Graça irrestrita

A graça irrestrita de Deus garante a comunhão com Ele e a vida eterna, a todo aquele que se arrepende dos seus pecados e crê em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador.

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Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
11a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 27.06.2002

Graça irrestrita, Lucas 14.15-24

Mensagem: A graça irrestrita de Deus garante a comunhão com Ele e a vida eterna, a todo aquele que se arrepende dos seus pecados e crê em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador.

Esboço:

Introdução
O anseio pela eternidade
“… Tenho visto o fardo que Deus impôs aos homens. Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus faz”, Ec 3. 10,11.
Por mais que o homem tente ignorar, ele tem em seu coração o anseio pela eternidade, e com isto deveria se preocupar. Tal anseio foi colocado por Deus, como um dos instrumentos para que ele se lembre e se volte para o Criador.
No texto de Lucas 13, texto este que nos dá o contexto da parábola do “Grande banquete”, encontramos uma pergunta que nos revela uma preocupação com a eternidade – “Senhor, serão poucos os salvos?”, v. 23.
“Quem entrará no Reino de Deus?”; “O que fazer para herdar a vida eterna?”, perguntas como estas nos revelam uma preocupação com a salvação eterna, com a eternidade. Lembre-se, numa boa perspectiva de vida o momento presente é vivido sob o foco da eternidade em plena comunhão com Deus.
E, quando falamos no desfrutar da comunhão com Deus no presente e na eternidade, temos de falar da “graça irrestrita”. Graça, que é fruto do Seu amor e misericórdia, vindo de encontro ao ser humano pecador… Graça, que livra da ira divina, da condenação eterna e concede o dom da vida eterna, o perdão dos pecados a adoção de filho, …, ao que, movido pelo Espírito Santo, se arrepende do pecado e crê em Jesus Cristo (na Sua morte pelos pecados e na Sua ressurreição dentre os mortos) – como único e suficiente Senhor e Salvador. Graça que, pelo evangelho de Cristo, chama e dá acesso a presença de Deus, a plena comunhão com Ele.

A graça irrestrita de Deus garante a comunhão com Ele e a vida eterna, a todo aquele que se arrepende dos seus pecados e crê em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador.

O convite da “graça” – O grande banquete, Lucas 14.15-24

O contexto desta parábola.
Em Lc 13.26, temos a pergunta: “Senhor, serão poucos os salvos?
Jesus não respondeu diretamente, mas disse que eles deveriam se assegurar de que estariam entre os salvos, vv. 24,25.
Jesus disse: “Esforcem-se para entrar pela porta estreita…”, v. 24. A palavra “esforcem-se”, revela uma ação feita de todo o coração; era também usada para a competição em jogos, e o esforço do atleta para vencer; revela ainda a atitude mental de uma busca sincera e diligente.
A “porta estreita”, conforme Mt 5.13,14 é a “… porta que leva à vida! São poucos que a encontram”.

O texto, ainda, nos revela que há um tempo limitado, pois um dia a porta se fechará e os que ficarem de fora em vão tentarão entrar, vv. 24,25.
Is 55.6,7: “Busquem o Senhor enquanto é possível achá-lo; clamem por ele enquanto está perto. Que o ímpio abandone o seu caminho, e o homem mau, os seus pensamentos. Volte-se ele para o Senhor, que terá misericórdia dele; volte-se para o nosso Deus, pois ele dá de bom grado o seu perdão”.
Para os que não entrarem haverá choro e grande decepção – “… há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”, v. 30 – uma referência a “judeus” (primeiros) e “gentios – não judeus” (últimos).
Alguns dirão para Jesus: “Comemos e bebemos contigo…”, v. 26. Alegarão terem tido comunhão com Ele. Mas, mesmo que tivessem tais privilégios eles estavam fora da graça divina, não ocupariam “… lugares à mesa no Reino de Deus”, v. 29. Pois a semelhança de Jerusalém, e de seus líderes religiosos, haviam rejeitado Jesus Cristo, o Messias, não haviam se arrependido dos seus pecados e viviam na prática da iniquidade – “Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês que praticam o mal”, 13.17.

Jesus estava falando sobre o “banquete escatológico”, aquele que Apocalipse 19.9, revela como sendo “as bodas / o casamento do Cordeiro”, e felizes serão os que dele participarem.

Em Lc 14.1, nós encontramos Jesus Cristo entrando para comer na casa de um dos principais fariseus, um homem importante em seu contexto social e religioso.
A cena nos mostra um banquete formal. Durante a refeição Jesus curou um homem, revelando que atos de misericórdia não eram violações da lei de guardar o Sábado (algo que deve ter incomodado muito os fariseus, religiosos zelosos meramente pelos aspectos formais da lei, cf. Mateus cap. 15 e cap. 23). Posteriormente, ao reparar que as pessoas que chegavam ao Banquete escolhiam ao lugares de honra, Jesus ensinou que no Reino de Deus é necessário ser humilde para que seja exaltado, pois “… todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado”, v. 11.
Em seguida Jesus virou-se para aquele que o tinha convidado e diz que quando der um banquete não convide as pessoas que podem retribuir o convite. Mas, deveria convidar os “pobres, aleijados, mancos e cegos”, pessoas que não tinham como retribuir ao convite. Aí Jesus conclui “Feliz será você, porque estes não têm como retribuir. A sua recompensa virá na ressurreição dos justos”, v. 14.
“Ao ouvir isso, um dos que estavam à mesa com Jesus, disse-lhe: “Feliz será aquele que comer no banquete do Reino de Deus”, 14.15.

O contexto e a parábola nos transmitem as seguintes lições:

I. Precisamos assegurar nossa participação no banquete celestial, Lc 14.14,15; Ap 19.9
Jesus disse: “Esforcem-se para entrar pela porta estreita…”, v. 24. A palavra “esforcem-se”, revela uma ação feita de todo o coração; era também usada para a competição em jogos, e o esforço do atleta para vencer; revela ainda a atitude mental de uma busca sincera e diligente.
Temos o exemplo do jogador Ronaldo, o “Fenômeno”, da Seleção Brasileira de Futebol, que durante dois anos e meio lutou contra problemas no joelho, tendo como alvo e desafio a participação na Copa do Mundo de Futebol. E podemos ver durante a campanha da conquista do penta, pela Seleção Brasileira, que todo o esforço de Ronaldo valeu a pena.

A “porta estreita”, conforme Mt 5.13,14 é a “… porta que leva à vida! São poucos que a encontram”. É a porta do discipulado, citado em Lc 14. 25-27, e o preço da renuncia pessoal e da obediência. Preço que poucos querem pagar.
O texto nos revela ainda que há um tempo limitado, pois um dia a porta se fechará e os que ficarem de fora em vão tentarão entrar, vv. 24,25.
Is 55.6,7: “Busquem o Senhor enquanto é possível achá-lo; clamem por ele enquanto está perto. Que o ímpio abandone o seu caminho, e o homem mau, os seus pensamentos. Volte-se ele para o Senhor, que terá misericórdia dele; volte-se para o nosso Deus, pois ele dá de bom grado o seu perdão”.
“Feliz será aquele que comer no banquete no Reino de Deus”, 14.15.
“… Felizes os convidados para o banquete do casamento do Cordeiro…”, Ap 19.9.

Na parábola de Mateus 22.1-14, encontramos alguém que foi expulso do banquete porque não estava com as “vestes nupciais”. E em Apocalipse 3.5, e 7.14,15, lemos : “O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida…”; “… Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Por isso eles estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite em seu santuário…”.
Assegure sua participação no “banquete celestial”, arrependendo-se dos seus pecados e crendo em Jesus, o Cordeiro de Deus, como seu único e suficiente Salvador pessoal.

II. Precisamos reconhecer que as desculpas humanas rejeitando o convite, trarão sobre si a ira e a condenação divina, Lc 14.16-20, 24; 13.23-30, 34.
Na época de Jesus a pessoa que era convidada para um banquete recebia dois convites. O primeiro, v. 16, onde a pessoa confirmava a sua presença. Assim, a festa era preparada levando-se em conta o número de pessoas que haviam aceito o convite. O segundo convite, v. 17, era feito quando a festa já estava pronta. No v.17, a palavra “venham” nos transmite a idéia de que “continuem vindo”, pois eles haviam iniciado com a aceitação do convite para a festa.
Assim, os convidados ao serem avisados de que tudo estava pronto, deveriam comparecer pois a ausência seria falta de respeito e de consideração para com aquele que os havia convidado.
Mas, aconteceu o inesperado, pois todos começaram a dar desculpas para não comparecer ao banquete. No oriente uma desculpa de última hora, era algo de mau gosto e uma rude afronta ao hospedeiro.
Vejamos as desculpas que foram dadas:
– A primeira desculpa está no v. 18 – “Acabei de comprar uma propriedade, e preciso ir vê-la…”. Que desculpa mais sem graça! Ninguém comprava uma propriedade sem conhecê-la primeiro, e sem discutir a respeito da compra. O contrato mencionava com detalhes sobre quem eram os antigos donos e sobre tudo o que havia na propriedade. Assim, o contrato não era fechado sem que o comprador conhecesse primeiro o que estava adquirindo.
Além disso, ele poderia ver a propriedade em outro dia e hora, sem que deixasse de participar do banquete. Concluímos que para ele a propriedade era mais importante do que o banquete, e do que a comunhão e a amizade com quem o havia convidado.
– A segunda desculpa está no v. 19 – “Acabei de comprar cinco juntas de bois e estou indo experimentá-las…”. Esta desculpa tem as mesmas implicações que a primeira, ao comprar algo sem ver e sem testar, assim como poderia ser feito em outra hora e dia. Concluímos que para ele, os seus negócios eram mais importantes do que o banquete, e do que a comunhão e a amizade com quem o havia convidado.
– A terceira desculpa está no v. 20 – “Acabo de me casar, e por isso não posso ir”. Por que o casamento foi marcado na mesma data do banquete? Não poderia participar do banquete, mesmo que fosse por algumas horas? Concluímos que, também, para ele o banquete, a comunhão e a amizade com quem o havia convidado não eram importantes..

O que chama a atenção nestas desculpas é que em todas elas os motivos apresentados eram inaceitáveis e não eram razões suficientes para a recusa para não participarem do banquete, causando assim grave ofensa a quem os havia convidado.
Jesus Cristo tinha em mente a nação de Israel e todos os líderes religiosos que os estavam rejeitando como o Messias, o Salvador. Hoje, devemos ter em mente todos aqueles que dizem crer, dizem conhecer Jesus, mas arranjam desculpas para não terem uma significativa e profunda comunhão com Ele e o Seu povo – a Igreja.
Tal rejeição atrai a ira e a condenação divina.
Diante da desculpas “… o dono da casa irou-se…”, 14.21.
“… Não os conheço, nem sei de onde são vocês”, 13.25; “… afastem-se de mim todos vocês que praticam o mal! Ali haverá choro e ranger de dentes…”, 13.27,28.

A rejeição da graça divina resulta na ira divina e na condenação eterna.
Ninguém entrará nesta festa como penetra. O homem não pode salvar-se a si mesmo, mas pode condenar-se a si mesmo ao rejeitar o convite celestial. Assegure em Cristo a sua presença.

III. A graça divina alcança os “rejeitados – pecadores” e nos desafia à atividade missionária, Lc 14.21-23; 15.2; Mt 28.18-20; At 1.8
Diante da rejeição dos primeiros convidados o hospedeiro ordenou ao servo: “Vá rapidamente para as ruas e becos da cidade e traga os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos”.
“Vá rapidamente”, há aqui um senso de urgência. A mesa está pronta, o banquete não pode esperar. Em outra ocasião, Jesus havia dito aos Seus discípulos que os campos estavam prontos para a colheita. Há sempre um senso de urgência – “vá rapidamente”!
O servo deveria sair em busca dos rejeitados, dos marginalizados religiosa e socialmente. Aqueles mesmos que Jesus havia dito que não tinham como retribuir o convite de um banquete (Mt 14.13,14).
Jesus, que foi criticado pelos fariseus e mestres da lei, por receber e comer com pecadores, Lc 15.2. São estes pecadores, não considerados dignos de estarem num banquete, que são alcançados pela graça irrestrita.

O servo foi, cumpriu a ordem do senhor, voltou e disse: “… ainda há lugar”, v. 22.
Agora ouviu do Senhor: “Vá pelos caminhos e valados e obrigue-os a entrar, para que a minha cada se encha”, v. 23.
Agora ele deveria sair para fora da cidade, pelos caminhos e valados e compelir as pessoas a entrar. Ou seja, ele deveria ser persuasivo. O motivo, era para que a casa se enchesse.
Temos aqui o desafio a atividade missionária, ao irmos (Mt 28.18-20; At 1.8) e persuadirmos para que as pessoas aceitem o convite e participem do banquete celestial. O Senhor quer ter a casa, quer ter a mesa cheia, e ainda há lugar.

Conclusão
Uma pergunta: “Senhor, serão poucos os salvos?”, que leva Jesus a falar sobre a comunhão eterna no Reino de Deus, e que nos desafia a estarmos seguros quanto a nossa participação nessa comunhão celestial.
Neste momento não pergunte “quantos serão salvos?”, mas pergunte-se:
Tenho certeza que participarei do “banquete celestial”?
Tenho dado desculpas que me impedem de desfrutar de uma significativa e profunda comunhão com Deus?
Qual a visão que tenho da graça divina, e que impacto e frutos ela tem produzido em minha vida?
O que Deus quer de minha vida a partir desta mensagem, e o que farei para cumprir a vontade de Deus?
Tenha sempre em mim que “Feliz será aquele que comer no banquete do Reino de Deus”, e que é a graça divina, em Jesus Cristo que nos dá acesso a este banquete.

Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.

Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 27.06.2002

Last modified: January 30, 2025