Visões de Deus

Em tempos de crises a visão de Deus nos transmite transformação de vida e esperança Nele.

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Mensagens bíblicas
Série – “Isaías – A Salvação do Senhor”
5a. Mensagem
Domingos Mendes Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil
16.05.2010

Visões de Deus para um tempo de crise, Isaías 6

Mensagem: Em tempos de crises a visão de Deus nos transmite transformação de vida e esperança Nele.

Esboço:
Introdução
A. Recordando
Na 4ª mensagem desta série, “A vinha, a Videira e os ramos do Senhor”, Isaías 5 (João 15.1-8), vimos que “O povo de Deus na antiguidade tinha, assim como a Igreja de Jesus na atualidade tem, as condições e os recursos necessários para produzir bons frutos, frutos que agradam a Deus”.

B. Hoje – “Visões de Deus para um tempo de crise”.
1. Contexto histórico
“No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e aba de sua veste enchia o templo”, Is 6.1.
O profeta Isaías refere-se aproximadamente ao ano 740 a.C. Uzias reinou cerca de 52 anos, e foi conhecido com um rei competente e enérgico.
Esta visão ocorre no primeiro período profético de Isaías.
Em 2 Crônicas 26 tomamos conhecimento de que Uzias começou a reinar com 16 anos. Ele fez o que era reto perante o Senhor. Buscou o Senhor, e Ele o fez prosperar. No reinado de Uzias, Israel e Judá estavam num época de poder e prosperidade. Judá obteve vitórias sobre os filisteus, os árabes, o amonitas e os edomitas, e fortificou Jerusalém e outras cidades. Uzias também promoveu a agricultura, o comércio e a indústria.
Mas, 2 Cr 26.16, “havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e cometeu transgressões contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso”.
Ficou leproso, separado, excluído da casa do Senhor, e assim morreu…
“Quanto aos mais atos de Uzias, assim os primeiros como os últimos, o profeta Isaías, filho de Amós o escreveu”, 2 Cr 26.22.
Depois veio Jotão, que fez o que era reto perante o Senhor, mas o povo continuava na prática do mal, do que não agradava a Deus.
Acaz, 2 Cr 28, fez mal perante o Senhor, o que atraiu a Sua ira… Morreu e não foi enterrado no sepulcro dos reis de Israel.
Ezequias, 2 Cr 29, promoveu um reavivamento espiritual, e Deus o abençoou… No entanto, no capítulo 32.25, 26, lemos que ele se exaltou diante de Deus, atraindo a Sua ira e tendo sido acometido de uma doença mortal. Se arrependeu, humilhou-se, clamou a Deus, tendo sido perdoado, curado e abençoado.

2. Contexto espiritual
Já vimos nas mensagens anteriores que o povo estava em pecado, afastado de Deus, como registra o capítulo primeiro de Isaías.

Em horas de graves crises sociais, econômicas, relacionais, espirituais etc., devemos buscar a Deus e Ele nos abrirá os olhos para quatro importantes visões.

I. Visão – Glória e santidade de Deus.
“No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e aba de sua veste enchia o templo”, Is 6.1
“E proclamavam uns aos outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória”, Is 6.3

1. Duas questões importantes
A) A realidade dos nossos dias
Por exemplo, o Brasil, assim como muitos países denominados cristão, há uma religiosidade com ausência de uma verdadeira espiritualidade, com graves crises espirituais, éticas e morais, de integridade e de valores verdadeiramente cristãos – segundo o modelo, o caráter de Jesus Cristo… Dentro de tais realidades podemos aplicar o que Deus falou a nação de Israel e Judá, por meio do profeta Isaías e Jeremias.
Is 1.3,4 “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. Ah, nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos que praticam a corrupção! Deixaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel, voltaram para trás”.
Jr 4.22 “Deveras o meu povo é insensato, já me não conhece; são filhos obtusos, e não entendidos; são sábios para fazerem o mal, mas não sabem fazer o bem”. […] 8.7,8 “Até a cegonha no céu conhece os seus tempos determinados; e a rola, a andorinha, e o grou observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece a ordenança do Senhor. Como pois dizeis: Nós somos sábios, e a lei do Senhor está conosco?…”

B) A necessidade contemporânea
Necessidade de um avivamento espiritual como fruto da visão de Deus.
Necessidade de reais conversões (arrependimento dos pecados e fé) a Cristo como Senhor e Salvador, que provoquem reais e profundas transformações na vida dos indivíduos, da família, da comunidade e da nação em geral, resultando numa sociedade mais humana, mais digna e mais justa, e acima de tudo, na honra e glória de Cristo.

2. Glória e Santidade de Deus
“Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória”, Is 6.3.
A) O que Ele faz – motivo de ações de graças.

B) O que Ele é – motivo de ser glorificado.

3. A “nossa glória e santidade”!
“Quando minha glória é o meu alvo, lá se foi a minha santidade!”

II. Visão – Pecaminosidade humana.
“Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória”, Is 6.3. […] “Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros“.; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos exércitos”, 6.5.

1. Quando Isaías teve uma visão real de Deus, ele teve também uma visão real do ser humano.
“Sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros”.
“Não há nenhum justo, nem um sequer”, Rm 3.10; “Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”, Rm 3.23.

2. A principal crise da humanidade.
O ser humano querendo se tornar todo poderoso e ocupar o lugar de Deus.
“Não glorificam a Deus como Deus, e nem lhe dão graças”, Rm 1.21
“Tornam a verdade de Deus em mentira, e amam a injustiça rejeitando a verdade divina”, Rm 1.19.

3. Deus procura seres humanos que se reconhecem pecadores e necessitados de Sua misericórdia e graça.

Lc 19.10 “Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido”.
1 Tm 1.15 “Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” , palavras do apóstolo Paulo.

A visão da nossa pecaminosidade e fragilidade nos leva a dependência de Deus, por isso também podemos dizer como o apóstolo Paulo: “Quando sou fraco, então é que sou forte”, 2 Co 12.10.

III. Visão – Graça de Deus.
“Logo um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz. Com ela tocou a minha boca e disse: “Veja, isto tocou os seus lábios; por isso, a sua culpa será removida, e o seu pecado será perdoado”, Is 6.6,7.

1. “A lei veio por Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”, Jo 1.17.
A graça só é concedida ao necessitado.
“Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”, 1 Pe 5.5.

A história de Naamã. 2 Rs 5.1 “Naamã, comandante do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu senhor e de muito conceito, porque por ele o Senhor dera vitória à Síria; era ele herói de guerra, porém leproso”.
A ordem de Deus para Naamã: “Vai e lava-te no Jordão sete vezes”.
A) “Vai e lava-te”
Gera uma luta íntima; nossa luta íntima tratar o pecado como pecado.

B) “No Jordão”
Não havia outros lugares mais dignos?; nosso “Jordão” é o Calvário, a cruz de Cristo.

C) “Sete vezes”
Naamã só foi curado quando mergulhou pela 7a. Vez no rio Jordão; Deus nos abençoa quando estamos dispostos a obedecer o que Ele nos ordena, por mais absurdo que Suas ordenanças possam ser aos nossos olhos.

2. Um contínuo avivamento.
Avivamento do povo de Deus, só é possível mediante uma visão clara da maravilhosa graça de Deus.
Deus perdoa.
Deus purifica.
Deus nos torna seus cooperadores para expansão e glória do Seu Nome.

IV. Visão – “Necessidade desejada” de Deus.
“Então ouvi a voz do Senhor conclamando: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me! Ele disse: “Vá, e diga a este povo…”, Is 6.8,9a.

1. Deus escolheu “precisar” de nós.
A) Ele decidiu realizar Sua obra no mundo através do ser humano.

B) Só quem experimentou o toque da graça de Deus pode dizer: “Eis-me aqui. Envia-me!”.

C) Isaías recebeu um ministério de juízo, Is 6.9-13.
Até quando? Até que se cumpra o julgamento de Deus.
Mas, há no meio um toque de esperança, “um toco” – voltará a brotar vida, Is 4.3; 7.3. Um remanescente fiel herdará a promessa, Rm 11.5.

D) Os discípulos de Jesus Cristo recebem o ministério de reconciliação, 2 Co 5.17-20.
2Co 5.18, 19 “Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação”.
Reconciliar pessoas com Deus por meio do arrependimento dos pecados e da fé em Jesus Cristo como único e suficiente Salvador.

2. Deus procura amigos.
“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, pois quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer”, Jo 15.15.
Deus nos chama e desafia para uma vida de intimidade com Ele. Como vimos na mensagem passada em João 15.5,8
Jo 15.1-8 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor… Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós sois os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer… Meu Pai é glorificado nisto: em que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos”.

“Permanecer” em Cristo (v. 4; 1 Jo 3.24; Jo 8.31,32) é ter comunhão, relacionamento com Ele; vida de obediência em comunhão com Ele, como resultado da fé Nele como único e suficiente Senhor e Salvador – Sua morte pelos pecados, e ressurreição dentre os mortos.

Conclusão
O verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, sujeito na e da história, que cumpre os propósitos de Deus para sua vida na sua geração, é aquele que teve a visão da glória e santidade de Deus; da pecaminosidade do ser humano; da graça divina; e, da necessidade de Deus.
Qual a sua crise?
Como está a sua visão de Deus?
Como tal visão tem influenciando seu estilo de vida e sua missão?
Em tempos de crises a visão de Deus nos transmite transformação de vida e esperança Nele.

Nota: grande parte do esboço desta mensagem foi adaptado de um esboço do Pr. Ivênio dos Santos, pastor com quem trabalhei, em MG, no início da década de oitenta. Sou grato a Deus pela sua vida e ministério…

Lembre-se:
A sua responsabilidade, debaixo da graça e capacitação divina, é a de modo perseverante e confiante aplicar os princípios e as verdades divinas que tens ouvido (Fp. 2.12,13; 1 Tm. 4.7-9; Tg. 1.22-27). Ao meditar nesta mensagem, pergunte-se:
O que Deus quer transformar no meu modo de pensar e agir?
Como eu posso colocar isto em prática na minha vida?
Qual o primeiro passo que darei nessa direção (para que haja real transformação em minha vida)?

Conheça… Creia… Aproprie-se…E, pratique a verdade divina para que experimentes a vida plena que há em Jesus Cristo (Jo. 10.10; 8.24).

Bibliografia
Bíblia Sagrada, Almeida Século 21. Vida Nova: São Paulo, 2008
Bíblia de Estudo Shedd – JFA / SBB – Shedd, Russell. São Paulo: Ed. Vida Nova, anos 1980
J.I. Packer. O Antigo Testamento. SP: Ed. Fiel, 1986
J. Ridderbos. Isaías, Introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão e Vida Nova, 1986
Gleason L. Archer Jr., Merece Confiança o Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova
Strong’s Hebrew and Greek Dictionaries

Domingos Mendes Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil
16.05.2010

Last modified: January 30, 2025