propósitos de Deus não deveriam ser restritos aos judeus, mas deveriam abranger o mundo inteiro. É este facto, para Paulo, que revela as “riquezas da glória” do plano de Deus. Deus é revelado em Jesus Cristo como o Senhor do mundo inteiro, seu Criador e Redentor soberano e amoroso. Examinar seus planos surpreendentes é — de acordo com a metáfora usada por Paulo — como explorar um palácio ricamente abastecido de tesouros, cada um revelando mais plenamente do que o anterior a majestade de seu proprietário”. (Wright,)

2 Coríntios 4.6,7
6 Porque Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo. 7 Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que se veja que a excelência do poder provém de Deus, não de nós.

Que brilhou em nossos corações para iluminar o conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Aqui a conversão é entendida como iluminação, uma iluminação que revela a verdadeira natureza de Cristo como aquele em cujo rosto se vê a glória de Deus. A própria conversão de Paulo pode muito bem tê-lo levado a pensar desta forma (Gl 1.13-17; cf. At 9.1-9). (Kruse)

4.7
“θησαυρος thesauros de 5087 ; TDNT – 3:136,333; n m 1) lugar no qual coisas boas e preciosas são colecionadas e armazenadas 1a) porta-jóias, cofre, ou outro receptáculo, no qual valores são guardados 1b) tesouro 1c) depósito, armazém, 2) coisas armazenadas em um tesouro, coleção de tesouros” (Aplicativos da Bíblia Olive Tree, Biblia Almeida Strong)

Conclusão
Sob a cosmovisão bíblica a “maior riqueza do ser humano” é a vida eterna que, segundo a riqueza da graça divina, há por meio da fé em Jesus Cristo. Vida, segundo o “pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” Tt 1.1 (Jo 17.3), piedade que “… tem a promessa da vida que agora é e da que há de vir” (1 Tm 4.7).

(Nota: Aqui No Link Estudos, tu encontras um outro estudo sobre esta tema, com o título “Um tesouro de incalculável valor”, Mateus 13.44-46, postado em 16.05.2023, da Série – Parábolas)

Bibliografia:
NAA, Biblia, Nova Almeida Atualizada© Copyright © 2017 Sociedade Bíblica do Brasil
Olive Tree, Bíblia. Aplicativos da Bíblia Olive Tree, Biblia Almeida Strong
Buzzell, Sid S., “Provérbios”, em The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures, ed. JF Walvoord e RB Zuck, vol. 1 (Wheaton, IL: Victor Books, 1985), 933.
Foulkes, Francis, Efésios: uma introdução e comentário, vol. 10, Comentários do Novo Testamento de Tyndale (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1989), 58–59.
Gingrich & Danker, Léxico do N.T. Grego/Português, São Paulo: Ed. Vida Nova, 1984
Jamieson, Robert; Fausset, A. R.; e Brown, David, Comentário Crítico e Explicativo sobre toda a Bíblia, vol. 1 (Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997, 404.
Kruse, Colin G., 2 Coríntios: uma introdução e comentário, vol. 8, Comentários do Novo Testamento de Tyndale (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1987), 105–106.
Simpson, Benjamin I., “Riqueza”, ed. John D. Barry e outros, Dicionário Bíblico Lexham (Bellingham, WA: Lexham Press, 2016).
Wright, N. T., Colossenses e Filemom: uma introdução e comentário, vol. 12, Comentários do Novo Testamento de Tyndale (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1986), 95–96.

Domingos Mendes Alves
@paraoalvo
paraoalvo.com
Viseu, Portugal
16.06.2024

Last modified: January 26, 2025