O trabalhador no qual Deus confia

O discípulo de Cristo deve reconhecer que a vida, os recursos e as oportunidades são dadas por Deus, e que com fidelidade e diligência devem ser colocadas ao Seu serviço.

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Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
9a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 09.06.2002

O trabalhador no qual Deus confia, Mateus 25.14-30

Mensagem: O discípulo de Cristo deve reconhecer que a vida, os recursos e as oportunidades são dadas por Deus, e que com fidelidade e diligência devem ser colocadas ao Seu serviço.

Esboço:

Introdução
na “parábola dos talentos”, Mateus 25.14-30, estaremos refletindo sobre a nossa vida, as oportunidades e os recursos que Deus nos concede para O servirmos.

O discípulo de Cristo deve reconhecer que a vida, os recursos e as oportunidades são dadas por Deus, e que com fidelidade e diligência devem ser colocadas ao Seu serviço.

Discípulos que agem de tal maneira são trabalhadores, servos nos quais Deus confia, e para os quais Ele concederá uma maior esfera de ação, mais recursos e oportunidades de serviço. Tais servos têm a alegria e a certeza da aprovação do Senhor e a certeza das recompensas celestiais.
Vejamos os versículos-chave nesta parábola:
– “… Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor”, Mt 25.21,23.
– “Pois a quem tem, mais lhe será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado”, Mt 25.29

A parábola (Mateus 25.14-30)
Jesus fala sobre um homem que ao sair de viagem chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. Os talentos (cada talento equivalia a 30/35 quilos de prata), ou seja os bens pertenciam ao senhor e deviam ser usados no interesse dele.
A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um. Ele deu a cada um de acordo com a sua capacidade.
O que recebeu cinco imediatamente aplicou… O que recebeu dois, também aplicou…
Um dia o senhor voltou e os servos tiveram que prestar contas do que lhes foi confiado, nem mais nem menos. O que recebeu cinco, apresentou mais cinco; e o que recebeu dois, apresentou mais dois. Ambos foram empreendedores e bem sucedidos. Houve da parte deles fidelidade e resultados no uso do que lhes foi concedido.
Assim; ouviram por parte do senhor: “… Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor”, vv. 21,23.

“Mas”, v.18 – este “mas” nos revela que alguém não foi fiel e não alcançou os resultados esperados pelo senhor. Alguém que foi chamado de mau servo e de inútil.
O que havia recebido um talento, ao prestar contas disse: “Eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e junta onde não semeou. Por isso, tive medo, sai e escondi o seu talento no chão. Veja, aqui está o que lhe pertence! O senhor respondeu: ‘Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei? Então você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros’ “.
O servo havia feito uma acusação falsa, mas ainda assim o senhor o confronta dizendo que se aquilo era verdade, então o servo deveria ter tomado as providências necessárias para dar o retorno que o senhor esperava.
Mas, ele enterrou o seu talento tratando-a como coisa morta.
Por causa de seu julgamento, do medo e negligência aquele servo ouviu por parte do senhor: “Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez. Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas quem não tem, até o que tem lhe será tirado. E lancem fora o servo inútil, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”, vv. 28-30.
O senhor revela que ele amplia a esfera de ação, e concede mais oportunidades e recursos ao que lhe é fiel. A vida, os recursos e as oportunidades que Deus nos dá, são ampliadas quando somos fiéis e produzimos frutos segundo a Sua vontade. No entanto, ao servo inútil até o pouco que tem lhe é tirado e recebe sobre si a condenação do senhor.

Gostaria de citar duas outras parábolas que reforçam este ensino.
– Uma é a “parábola das minas”, Lucas 19.12-27. Esta parábola está relacionada com a “parábola da das dez virgens”, e combate a idéia de que Jesus estava na iminência de instalar Seu Reino aqui na terra. A parábola nos alerta de que Jesus voltará e devemos estar preparados para o encontro com Ele, quando então prestaremos contas do que nos foi confiado.
– A outra parábola é a do “administrador astuto e infiel”, Lucas 16.1-9. A semelhança do filho pródigo, este administrador desperdiçou os bens. Ao perceber que ia ser despedido pelo seu senhor, ele elaborou uma estratégia para fazer amigos e depois ser recebido na casa deles. A estratégia foi a de reduzir o valor da dívida, que os devedores tinham para com o seu senhor. Jesus elogiou a atitude dele, dizendo que os filhos deste mundo são mais astutos que os filhos da luz. Aqui Jesus não esta elogiando a desonestidade daquele administrador, mas sim a astúcia dele em usar oportunidades presentes para ter garantias futuras, na hora da necessidade. Da mesma maneira, o filho da luz, o discípulo de Cristo deve usar as oportunidades presentes para garantias eternas.
Os filhos do mundo, com a sua mentalidade mundana usam as “riquezas”, v.9, ‘mammon’ – dinheiro e posses materiais, para alcançarem alvos mundanos. Os discípulos de Cristo devem ser sábios em usar a vida, os recursos e as oportunidades para alcançar alvos espirituais e garantir os galardões celestiais.

Com base nestas parábolas podemos mencionar algumas das características do trabalhador, do servo em quem Deus confia:

I. Ele é servo e administrador dos bens do Senhor
A vida, as oportunidades e os recursos são dados por Deus e devem ser usados segundo a Sua vontade.
Se cremos em Cristo somos servos de Deus e devemos reconhecer que “…dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém” (RM 11.36)
“… Cristo morreu e voltou a viver, para ser Senhor de vivos e mortos… Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (RM 14.7-12).
Assim vivamos numa atitude de entrega e submissão total a Deus… Vivamos como servos e administradores, com uma atitude de gratidão por tudo que Deus nos concede.

II. Ele é empreendedor e bem sucedido
Debaixo da graça e no pode de Deus ele é fiel e diligente, e obtém os resultados que Ele espera e que alegram o Seu coração.
“Portanto, que todos nos considerem como servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus. O que se requer destes encarregados é que sejam fiéis” (1 Coríntios 4.1,2).
“… pela graça de Deus, sou o que sou, e sua graça para comigo não foi inútil; antes, trabalhei mais do que todos eles; contudo, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Coríntios 15.10).
Sejamos diligentes e fiéis no pouco e nós participaremos da alegria do Senhor (a alegria de ver os interesses e os resultados do Senhor serem alcançados – exemplo, Seu Nome sendo conhecido e glorificado; vidas sendo em Cristo salvas da condenação eterna; vidas sendo transformadas, edificadas etc.); e Ele nos confiará muito mais (mais plenitude de vida e uma maior esfera de ação; mais oportunidades e mais recursos – e tudo isto se aplica na vida familiar, acadêmica, profissional, na igreja, na sociedade etc.; e com relação ao conhecimento, aos dons espirituais, as capacidades concedidas, as posses materiais, as oportunidades de investimento em vidas etc.).

III. Ele é sábio e prudente
Ele faz bom uso da vida, oportunidades e recursos presentes para garantir tanto uma maior esfera de ação e mais oportunidades e recursos no presente, como também para garantir a recompensa celestial na eternidade.
“Deus não é injusto; ele não se esquecerá do trabalho de vocês e do amor que demostraram por ele, pois ajudaram os santos e continuam a ajudá-los. Queremos que cada um de vocês mostre esta mesma prontidão até o fim, para que tenham a plena certeza da esperança, de modo que vocês não se tornem negligentes, mas imitem aqueles que, por meio da fé e da paciência, recebem a herança prometida” (Hb 6.10-12).
“Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos. Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor. Por isso, temos o propósito de lhe agradar, quer estejamos no corpo, quer o deixemos. Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más” (2 Co 5.7-10).
Sejamos sábios e prudentes… Invistamos tendo em vista a prestação de contas que daremos ao Senhor, a comunhão e os benefícios eternos.

Conclusão

Reverendo Thompson, um antigo professor do então Instituto Bíblico, hoje Seminário Bíblico Palavra da Vida, Atibaia – SP, Brasil, contou que um dia ao se encontrar com Belini, capitão da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo de 1958 na Suécia, perguntou-lhe qual havia sido seu maior momento de glória. Ao que Belini respondeu, que havia sido quando foi campeão do mundo e ao receber a taça ouviu do rei da Suécia: “Muito bem, capitão”.
Vivamos de tal maneira que possamos ouvir do Rei dos reis:
“… Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor”, Mt 25.21,23.

O discípulo de Cristo deve reconhecer que a vida, os recursos e as oportunidades são dadas por Deus, e que com fidelidade e diligência devem ser colocadas ao Seu serviço.

Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.

Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 09.06.2002

Last modified: January 30, 2025