Mensagens Bíblicas
Série – Efésios
Andar de modo digno em Cristo
3a. Mensagem – RAO, SP, BRA 18.11.2012
Domingos Mendes Alves
Revisado, 08.05.2024
Orando além do óbvio, Ef 1.15-23
Mensagem: A vida de oração deve englobar adoração e louvor, confissão de pecados, ação de graças, súplica e intercessão; e, a realidade espiritual em Cristo, não somente as necessidades do aqui e agora.
Esboço:
Introdução:
Na mensagem passada fomos desafiados e encorajados a “Falar bem de Deus”, Ef 1.3-14.
Nesta mensagem, nós vamos refletir sobre “Orando além do óbvio”, Ef 1.15-23.
O que é óbvio na oração?
O óbvio em nossas orações tem sido a súplica por enfermidades, desemprego, dificuldades econômicas etc. Não que Deus não cuide de tais coisas, e que não devamos suplicar por tais necessidades. Mas, oração apenas engloba, se centraliza na súplica por tais coisas?
Biblicamente falando a oração engloba: adoração, confissão de pecados, ação de graças, súplica e intercessão.
Há tempos ouvi o Pr. Ricardo Barbosa falando sobre dois níveis de oração…
a) Colocando nosso mundo diante de Deus…
Deus é invocado para atender nossas necessidades… Dizem respeito a nós – nos voltamos para nós… atrofiamos a alma…
b) Deus nos colocando diante do seu mundo…
A oração começa com Deus, não conosco – “Pai nosso…”; começa com a agenda de Deus – “Teu nome, teu reino, tua vontade…”; Expandimos a nossa alma…
Nesta passagem mensagem, nós vamos refletir, ser desafiados, que “orar além do óbvio” é englobar na vida de oração a adoração e o louvor, a confissão de pecados, a ação de graças, a súplica e a intercessão; e focar, a realidade espiritual e eterna em Cristo, e não somente as necessidades físicas, materiais e econômicas do aqui e agora.
O apóstolo Paulo passa do louvor, “Bendito seja Deus…”, 1.3, para a oração – ação de graças e intercessão, Ef 1.14ss
Com o apóstolo Paulo aprendemos que louvor e oração devem caminhar juntos. Interessante notar, em nossas igrejas, que por vezes as pessoas que mais valorizam o louvor (que para muitos significa apenas “cânticos”!), são as que menos valorizam a oração.
I. Motivo de ação de graças, 1.15,16.
1.15 Por isso, também eu, tendo ouvido a fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos, 16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações…
Graças, por causa …
1) Fé no Senhor Jesus Cristo, 1.15
Fé é a expressão da confiança do verdadeiro cristão em Deus. Fé foca a nossa relação vertical com Deus (Dr. Thomas L. Constable, 2012).
Rm 1.17; Hb 11.5,6
2) Amor para com todos os santos, 1.15.
Amor é a evidência do seu bom relacionamento com as outras pessoas. Amor foca a nossa relação horizontal (Dr. Thomas L. Constable, 2012).
2 Ts 1.3; Ef 4.31-5.2
Há agradecimento, e intercessão …
II. Motivo de intercessão, súplica, 1.17-23.
17a para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória …
No v. 17 o apóstolo Paulo volta a relembrar Deus como o Pai do Senhor Jesus Cristo (1.3), sendo Ele a fonte de todas as bênçãos, e a quem pertence toda a glória – Ef 1.6,12,14; Rm 11.36.
1. Conheçam a Deus intimamente, 1.17
17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele
Paulo roga a Deus que conceda aos efésios “espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento dele” (1.17).
Paulo tem em mente uma atitude de “sabedoria e de revelação…”, atitude essa que com certeza era proveniente da ação do Espírito Santo, que neles habitava (Ef 1.13,14).
Paulo está suplicando para que eles tenham de Deus uma habilidade específica para entender os mistérios de Deus, compreender a revelação de Deus por meio da Sua palavra. Que eles tivessem “pleno conhecimento dele” (1.17), um conhecimento completo, experimental, relacional com Deus… (Jo 17.3; 15.7,8,14).
Tal conhecimento é possível porque Deus se revela… Temos a revelação divina… Temos a iluminação do Espírito Santo (1:18)…
1.18a iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes …
“Crescimento no conhecimento é indispensável para o crescimento em santidade” (Stott).
Cada dia na vida cristã devemos crescer mais e mais no conhecimento de Deus…
“A filosofia que toma o homem por seu centro diz conhece-te a ti mesmo; somente a palavra inspirada que procede de Deus tem conseguido dizer conhece a Deus” (Adolphe Monod).
“Conhecer Deus pessoalmente é salvação, vida eterna (Jo 17.3). Crescer no conhecimento de Deus é santificação (Fp 3.10). Conhecer Deus perfeitamente é glorificação (1 Co 13.9-12) (Wiersbe).
Mas, como conhecer a Deus?
Como vimos em 2008 na série de mensagens “Vida proveniente do conhecer a Deus”…
“O fundamento de todo conhecimento verdadeiro há de ser a clara compreensão mental de Suas perfeições, tal como se revelam na Sagrada Escritura” (A. W. Pink, “Los Atributos de Dios”, p. 7).
“A alma só conhece verdadeiramente a Deus quando se rende a Ele; quando se submete a sua autoridade e quando seus preceitos e mandamentos regulam todos os detalhes da vida” (A. W. Pink, “Los Atributos de Dios”, p.7).
Segundo J. I. Packer, conhecimento de Deus envolve:
A. Ato de ouvir a Palavra de Deus e recebê-la como interpretada pelo Espírito Santo com relação a nossa pessoa;
B. Notar a natureza e o caráter de Deus;
C. Aceitar (fé) Seu convite e obedecer (obediência) suas ordens;
D. Reconhecer Seu amor – alegrar-se na comunhão com Ele.
Entendendo que tudo isto é questão de graça divina… A iniciativa é de Deus… Ele se revela (Hb 1.1-4; Mt 11.25-30).
2. Necessário conhecer a Deus intimamente para que:
1.18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos
A. Conheçam a esperança para a qual Deus os chamou, 1.18
1.18a iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento…
Para que Deus nos chamou?
Deus nos chamou “para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença”(1.4); para “comunhão com Ele” (1 Co 1.9); “para o louvor da sua glória” (1.6,12); para “andar do modo digno da vocação” (4.1); para vivermos “um só corpo e um só Espírito” (Ef 4.4)…
“Deus chamou-nos para Cristo e para a santidade, para a liberdade e para a paz, para o sofrimento e para a glória… Para conhecermos, amarmos, obedecermos e servirmos a Cristo, desfrutando da comunhão com Ele e uns com os outros, e olhando para além do nosso presente de sofrimento, olharmos para a glória eterna” (Stott).
O chamamento nos leva a olhar para trás, para o começa da vida crista, para que fomos chamados pelo Evangelho de Jesus Cristo…
B. Conheçam as riquezas da gloriosa herança de Deus nos santos, 1.18 (cf. 1.14).
1.18b … para saberdes … qual a riqueza da glória da sua herança nos santos (1 Pe 1.4)
A herança é um dia sermos semelhantes a Jesus Cristo (1 Jo 3.2), um dia podermos desfrutar da comunhão eterna com Deus nos céus (Ap 22.3-5).
O Espírito Santo em nós é a garantia dessa herança, Ef 1.14
A herança nos leva a olhar para o futuro, para aquilo que Deus tem garantido para os seus filhos, pela fé em Jesus Cristo…
C. Conheçam o grande poder que Deus exerceu em Cristo, 1.19-23
19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; 20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, 21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. 22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.
Poder (Gr. ‘dynamis’) refere a uma força espiritual.
O poder de Deus nos leva a olhar para o presente e a termos segurança Nele…
Deus manifestou seu poder em Cristo de três maneiras:
a) Ressuscitando Cristo dentre os mortos, 1.20; Rm 1.4;
1.20a o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos …
Deus em Cristo derrotou a morte… 1 Co 15.54,55.
O túmulo vazio e os aparecimentos de Cristo após a ressurreição são evidências da sua ressurreição, At 1.1-8; 1 Co 15.1-8.
b) Exaltando Cristo acima de todas as coisas,1.20,21; Fp 2.8-11; Sl 110.1
1.20b … e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, 21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro.
A exaltação de Cristo, afirma sua autoridade, seu poder, seu domínio acima de toda autoridade, humana ou celestial, presente ou futura.
c) Fazendo Cristo o cabeça de todas as coisas, 1.22,23; (cf. 4.15; 5.23; Cl 1.18).
1.22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, 23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.
“Todas as coisas”, Cristo domina sobre todo o universo e todos os seres.
Aquele que é cabeça de todas as coisas, é também o cabeça da Igreja… Igreja que é corpo de Cristo, “a plenitude daquele que a tudo enche todas as coisas…”
A Igreja é o “corpo” de Cristo:
Cristo é “cabeça” – Ele dirige a Igreja, Ele é o Senhor da Igreja…
Temos nas Escrituras o ensinamento sobre o que é “ser” e “viver” Igreja…
Corpo (1 Co 12.27):
– Diversidade (membros diferentes, com dons, serviços, realizações, funções diferentes – Ef 4.11; 1 Co 12-14);
– Unidade (unidade na diferença, na diversidade; unidade no Espírito; vinculados em amor – Ef 4.1-6);
– Interdependência (sem perder a individualidade, mas perdendo o individualismo – “uns aos outros”, Ef 4.25, 32; 5.21… );
– Estrutura (músculos, tendões, ossos… / tem liderança, organização, funções e responsabilidades… – Ef 4.11-16).
A Igreja é a “plenitude” de Cristo – Ele “enche”, completa a igreja, mediante o Seu Espírito…
E, Jesus Cristo se “manifesta”, se “visualiza”, se “move” hoje através da Igreja – que é Seu Corpo.
Conclusão
Lembre-se: “orar além do óbvio” é englobar na vida de oração a adoração e ou louvor, a confissão de pecados, a ação de graças, a súplica e a intercessão; e focar, também, a realidade espiritual e eterna em Cristo, e não somente as necessidades físicas, materiais e econômicas do aqui e agora.
Com os nossos olhos iluminados, abertos pelo Espírito Santo, e com o conhecimento e a prática da palavra de Deus, aprendemos a orar além do óbvio…
Lc 24.25-32.
Próxima mensagem: “A volta dos vivos mortos”, Ef 2:1-10.
Lembre-se:
A sua responsabilidade, debaixo da graça e capacitação divina é a de modo perseverante, e confiante aplicar os princípios e as verdades divinas que tens ouvido (Fp. 2.12,13; 1 Tm. 4.7-9; Tg. 1.22-27). Ao meditar nesta mensagem, pergunte-se:
* O que Deus quer transformar no meu modo de pensar e agir?
* Como eu posso colocar isso em prática na minha vida?
* Qual o primeiro passo que darei nessa direção (para que haja real transformação em minha vida)?
Conheça… Creia… Aproprie-se… E, pratique a verdade divina para que experimentes a vida plena que há em Jesus Cristo (João 10.10).
Domingos Mendes Alves
RAO, SP, BRA 18.11.2012
Revisado, 08.05.2024
Viseu, Portugal
@paraoalvo
paraoalvo.com
Last modified: January 30, 2025