Mensagens Bíblicas
Série – Efésios
Andar de modo digno em Cristo
10a. Mensagem
RAO, SP, BRA 2013
Domingos Mendes Alves
Revisado, 27.06.2024
Revestindo da nova natureza em Cristo, Efésios 4.17-5.17
Mensagem: A vida cristã implica no abandono da vida sem Cristo, e no revestir de uma nova vida em Cristo.
Esboço
Introdução
A partir do capítulo 4 de Efésios nós começamos a refletir “Um estilo de vida digno do cristianismo autêntico, do andar que agrada a Deus…” (4.1)… Temos enfatizado que a fé sadia (conjunto de verdades reveladas por Deus), deve nos conduzir a um viver, comportamento sadio… (cf. 1 Jo 2.6; Jo 6.38; Sl 37.23,24).
Na mensagem anterior, nós refletimos: A graça e o servir, Efésios 4.7-16
Nesta mensagem, nós vamos refletir sobre mais uma das características do estilo de vida de digno do cristianismo autêntico, do andar que agrada a Deus…
Revestindo da nova natureza em Cristo, 4.17-5.17
v. 17 – “… não andeis como também andam os gentios…” – “andar”, aponta para uma ação habitual, um estilo de vida…
Paulo exorta em “Nome”, com a autoridade de Cristo, pois, não era assim que eles aprendido que deveriam andar – eles estavam vivendo como os gentios (aqueles que não levam Deus a sério) -… “Não foi assim que aprendeste a Cristo…”, 4.20,21
O que a verdade “de” e “em” Cristo implica?
A verdade deve nos levar ao viver conformado com o caráter e a vontade de Cristo, revelada em Sua Pessoa e na Bíblia – Ef 4.22-24; há implicações morais, éticas, pessoais, relacionais…
Há um contraste entre a “velha” (sem Cristo) e a “nova” (com Cristo) vida – 2 Co 5.17; Gl 2.20.
E, quando não há este contraste na vida daquele que se diz cristão, discípulo de Cristo, então tal vida torna-se motivo de mau testemunho, de escândalo, de pedra de tropeço para o Evangelho de Jesus Cristo.
Isto implica no abandono da vida sem Cristo; e, no revestir de uma nova vida em Cristo…
I. Abandono completo da vida sem Cristo, 4.17
O caminho dos gentios (natureza sem Cristo):
1. Vaidade dos seus próprios pensamentos, 4.17
Pensamentos vazios, fúteis, sem esperança, sem o conhecimento de Deus…
2. Obscurecidos de entendimento, 4.18,19
Mentes com “calos”, endurecidas; “cegos” para as verdades espirituais; insensíveis para Deus e Sua palavra…
Alerta: o cristão pode se endurecer… Hb 3.12,13.
3. Entregues a dissolução, 4.19 (Gl 5.19).
Uma vida sem freios, sem limites éticos e morais…
4. Corrompidos segundo as concupiscências do engano, 4.22
Destaquemos dois dos enganos advinda do pecado:
a) O engano de que o pecado jamais será descoberto
“Você pode enganar todas as pessoas por algum tempo; você pode enganar algumas pessoas por todo o tempo; mas, você não pode enganar todas as pessoas por todo o tempo” (Abrahão Lincoln).
Mas, você não pode enganar Deus em tempo algum – 1 Co 4.5.
“Quanto ao perverso, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido”, Pv 5.22.
b) O engano de que o pecado recompensa…
Alguém já disse: “o pecado vai te levar mais longe do que você queria ir… Vai te reter mais tempo do que você queria ficar… Vai te cobrar um preço mais alto do que você estaria disposto a pagar…”.
“Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal…”, Rm 2.9.
Em Cristo somos nova criatura… Somos filhos da luz… 4.17ss; 5.8,9
Como filhos da luz devemos rejeitar tudo o que não agrada a Deus, o que não é segundo a Sua vontade… Todo pecado causa problemas no relacionamento com Deus; e, há pecados que causam problemas nos relacionamentos uns com os outros, gerando relacionamentos doentios e destrutivos…
“… Vos despojeis do velho homem…”, Ef 4.22 – Há aqui um ato de decisão, de vontade, de determinação… Rompimento com a “velha vida”, “velhos hábitos”, do que é vergonhoso (4.22; 5.11,12; Rm 6.1-14).
II. Revestir da nova vida em Cristo, 4.23-5.17
1. Fale a verdade, não minta…, Ef 4.25
Disse Jesus Cristo: o “… Diabo… jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”, Jo 8.44.
Engano, meias verdades, exageros e ou omissões e ou distorções de fatos e ou informações levando outros à conclusões erradas; não falar conforme a realidade dos fatos; traição; falsas desculpas e ou promessas… – são algumas formas de mentir…
Fale a verdade…
A comunhão, segurança e confiança num relacionamento se fundamentam na verdade…
Ef 4.17 – “… verdade em amor…” – a verdade com amor é construtiva…
2. Ire-se, mas não peque…, Ef 4.26,27,31
A ira por si só não é pecado.
Ira, assim como alegria, faz parte da nossa humanidade, dos nossos sentimentos, emoções…
Deus se ira… Rm 1.18; Ef 5.6. Sua ira é santa, sem pecado em suas motivações e propósitos…
A ira é boa, justa, quando se reflete por causa do mal, da injustiça, ou seja contra tudo que desagrada a Deus (ira contra o pecado) – Mt 21.12; Mc 3.5; Jo 2.15.
A ira é boa quando é motivada pelo amor a Deus e ao próximo…
O nosso problema como ser humanos, é que a “ira do homem não produz a justiça de Deus”, Tg 1.19-21 (Pv 14.17).
Geralmente nossa ira baseia-se em nosso egoísmo, egocentrismo, e nos conduz a atitudes de revolta, amargura, raiva etc. contra Deus e ou contra o próximo… Geralmente nossa ira se origina no nosso pecado, e nos conduz ao pecado…
Para que a ira não se transforme em amargura (Hb 12.15) , a ira deve ser tratada o mais cedo possível – “não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Sl 4.4,5).
“Nem deis lugar ao diabo”, Ef 4.27
Cuidado – a ira não tratada produz estragos – Caim matou Abel; Saul perseguiu Davi; Moisés “feriu” a rocha; Jonas indignou-se contra Deus…
Quando estiveres irado, avalie suas razões (Sl 4.4,5)… No Espírito Santo, haja como nova criatura – Rm 12.17-21.
Pv 28.13,14; Sl 37.23,24.
3. Trabalhe, não roube… Ef 4.28
Por vezes, nós ficamos indignados diante das notícias de corrupção em órgãos governamentais, de desvio de verbas por parte de autoridades políticas e religiosas etc.
Mas, não vivemos nós a cultura da corrupção, do desvio de verbas, do roubo? Não cometemos nós os mesmos pecados, que acusamos o governo, os políticos, os líderes religiosos etc.?
… Não roube… Ef 4.28;
Ex 20.15 “não furtarás”.
Rm 13.9,10 “pois isto: não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: amarás o teu próximo como a ti mesmo. O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”.
Podemos roubar a Deus, a “César” e ao próximo.
“Dai a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César”, Mt 22.21; 23.23; Rm 13.7.
– Nós podemos roubar aos outros o que lhes pertence – retendo o dinheiro do trabalhador, cobrando acima do preço lícito, não pagar o que pedimos emprestado, apropriando-nos do que não nos pertence – Tg 5.4; Ez 18.18; Sl 37.21; Pv 28.24.
Você tem roubado de alguém?
Se você tem roubado de “César” e ou de uma outra pessoa: arrependa-se do pecado, peça perdão a Deus e a pessoa, disponha-se a restituir (Lc 18.9,10)… Se “César” e ou a pessoa ao perdoar te isentar de pagar o devido valor, estás livre de restituir; mas, se ao perdoar, requerer que pagues o que roubastes, então faça um plano de pagares o que puderes, pelo tempo que for necessário…
Antes trabalhe, fazendo algo de útil… Ef 4.28.
“… antes, trabalhe, fazendo algo que é útil… para que tenha como acudir ao necessitado”, Ef 4.28.
1 Ts 4.11,12; 2 Ts 3.10-12; 1 Tm 5.8; At 20.33-35.
Trabalhe, com a visão correta…
Deus, por meio do trabalho “com sabedoria, conhecimento e felicidade” (Ec 2.24-26), Ele nos dá recursos para (a lista abaixo não está em ordem de prioridade, mas com a visão de que a gestão correta dos recursos deve incluir todos os aspectos mencionados):
– suprir as nossas necessidades (2 Ts 3.12);
– desfrutar dos bens (1 Tm 6.17);
– economizar – prover para o futuro – não desperdiçar (PV 21.20; 10.5);
– ajudar o próximo a partir da família na carne (1 Tm 5.8) e na fé (Gl 6.10);
– e, investir na obra de Deus por intermédio da igreja local (2 Co 8,9).
A verdade deve nos levar ao viver conformado com o caráter e a vontade de Cristo, revelada em Sua Pessoa e na Bíblia – Ef 4.22-24; há implicações morais, éticas, pessoais, relacionais…
Não furte… Trabalhe… Reparta…
O que temos visto até aqui, a partir de Ef 4.1:
“… Vos despojeis do velho homem…”, Ef 4.22 – Há aqui um ato de decisão, de vontade, de determinação… Rompimento com a “velha vida”, “velhos hábitos”, do que é vergonhoso (4.22; 5.11,12).
A verdade deve nos levar ao viver conformado com o caráter e a vontade de Cristo, revelada em Sua Pessoa e na Bíblia – Ef 4.22-24; há implicações morais, éticas, pessoais, relacionais…
4. Fale o que é bom, não o que é podre, Ef 4.29,31; 5.3,4
Você já viu alguém que fez mau uso da palavra?
Você alguma vez já tropeçou no falar?
“Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo capaz de dominar todo o seu corpo” (Tg 3.2).
Não fale o que é podre – sem valor; linguagem “podre” e que espalha “podridão”.
Cl 3.8; Tg 3.6-8; Sl 141.3.
Ef 5.3:
– “Impudícia” – (porneia), imoralidade, alusão a vários a relação sexual ilícita…
– “Impureza” – (akatharsia), refugo, podre, imoral, más intenções…
– “Cobiça” – avidez insensível, cobiça do corpo de outra pessoa…
Não tenham prazer, nem aprovem ou desculpem tais coisas…
Nem… Ef 5.4:
– “Conversação torpe” – (aischrythēs), obsceno, vergonhoso, imoral…
– “Palavras vãs” – tolas, sem sentido, sujo, que provêm de um bêbado…
– “Chocarrices” – gracejos imorais, piadas grosseiras…
Fale o que é bom…
Ef 5.4 – Antes…
– “Ações de graças” – conversa centralizada em Deus; “gratidão” – aspecto estrutural básico da ética cristã (Stott); Calvino – ‘eucaristia’, falar gracioso, conversa que reconhece a amabilidade e a beleza dos dons (das dádivas) de Deus.
Fale o que é bom para edificação, Ef 4.29 – é construtivo, não prejudica, não destrói; mas, ajuda, anima, consola, encoraja…
Sl 37.30,31.
Conforme a necessidade – 1 Ts 5.14; Pv 10.32; 15.23; 12.18; 25.11; 24.26;
Transmita graça aos que ouvem…. – confere favor, benefício…
Sl 45.2; Sl 71.15-17; Cl 3.16; 4.6; Lc 4.22.
5. “Não entristeçais o Espírito Santo…”, Ef 4.30
Qualquer coisa incompatível com a pureza ou com a unidade da igreja, que seja contrário ao andar digno que agrada a Deus, é contrário ao Espírito Santo – Seu ser e agir, e portanto causa dor, tristeza, aflição ao Espírito.
Devemos crescer em nossa semelhança a Cristo, e não entristecer o Espírito Santo.
Assim… Longe de vós…
Ef 4.31,32 – Longe de vós toda…
– “Amargura” – (pikria), espírito ressentido que recusa reconciliação; espírito azedo, amargo…
– “Cólera” – (thimos), fúria apaixonada, ira temporária…
– “Ira” – (orgē), ira profunda, sutil, surge de animosidade…
– “Gritaria” – (kruagē), ira, expressa em voz alta…
– “Blasfêmia” – (blaphemia), falar mal de, difamar, destruir a reputação de outro…
– “Malícia” – (kakia), todo o tipo de mau sentimento, tramar o mal contra os outros…
Antes sede uns para os outros…
– “Benignos” – (chrēstos), pensa nos interesses do próximo; amor na prática…
– “Compassivos” – (eusplanchnoi), ternura de coração, simpatia e amor…
– “Perdoando-vos” – (charizomenoi), agindo com graça; “como também Deus em Cristo vos perdoou” – perdão tão livre e completo como o de Deus; o exemplo e a motivação, para perdoar, vem do próprio Deus (Ef 5.1,2; cf. Mt 5.44,48)
Temos que “andar em amor” (Ef 5.2) – o amor sacrificial para com os outros é um sacrifício (oferta) aceitável a Deus.
O amor é o cumprimento da lei – Rm 13.8-10.
Qualquer coisa incompatível com a pureza ou com a unidade da igreja, que seja contrário ao andar digno que agrada a Deus, é contrário ao Espírito Santo – Seu ser e agir, e portanto causa dor, tristeza, aflição ao Espírito.
Conclusão
A vida cristã implica no abandono da vida sem Cristo, e no revestir de uma nova vida em Cristo.
“… Vos despojeis do velho homem…”, Ef 4.22 – Há aqui um ato de decisão, de vontade, de determinação… Rompimento com a “velha vida”, “velhos hábitos”, do que é vergonhoso (4:22; 5:11,12).
A verdade deve nos levar ao viver conformado com o caráter e a vontade de Cristo, revelada em Sua Pessoa e na Bíblia – Ef 4.22-24; há implicações morais, éticas, pessoais, relacionais…
Próxima mensagem: Enchei-vos do Espírito Santo”, Efésios 5.18-21
Lembre-se:
A sua responsabilidade, debaixo da graça e capacitação divina é a de modo perseverante, e confiante aplicar os princípios e as verdades divinas que tens ouvido (Fp. 2.12,13; 1 Tm. 4.7-9; Tg. 1.22-27). Ao meditar nesta mensagem, pergunte-se:
* O que Deus quer transformar no meu modo de pensar e agir?
* Como eu posso colocar isso em prática na minha vida?
* Qual o primeiro passo que darei nessa direção (para que haja real transformação em minha vida)?
Conheça… Creia… Aproprie-se… E, pratique a verdade divina para que experimentes a vida plena que há em Jesus Cristo (João 10.10).
Domingos Mendes Alves
RAO, SP, BRA 30/06, 07 e 28/07.2013
Revisado, 27.06.2024
Viseu, Portugal
Last modified: January 30, 2025