Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
6a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 09.04.2002
Orando segundo Jesus Cristo, Lucas 11.1-8; 18.1-14
Mensagem: Na vida do Reino a oração é de fundamental importância para crescer no conhecimento de Deus, para manter comunhão com Ele e para que dependentes do Seu poder e graça vivamos de modo bem sucedido.
Esboço:
Introdução
Aprendendo a orar
No Evangelho de Lucas, diversas vezes encontramos citações a ‘oração’, e de modo especial a Jesus orando – Lc 3.21; 5.16; 6.12; 9.18, 28,29; 10. 21,22; 11.1; 22.41ss; 23.46.
No mesmo Evangelho encontramos três parábolas que falam sobre oração e que nos ensinam a orar segundo Jesus Cristo.
Na época de Jesus, líderes ensinavam os seus discípulos a orar, assim como o fez João Batista…
E, os discípulos de Jesus Cristo – “Certo dia Jesus estava orando em determinado lugar… Um dos seus discípulos lhe disse: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele”, Lc 11.1
Tal pedido revelava:
– O desafio proveniente da vida de Jesus e Seu hábito de orar;
– A humildade dos discípulos ao reconhecer que precisavam aprender a orar.
Diante de tal pedido Jesus respondeu: “Quando vocês orarem, digam: “Pai! Santificado, seja o teu nome, venha o teu reino…”
A oração padrão de Jesus nos ensina que:
Orar é entrar na presença de Deus Pai
Lc 11.2, Pai, ‘abba’ – modo como uma criança se dirigia ao seu pai humano; e, falar com Ele, numa atitude de reverência e sujeição a Sua vontade (Nos tornamos filhos de Deus ao crer em Jesus Cristo… Jo 1.12).
Lc 11.2, santificado seja o teu nome, venha o teu reino – Aquele que ora deve reconhecer que Deus deve ser reverenciado.
Lc 11.3 o pão nosso cotidiano, dá-nos de dia em dia – Aquele que ora deve ter confiança que Deus diariamente supre as suas necessidades; Lc 11.4 perdoa-nos … não nos deixes cair em tentação – que Ele é misericordioso para perdoar, e dEle deve depender para perdoar os outros, e ter vitória nas fraquezas e na luta contra o pecado.
Após esta oração modelo Jesus contou a parábola do amigo que procurou outro a meia noite, para lhe pedir emprestado três pães. O amigo embora já no conforto e no descanso do seu lar, acabou atendendo o pedido não tanto pela amizade mas muito mais para não ser importunado – Lucas 18 Ele contou a parábola de uma viúva que recorreu a um juiz injusto para que ele julgasse a sua causa. E a viúva foi atendida por causa da sua insistência. Logo após em Lucas 18. 9-14, Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano tendo em vista “alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros” (v. 9 ).
Estas parábolas nos ensinam as seguintes verdades sobre a vida de oração:
I. É importante e necessário pedir (orar)
Assim como o amigo foi até o outro pedir e teve seu pedido atendido, também devemos buscar a Deus em oração
Lc 11.9 ,14
– Peçam e lhes será dado
– Busquem e encontrarão
– Batam e encontrarão…
Tiago nos alerta que quando pedimos mal Deus não atende a nossa oração – “… pedir por motivos errados, para gastar em seus prazeres”.
João em 1 Jo 5.14,15 escreveu “… se pedirmos alguma coisa de acordo com a vontade de Deus, ele nos ouvirá. E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos”. João condiciona o pedir segundo a vontade de Deus para sermos ouvidos e atendidos.
Jesus Cristo nos ensinou a pedir em Seu Nome – “O que vocês pedirem em meu nome, eu farei”, Jo 14.14; 15.16; 16.24. Não há nenhum versículo na Bíblia que faça qualquer menção a orar em nome de Maria ou de qualquer outra pessoa. Temos que orar em Nome de Jesus Cristo. ‘Nome’ refere-se a totalidade do caráter de Cristo, e a suficiência de sua Pessoa e Obra (morte pelos pecados e ressurreição) na mediação perante Deus Pai.
Tendo em vista a necessidade de pedir bem, segundo a vontade de Deus e em Nome de Jesus Cristo, o ensino de Jesus é: peçam, busquem e batam.
II. Perseverar em oração é demonstração de fé
A parábola da viúva diante do juiz nos ensina outro princípio sobre a oração que é o da perseverança, a importância de não desanimar, de não desistir.
“Então Jesus contou aos seus discípulos uma parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar”, Lc 18.1
Quando temos algo para pedir, para interceder diante de Deus, nós devemos fazer “dia e noite” até Deus responder.
“Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: Ele lhes fará justiça, e depressa…”.
Como facilmente desistimos diante de situações onde Deus parece demorar em atender.
Perseverar demonstra fé, confiança em Deus – “… Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?”
‘Fé’ é confiança em Deus e na Sua Palavra. Abraão, Romanos 4, creu que Deus era poderoso para cumprir o que havia prometido.
Ore com fé e perseverança sabendo que Deus responderá, e sua resposta poderá ser “sim” ou “não”. Seja qual for, será o melhor para nós como demonstração do Seu grande amor e poder.
Ele poderá dizer “sim”, como no caso de Jabez que pediu a Deus: “Ah, abençoa-me e aumente as minhas terras! Que a tua mão esteja comigo, guardando-me de males e livrando-me de dores”. E Deus atendeu ao seu pedido”, 1 Cr 4.9,10.
Deus também poderá dizer “não”, como no caso de Paulo – “Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza…””, 2 Co 12.7-9.
III. A oração deve proceder de um coração humilde
A parábola do fariseu (homem religioso) e do publicano (cobrador de impostos, e visto como ‘pecador’ pelos fariseus e judeus), foi citada por Jesus por causa de “alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros”, Lc 18.9.
O fariseu com uma atitude soberba e de auto confiança diz que não vivia roubando, adulterando e nem corrompendo. E que jejuava e dava o dízimo, Lc 18.10-12.
O que ele fazia estava correto, procurando inclusive fazer mais do que a lei exigia. No entanto seu erro estava em confiar em si mesmo, em seus méritos e obras pessoais, em abrigar orgulho no coração e ter uma atitude de superioridade e de desprezo para com os outros.
Não havia nele humildade, nem consciência do pecado e da sua necessidade de Deus. E, isto o tornava condenado e rejeitado na presença de Deus “pois quem se exalta será humilhado…”, Lc 18.14.
A semelhança do fariseu quantas vezes não corremos o perigo de achar que Deus vai responder as nossas orações porque somos mais justos que os outros e/ou por causa das coisas que fazemos no contexto religioso. Puro engano e tolice!
Mas, o publicano teve uma atitude oposta a do fariseu. Ele agiu com humildade, não tendo coragem de erguer os olhos para os céus. Manifestou tristeza ao bater no peito, e seu único pedido era “Deus tem misericórdia de mim, que sou pecador”, Lc 18.13. Ele suplica ‘hilastheti’, significando que Deus removesse a sua ira. Ele reconhece-se pecador, digno da ira de Deus e clama pela misericórdia e o perdão divino.
Com resultado da sua atitude sua oração foi ouvida, atendida e achou o perdão divino, “…. foi para casa justificado diante de Deus… Pois quem se humilha será exaltado”, Lc 18.14.
É como a mesma atitude do publicano que devemos entrar na presença de Deus.
O apóstolo Pedro escreveu: “… “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graças aos humildes”. Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês”, 1 P 5.5-7.
A oração de Daniel, registrada em Daniel 9, nos revela esse exemplo de humildade quando ele diz: “… Não te fazemos pedidos por sermos justos, mas por causa da tua grande misericórdia…”, v. 18.
Será que não temos tido respostas as nossas orações, por que temos orado confiados na nossa justiça, nos nossos méritos, ou por que nos achamos mais dignos e merecedores do que os outros? Se é for a nossa postura devemos reconhecer como pecado, nos arrepender e voltar para Deus em humildade.
IV. Deus dá boas dádivas a quem busca
Estas parábolas nos revelam que Deus dá boas dádivas a quem ora, a quem pede.
“Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos céus dará o Espírito Santo a quem o pedir!”, Lc 11.13
Na parábola de Lucas 18, podemos perceber que se um juiz injusto que não temia a Deus e nem se importava com o homens, pode fazer o bem, “Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: Ele lhes fará justiça, e depressa…”, vv. 7,8.
Com certeza a maior benção é a doação do Espírito Santo, o que garante que somos pertencentes a Deus e somos herdeiros da vida eterna em Cristo Jesus.
Lucas 11.13, faz menção a ‘pedir’ o Espírito Santo! O que naquele contexto era natural pois o Espírito Santo da promessa ainda não havia sido dado.
Conforme o Evangelho de João, capítulo 7.37-39, até aquela altura o Espírito Santo ainda não havia sido dado, pois Jesus ainda não havia sido glorificado. Essa mesma passagem esclarece que a condição básica para receber o Espírito Santo era crer em Jesus Cristo.
Pedro em Atos 2, no dia de Pentecostes revela que o Espírito Santo foi dado, pois Jesus após a Sua ressurreição foi glorificado, tendo subido aos céus e assentando-se a direita do Pai.
O apóstolo Paulo em Efésios 1.13,14 nos ensina que aquele que ouve o Evangelho de Jesus, a palavra da verdade, e crê, é selado com o Espírito Santo.
O mesmo Paulo em Romanos 8, um dos capítulos que mais menções faz ao Espírito Santo, deixa claro que quem tem o Espírito é de Cristo, e quem não tem o Espírito não é de Cristo. E ele continua “… da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”, v.26.
O Deus que nos dá Seu Filho e nos dá o Espírito Santo, com certeza tem prazer em nos abençoar e atender as nossas orações conforme a Sua vontade.
Ao nos aproximarmos de Deus devemos crer que Ele existe e galardoa aqueles que O buscam (Hb 11.6).
Conclusão
Desafio:
– Ore (faça uma lista de oração com motivos de agradecimento; com pedidos pessoais e em favor de outros e da igreja etc.)
– Persevere em oração até Deus responder – “sim” ou “não”.
– Seja humilde e confie na misericórdia de Deus
– Confie que Deus tem prazer em dar sempre o melhor – se você crê em Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, louve a Deus pelo dádiva do Espírito Santo. Espírito, que é Deus e o ajuda em todas as coisas inclusive na vida de oração.
Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 09.04.2002
Last modified: January 30, 2025