Mensagem Bíblica
Série Eclesiastes – “A Procura do Sentido da Vida”
1ª. Mensagem
Fevereiro de 2009
RAO,SP – Brasil
Domingos Mendes Alves
A vida que é fútil, Eclesiastes 1,2
Mensagem: A vida “debaixo do sol”, sem a visão e a participação do Deus Infinito e Pessoal, Criador dos céus e terra, é tolice, loucura – nada mais é do que uma cansativa rotina, com a busca da satisfação dos desejos, prazeres e realizações pessoais, tudo isso sem sentido e pleno de aflições!
Ec 1.1 Palavra do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém: 2 Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade. 3 Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?
Ec 2.17 Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento. 18 Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a quem viesse depois de mim.
Esboço:
Introdução
1. Autor
1.1, Palavra do “Pregador”, “Qohelet” …
O autor é Salomão, filho de Davi, rei de Jerusalém, aproximadamente no ano 935 a.C.
“Qohelet”, significa “ofício de pregador”, deriva-se da raiz “qanaz”, significa “convocar uma assembléia”, ou “dirigir a palavra a uma assembléia”.
“Eclesisates” é uma boa tradução deste termo, e se deriva de “ekklesia” que significa “assembléia”.
1 Rs 8.1ss Salomão reúne (‘QHL’) o povo de Israel para adoração, oração e instrução.
2. Propósito
Convencer os seres humanos da inutilidade de qualquer cosmovisão que não se levante acima do horizonte do próprio ser humano.
Neste livro temos, entre outros, a busca do sentido da vida…
Os adeptos da crença na teoria da evolução, do darwinismo, do “design cego”, creem que não vale à pena buscar o sentido da vida, pois não há sentido algum na vida!
Ilustração – Um avião estava perdido e não encontrava a rota. Há certo momento o comandante chama o comissário, e pede que avise aos passageiros: “Senhores e senhoras, comunicamos que estamos perdidos, mas pedimos que não entrem em pânico pois estamos no horário”.
O livro de Eclesiastes fala de ativismo, da aflição da vida sem a perspectiva de Deus, da visão da vida “abaixo do sol”. Um tema sempre atual…
Ec 1.2,3 Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?
A vida “debaixo do sol”, sem a visão e a participação do Deus Infinito e Pessoal, Criador dos céus e terra, é tolice, loucura – nada mais é do que uma cansativa rotina, com a busca da satisfação dos desejos, prazeres e realizações pessoais, tudo isso sem sentido e pleno de aflições!
Analisemos o texto de Ec., os desafios, e as implicações para o viver humano.
I. “Vaidade de vaidades”!
Nessa perspectiva a vida é “vaidade de vaidades” – “vaidade” aquilo que é vazio, sem valor permanente, que leva a frustração…
“Vaidade de vaidades”, “vaidade completa”, ‘hebel’. Inclui:
– Brevidade, e ausência, vazio, Jó 7.7-9, 16;
– Desconfiança e fraqueza, Sl 62.2, 3, 6, 9;
– Futilidade, Jó 9.29, “em vão”, “sem produzir efeito”;
– Engano, Jr 16.19; Zc 10.2.
Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho… – “proveito”, termo comercial… / “Trabalho”, labor físico, Sl 127.1; ou angústia mental, Sl 25.18. Ênfase – esforço humano…
Tudo é vaidade… Nada é digno de confiança… Nada é substancial… Nenhum esforço por si trará satisfação permanente.
As maiores alegrias são transitórias.
“Tudo”, literalmente “todas as coisas”…
A vida “debaixo do sol”, sem a visão e a participação do Deus Infinito e Pessoal, Criador dos céus e terra, é tolice, loucura – nada mais é do que uma cansativa rotina, com a busca da satisfação dos desejos, prazeres e realizações pessoais, tudo isso sem sentido e pleno de aflições!
Ec 1:4-18 “…Todas as coisas estão cheias de cansaço; ninguém o pode exprimir: os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? ela já existiu nos séculos que foram antes de nós… E apliquei o meu coração a inquirir e a investigar com sabedoria a respeito de tudo quanto se faz debaixo do céu; essa enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens para nela se exercitarem… Na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza”.
II. Ativismo e suas consequências.
Subjetivamente – condena todas as relações humanas; os valores da vida… Não há valor, não há significado…
Objetivamente – condena o rumo da natureza, mundo, e história. Há um ciclo repetitivo, não há uma razão de ser, fazer, ter…
Ontologicamente – roubou os valores da de sua própria existência… 2.2 “ Do riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve estar”; 3.9 “ Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?”;
– perdeu o sentido da sabedoria e do conhecimento, 1.17, 18 “E apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras; e vim a saber que também isso era desejo vão. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza”.
O ativismo torna o amor – mercado; a fé – programa; Deus – meio para vantagens religiosas e ou pessoais, para busca do sucesso…
Nesse mundo “abaixo do sol” a existência só tem sentido no ativismo, na busca do sucesso…
III. A busca do sucesso é cativante, mas perigosa
– Sucesso (“chegar lá”) por si só traz uma momentânea e aparente auto-satisfação, mas rouba a perspectiva do outro;
– Sucesso por si só traz momentânea e aparente auto-suficiência, mas rouba a dependência de Deus;
– Sucesso por si só nos afadiga, estressa, adoece…
– Sucesso por si só nos insensibiliza, nos leva a perder contato com o simples…
– Sucesso por si só nos torna megalômanos, não nos contentamos mais com o pouco e o simples…
Essa é a busca do sucesso pelo sucesso, a qualquer preço, com uma visão “debaixo do sol”, ou “debaixo do céu”, ou seja, sem a visão e participação de Deus…
Na cultura contemporânea Deus não existe como base da crença, comportamento, decisões, valores, cultura…
“Secularismo”, filosofia de que a vida pode ser compreendida simplesmente em termos de aqui e agora. Deus é colocado de lado, ignorado…
– O secularismo teórico afirma: “Não há Deus”, logo nada tem sentido, tudo é válido…
– O secularismo pragmático afirma: “Não me preocupo com Deus, sou indiferente”.
Ec 1.3 Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?
1.13 E apliquei o meu coração a inquirir e a investigar com sabedoria a respeito de tudo quanto se faz debaixo do céu; essa enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens para nela se exercitarem. 14 Atentei para todas as obras que se e fazem debaixo do sol; e eis que tudo era vaidade e desejo vão.
Conclusão
O autor alerta para a necessidade de uma cosmovisão que reconhece Deus como o valor supremo, e que a vida só tem significado e satisfação real quando é dedicada a Sua adoração e serviço.
Ec 2.24 Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer que a sua alma goze do bem do seu trabalho. Vi que também isso vem da mão de Deus.
Ec 2.26 Porque ao homem que lhe agrada, Deus dá sabedoria, e conhecimento, e alegria…
Ec 12.13 Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem.
A vida é estéril quando não há fé verdadeira e prática em Deus.
Salomão trata de fatos reais da vida, fatos observados universalmente. Diante de tais fatos há uma questão: é possível vivermos com os fatos reais da vida sem a fé verdadeira e prática no Deus Único, Criador, Infinito e Pessoal?
Salomão revela os limites do ser humano e todos os seus recursos, desconstruindo todas as formas de auto-satisfação, autoconfiança e auto-suficiência.
Somos desafiados a “temer a Deus”.
Ec 3.14 Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe pode acrescentar, e nada se lhe pode tirar; e isso Deus faz para que os homens temam diante dele.
Ec 5.7 Porque na multidão dos sonhos há vaidades e muitas palavras; mas tu teme a Deus.
Ec 8.12 Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, contudo eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus, porque temem diante dele; 13 ao ímpio, porém, não irá bem, e ele não prolongará os seus dias, que são como a sombra; porque ele não teme diante de Deus
Ec 12.13 Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem. 14 Porque Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.
Segundo a W. Tozzer “temer a Deus” abrange: conhecer, crer / confiar, amar, obedecer e servi-Lo. Conhecemos a Deus Pai, por meio da criação, da Bíblia e de Jesus Cristo – Senhor e Salvador, pela iluminação do Espírito Santo…
“Temer a Deus” é o princípio da sabedoria, alegria, satisfação e de uma vida plena de sentido, significado e propósito.
A vida “debaixo do sol”, sem a visão e a participação do Deus Infinito e Pessoal, Criador dos céus e terra, é uma bobagem – nada mais é do que uma cansativa rotina, com a busca da satisfação dos desejos, prazeres e realizações pessoais, tudo isso sem sentido e pleno de aflições!
Lembre-se:
A sua responsabilidade, debaixo da graça e capacitação divina, é a de perseverante e confiantemente aplicar os princípios e as verdades divinas que tens ouvido (Fp. 2.12,13; 1 Tm. 4.7-9; Tg. 1.22-27). Ao meditar nesta mensagem, pergunte-se:
O que Deus quer transformar no meu modo de pensar e agir?
Como eu posso colocar isto em prática na minha vida?
Qual o primeiro passo que darei nessa direção (para que haja real transformação em minha vida)?
Conheça… Creia… Aproprie-se…E, pratique a verdade divina para que experimentes a vida plena que há em Jesus Cristo (Jo. 10.10; 8.24).
Nota: Os líderes dos Grupos Pequenos deverão elaborar perguntas relevantes, a luz desta mensagem, para uso nos encontros do GPs.
Bibliografia:
ARA – Armeira Revista Atualizada, Biblia Online
Nota: esta série de mensagem é de 2009, e na ocasião, por lapso, eu não fiz o devido registro bibliográfico. Mas, nos textos você vai encontrar referências, créditos a: A. W. Tozzer; Charles Ryrie; Howard Marshall; Michael A. Eaton (Eclesiastes e Cantares. Edições Vida Nova); Ralph Wardlaw … Há, também, nesta série de mensagens influências do Carlos O. PInto (Foco e Desenvolvimento do Antigo Testamento); Biblia de Estudo, MacArthur; Biblia de Estudo, Shedd; Bruce K. Waltke, Dicionário Bíblico Strong, Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong; Biblia Almeida Strong – online; e, na 1a. & 2a. Mensagens há notas (adaptadas) de um estudo do Ricardo Gondim (o, “então” Gondim, e escrevo com respeito), num retiro da SEPAL, Brasil, se não me engano entre 2005-2008.
Domingos Mendes Alves
RAO,SP – Brasil, Fev. 2009
Texto revisado – 26.06.2023
Viseu, Portugal
Last modified: January 30, 2025