Solidão – sem um consolador

Deus nos criou para a solidão, sim para nos relacionarmos com Ele e uns com os outros, e é no contexto de bons relacionamentos, que nos tornamos mais humanos, gente feliz e realizada.

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Mensagem Bíblica
Série Eclesiastes – “A Procura do Sentido da Vida”
4ª. Mensagem
Março de 2009
RAO,SP – Brasil
Domingos Mendes Alves

Solidão – sem um consolador, Eclesiastes 4.1-16

Ec 4.1 Depois volvi-me, e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol; e eis as lágrimas dos oprimidos, e eles não tinham consolador; do lado dos seus opressores havia poder; mas eles não tinham consolador. […] 9 Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. […] 12 E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.

Mensagem: Deus nos criou para a solidão, sim para nos relacionarmos com Ele e uns com os outros, e é no contexto de relacionamentos solidários, sadios e construtivos, que nos tornamos mais gente, e gente feliz e realizada.

Introdução
Recordando
Na 3ª. Mensagem – Tempo e Eternidade”, Ec 3, vimos que “Uma boa e sabia filosofia de vida é aquela que sob a capacitação do Espírito Santo nos conduz, no tempo presente, ao viver segundo a vontade de Deus, com a perspectiva eterna em Cristo Jesus – esperança da glória, 1 Pe 1.3-9.

O ser humano, criatura no tempo, e que anseia pela eternidade como vimos no capítulo 3 de Eclesiastes, foi criado por Deus para se relacionar… O capítulo 4 de Eclesiastes dá ênfase na angústia, no vazio da solidão, e na necessidade do companheirismo, dos bons relacionamentos, solidários, sadios e construtivos, para uma existência feliz e realizada.

Ec 4.1 “Depois voltei-me, e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol; e eis as lágrimas dos oprimidos, e eles não tinham consolador; do lado dos seus opressores havia poder; mas eles não tinham consolador”.

Salomão se coloca como testemunha ocular das pressões da vida, das injustiças nas relações humanas, da realidade e da dor da solidão – ao ponto de concluir que os mortos, e os que ainda não nasceram são mais felizes que os vivos, Ec 4.2,3.

Analisemos o texto bíblico, e as suas implicações para o nosso viver…
Marcas da solidão.

I. Marca – Pessoas ausentes na vida
Ec 4.1 Depois voltei-me, e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol; e eis as lágrimas dos oprimidos, e eles não tinham consolador; do lado dos seus opressores havia poder; mas eles não tinham consolador.
Ec 4.8 Há um que é só, não tendo parente; não tem filho nem irmão e, contudo, de todo o seu trabalho não há fim, nem os seus olhos se fartam de riquezas. E ele não pergunta: Para quem estou trabalhando e privando do bem a minha alma? Também isso é vaidade a e enfadonha ocupação.
“Há um que é só…” – um ser humano, uma pessoa que é só. Sem ninguém, sem amigos, sem parentes…
Este indivíduo trabalha para quem? Qual o fim do seu trabalho? Não encontra resposta – esta só! Isto é solidão. Não tem ninguém. Que angústia!

Ilustração – Livro, “Síndrome de Peter Pan”, p. 97.
Wendy: “onde você mora?” Peter: “com os meninos perdidos”. Wendy: “Quem são eles?” Peter: “são crianças que caem dos carrinhos de bebê, quando a babá não está olhando. Se ninguém reclama por eles em sete dias, são enviados para a terra do nunca. Eu sou o capitão… É, mas a gente é um pouco só”.
Um bebê abandonado… Um espírito destroçado… Os ventos da solidão o levam para longe… Os pedaços se espalham na terra do nunca… O menino tem medo de crescer… Tem as profundas marcas do abandono, da solidão…
Nesse contexto Tootles propõe: “Já que não posso ser nada de importante, algum de vocês gostaria de me ver fazer uma mágica?”.

II. Marca – Trabalho motivado pela competição, 4.4-8
Ele vê a inveja (gerando competição) como um dos maiores motivadores para o trabalho…
Dois caçadores de borboletas, na mata, encontraram um tigre. Um disse: “vamos correr”. O outro perguntou: “você acha que vai correr mais que o tigre?”. “Não. Mas, vou correr mais que você”, respondeu o primeiro.

“O esforço empenhado (trabalho) e o sucesso nas técnicas adquiridas (destreza), frequentemente escondem a ambição da riqueza, da liderança, do poder ou do status” (Michael Eaton).

O oposto do trabalho é a preguiça, vv. 5,6. Preguiça, que assim como o ativismo, não procede e nem tem a benção de Deus, e não gera satisfação e realização plena.

Há o trabalho pela sobrevivência… O trabalho como hobby… O trabalho como meio de realização… Mas, o quando trabalho é motivado pela mera competição, pela inveja, e que maquia (esconde / camufla) ambições e ou frustrações, é um trabalho que escraviza, cansa, estressa, destrói relacionamentos…

III. Marca – conflitos íntimos, loucura, 4.13-16.
Ec 4.13 “Melhor é o mancebo pobre e sábio do que o rei velho e insensato, que não se deixa mais admoestar”.
Pessoa que se fecha em si mesma – “não se deixa mais admoestar”. Ela é suficiente em si mesma, está só.

Pv 18.1 “Aquele que vive isolado busca seu próprio desejo; insurge-se contra a verdadeira sabedoria”.
Pv 18.2 “O tolo não toma prazer no entendimento, mas tão somente em revelar a sua opinião”.
Pv 26.12 Vês um homem que é sábio a seus próprios olhos? Maior esperança há para o tolo do que para ele.
Pessoas que se fecham em si mesmas, que já não ouvem os outros, tais pessoas vão ficando cada vez mais sozinhas… Vivem a loucura da auto-suficiência e do crescente isolamento, e como resultado da crescente solidão.

Já perceberam que um dos mais castigos em prisões etc., é a solitária. O isolamento total do indivíduo, isolamento dos outros, do mundo exterior – e como isso pode levar a loucura?

Conclusão
1. A solidão é uma das fontes universais do sofrimento humano.
Nós precisamos de momentos de solitude, de estarmos sós para meditação, descanso etc. Momentos de solitude nos ajudam de modo saído e construtivo no relacionamento com Deus e uns com os outros. Mas, solidão – ou seja, não ter ninguém, não ter amigos íntimos, não ter relacionamentos significativos e profundos – , é uma fonte de sofrimento e não faz parte do propósito de Deus para o ser humano.

Causas e efeitos
A solidão pode ter como causa:
– Social – modernidade ou pós modernidade, ativismo etc.;
– Psicológica / emocional / desenvolvimento pessoal – visão desequilibrada de si mesmo, atitudes negativas, medo etc.;
– Situacional – geografia, situação civil, idade, enfermidade etc.;
– Espiritual – rebelião e ou indiferença para com Deus, falta de relacionamento significativo e real com Deus, e com o próximo …

Alguns efeitos da solidão:
– desânimo; depressão; compulsão – comida, bebida, sexo; violência; suicídio; loucura; auto piedade etc.

Para vencer a solidão se faz necessário:
– Comunhão com Deus Pai, por meio da fé em Jesus Cristo – Senhor e Salvador, sob a liderança e capacitação do Espírito Santo;
– Visão correta de si mesmo, da sua identidade, e do propósito de vida, como fruto do relacionamento com Deus
– Relacionamentos profundos e significativos, como o próximo, a partir do lar, família na fé e na “carne e sangue ;
– Grupos de apoio, aceitação, encorajamento – família, igreja, amigos.

2. A solução divina
“Não é bom que o homem esteja só”, Gn 2.18.
Ec 4.9 “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho”.
a. Melhor serem dois, 4.9
Deus provê: família, Sl 68.6; amigos, Pv 17.17; Igreja – família de Deus, Hb 10.24,25; e outras pessoas que Ele coloca em nosso caminho – por vezes até desconhecidos, para nos mostrar que não estamos sós…
Há benção no companheirismo, na solidariedade – pois tem apoio quando “cair” (v. 10); empatia na adversidade, tentação e tristeza (v. 11); solidariedade na hostilidade (v. 12).

Mas, é melhor ainda quando Deus está presente – “cordão de três dobras”… Vamos incluir a Pessoa de Deus…

b. Melhor ainda serem três – Deus presente no relacionamento.
Ec 12.1 “Lembra-te também do teu Criador…”
Mt 28.20 ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
Jo 14.16-18 “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre, a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós”.
Hb 13.5,6 “Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei. De modo que com plena confiança digamos: O Senhor é quem me ajuda, não temerei; que me fará o homem?

Alguém já disse: “Pessoas precisam de Deus, pessoas precisam de pessoas”.

Você se lembra quando falamos sobre algumas causas da solidão? Mas como vencê-las?
– Social – modernidade ou pós modernidade, ativismo etc. – Como solucionar? Avalie seus valores, limites e prioridades;
– Psicológica / emocional / desenvolvimento pessoal – visão desequilibrada de si mesmo, atitudes negativas, medo etc. – Como solucionar? Ter a visão correta de si mesmo, e buscando vitória sobre as atitudes negativas e medos, a partir do relacionamento com Deus e da meditação da Bíblia, no contexto de relacionamentos com pessoas sérias com Deus;
– Situacional – geografia, situação civil, idade, enfermidade etc. – Como solucionar? Busque alternativas para vencer barreiras geográficas, seja proativo no desenvolvimento de relacionamentos começando com pessoas afins com você;
– Espiritual – rebelião e ou indiferença para com Deus, falta de relacionamento significativo e real com Deus, e com o próximo? Como solucionar? Arrependa-se dos seus pecados, e creia em Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, e Senhor de tua vida… Desenvolva intimidade com Deus, Jo 17.1-3; Sl 1; no Espírito viva sem medo a “regra áurea”, Mt 7.12; 1 Jo 4.7-21.

Deus nos criou para nos relacionarmos com Ele e uns com os outros, e é nesse contexto de relacionamentos solidários, sadios e construtivos, que nos tornamos mais gente, e gente feliz e realizada.

Lembre-se:
A sua responsabilidade, debaixo da graça e capacitação divina, é a de modo perseverante e confiante aplicar os princípios e as verdades divinas que tens ouvido (Fp. 2.12,13; 1 Tm. 4.7-9; Tg. 1.22-27). Ao meditar nesta mensagem, pergunte-se:
O que Deus quer transformar no meu modo de pensar e agir?
Como eu posso colocar isto em prática na minha vida?
Qual o primeiro passo que darei nessa direção (para que haja real transformação em minha vida)?

Conheça… Creia… Aproprie-se…E, pratique a verdade divina para que experimentes a vida plena que há em Jesus Cristo (Jo. 10.10; 8.24).
Nota: Os líderes dos Grupos Pequenos deverão elaborar perguntas relevantes, a luz desta mensagem, para uso nos encontros do GPs.

Bibliografia:
ARA – Armeira Revista Atualizada, Biblia Online
Nota: esta série de mensagem é de 2009, e na ocasião, por lapso, eu não fiz o devido registro bibliográfico. Mas, nos textos você vai encontrar referências, créditos a: A. W. Tozzer; Charles Ryrie; Howard Marshall; Michael A. Eaton (Eclesiastes e Cantares. Edições Vida Nova); Ralph Wardlaw … Há, também, nesta série de mensagens influências do Carlos O. PInto (Foco e Desenvolvimento do Antigo Testamento); Biblia de Estudo, MacArthur; Biblia de Estudo, Shedd; Bruce K. Waltke, Dicionário Bíblico Strong, Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong; Biblia Almeida Strong – online.

Domingos Mendes Alves
RAO,SP – Brasil, Fev. 2009
Texto revisado – 12.07.2023

Last modified: January 30, 2025