Festa nos céus

Há grande alegria nos céus quando um pecador arrependido se volta para Deus Pai, e tal alegria deve contagiar todos aqueles que já foram alcançados pela graça divina e a proclamam.

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Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
7a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 21.04.2002

Festa nos céus, Lucas 15.1-32

Mensagem: Há grande alegria nos céus quando um pecador arrependido se volta para Deus Pai, e tal alegria deve contagiar todos aqueles que já foram alcançados pela graça divina e a proclamam.

Esboço:

Introdução

Há críticos ignorantes da missão e do amor de Jesus Cristo.
Alguns pecadores e publicanos haviam se aproximado para ouvir Jesus. ‘Pecadores’ eram tidos pelos judeus como imorais, pessoas que viviam a margem da lei de Deus, e os ‘publicanos’ eram desprezados por serem cobradores de impostos a favor de Roma, e enriquecerem explorando os próprios judeus, seus compatriotas. Essas pessoas estavam se aproximando para ouvir Jesus, quando fariseus e escribas, religiosos que confiavam na justiça própria e desprezavam os outros, fizeram a seguinte crítica: “Este homem recebe pecadores e come com eles”, Lc 15.2.
Jesus Cristo estava sendo acusado de hospedar pecadores e comer com eles. Na cultura oriental isto significava que Jesus estava acolhendo e de modo digno estava aceitando os pecadores.
Tais críticos eram ignorantes acerca da missão e do amor de Jesus Cristo. Assim como são ignorantes todos aqueles que nos dias atuais criticam a Igreja de Jesus Cristo quando esta trata com dignidade os pecadores que se aproximam para ouvir a Palavra de Deus, ou quando a Igreja sai ao encontro desses mesmos pecadores.

Reflitamos sobre algumas passagens bíblicas que nos revelam a missão de Jesus Cristo, e por conseguinte a missão da Igreja que é o Seu Corpo:
– “… Nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”, Mc 10.45;
– Após o encontro com Jesus, Zaqueu teve a sua vida transformada e ouviu da parte de Jesus: “… Hoje houve salvação nesta casa, pois também este é filho de Abraão ( o que significa filho na fé, já que Abraão foi justificado pela fé, Romanos 4 ). Porque o Filho do homem veio salvar e buscar o perdido”, Lc 19.9,10;
– “… Vão pelo mundo todo o preguem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”, Mc 16.15,16;
– “… Foi-me dada toda autoridade no céu e na terra. Portanto vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”, Mt 28.18-20;
– “Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras. E lhes disse: “Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas. Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto”, Lc 24.45-49.

O Livro de Atos registra a descida do Espírito Santo. Espírito que passou a revestir todos aqueles que crêem na morte de Jesus Cristo pelos seus pecados e na sua ressurreição como garantia da vida eterna. Um pouco antes da Sua subida aos céus, e da descida do Espírito Santo, Jesus disse: “Mas recebereis poder quanto o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”, At 1.8.
Mais tarde Atos 8 registra que a igreja que estava em Jerusalém foi dispersa por causa da perseguição, e “… os que haviam sido dispersos pregavam a palavra por onde quer que fossem”, v. 4.

Voltando as palavras de Jesus para os discípulos e a Sua Igreja, citemos mais uma:
– “Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo”, Jo 17. 18

O ensino de Jesus diante das críticas
Por meio de três parábolas Jesus responde aos seus críticos e nos ensina maravilhosas verdades acerca do Reino. Verdades sobre o valor que Deus dá aos pecadores perdidos e da grande festa que há nos céus quando são achados e arrependidos se voltam para Deus.

Vejamos as três parábolas de Lucas 15.
A. A ovelha perdida, vv. 4-7
“Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa para trás as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la?”, v. 4.
Jesus continua contando que quando o pastor encontra a ovelha, ele a coloca no ombro não se importando com o peso e cansaço, e alegremente vai para a casa. Chegando em casa promove uma festa comunitária reunindo os seus amigos e vizinhos, dizendo: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida’, v.6.
Então Jesus conclui: “Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam se arrepender”, v.7.

B. A moeda perdida, vv. 8-10
“Ou, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas (dracma era uma moeda de prata e que correspondia a um dia de trabalho) e, perdendo uma delas, não acende uma candeia, varre a casa e procura atentamente, até encontrá-la?”, v.8.
A mulher faz todo o esforço possível para encontrar uma moeda, que é de grande valor para ela. Quando a encontra, a semelhança do pastor, ela promove uma festa comunitária reunindo as amigas e vizinhas: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida’, (v.9).
Então Jesus concluiu: “Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”, v.10.

B. O filho perdido, vv. 11-32
Jesus conta sobre um homem que tinha dois filhos. O mais novo pediu a sua parte da herança e foi embora. De um modo irresponsável desperdiçou tudo o que recebeu, e começou a passar necessidades numa região e numa época onde havia grande fome. Para sobreviver procurou emprego cuidando de porcos, sujeitando-se a uma situação muito humilhante. Querendo comer do que os porcos se alimentavam, não conseguia pois nem isso lhe davam.
Um dia caiu em si, pensou no conforto e na fartura do lar, e decidiu voltar arrependido para o pai, e dizer: “Pai pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados”, vv. 19,20. Esta postura de humilhação e de arrependimento, reconhecendo seu pecado, era importante para a reconciliação com o pai. Assim também o homem pecador deve proceder diante de Deus Pai.
O filho começou o caminho de volta ao lar e “estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou”, v. 20. Então o pai com grande alegria disse ao servos: “Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e comemorar. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado. E começaram a festejar”, v. 22-24.
O filho mais velho, com atitude pecaminosa e soberba a semelhança dos fariseus e escribas citados no v. 2, agiu com indignação, inveja, ira e murmuração. E entre outras coisas ouviu do seu pai: “… Mas nós tínhamos que comemorar e alegrar-nos, porque este seu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado”, v. 32.
A semelhança do pastor e da mulher, o pai expressou grande alegria e fez uma festa comunitária quando o que estava perdido foi achado.

Há grande alegria nos céus quando um pecador arrependido se volta para Deus Pai, e tal alegria deve contagiar todos aqueles que já foram alcançados pela graça divina e a proclamam.

Jesus Cristo nos ensina três grandes verdades:

I. VerdadeDeus se importa com o pecador perdido
Deus revela amor, graça e compaixão para com o pecador perdido. Tenhamos sempre em mente que “… Nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”, Mc 10.45, e que “… o Filho do homem veio salvar e buscar o perdido”, Lc 19.9,10.

Portanto como filhos de Deus em Cristo Jesus, e como membros da Igreja de Jesus Cristo devemos nos importar com o pecador perdido, sem sermos permissivos e nem participantes com os seus pecados.
Não devemos agir como os fariseus nem como os escribas e nem com o filho mais velho. Consideravam-se justos, mas estavam cegos quanto aos seus próprios pecados, quanto a necessidade que tinham de Deus e quanto a condenação que tais atitudes acarretavam.

Revelando a preocupação e o quanto se importa com o pecador perdido, neste capítulo de Lucas por oitos vezes Deus fala da condição de perdição do homem pecador – v. 4 (duas vezes), depois nos versículos 6, 8, 9, 17, 24 e 32. Devemos no Espírito Santo, e com a mesma dedicação do ‘pastor’, da ‘mulher’, e com a compaixão do ‘pai’, promover todos os esforços e estratégias para que o pecador perdido seja encontrado como a mensagem do Evangelho de Jesus Cristo.

Paulo em Cl 1.28,29 escreveu: “Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo o homem perfeito em Cristo. Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim”. (cf. 1 Co 9.16-27)

II. Verdade O arrependimento é necessário para a reconciliação com Deus Pai
O filho disse: “Pai pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados”, vv. 19,20. Tal atitude revelava consciência de sua culpa pessoal e de seu pecado, e da necessidade de ser perdoado pelo pai .
‘Arrependimento’ (metanoia) é mudança de mente, de desejo e de atitude; é volta em submissão e fé para Deus. Arrependimento, no contexto da fé, do crer, envolve: reconhecimento da ofensa, do pecado; tristeza genuína; confissão; pedido de perdão; disposição para abandonar o pecado. Tudo isto sob o mover e a capacitação do Espírito Santo.

Jesus afirmou: “Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam se arrepender”, v.7; e, “Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”, v.10.
Assim como o apóstolo Paulo, nós devemos, depois de salvos em Cristo, proclamar que os homens: “… precisam converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus”, At 20.21.

III. VerdadeHá festa nos céus quando um pecador arrependido se volta para Deus Pai
Jesus várias vezes é encontrado em festas. Seu primeiro milagre registrado no evangelho de João ocorreu numa festa de casamento. Em certa ocasião Ele foi injustamente acusado de ser ‘comilão e beberrão, amigo de pecadores’.
No Velho Testamento entre todo ritual de adoração e sacrifícios do povo de Israel nós encontramos festas, como por exemplo a ‘Festa dos Tabernáculos’.
Deus é um Deus de festas, de alegria e assim com reverência e santidade o povo de Deus deve agir. A Igreja de Jesus Cristo, a comunidade da família de Deus, deve ser um lugar de festa para a glória de Deus.
Jesus fala sobre festa nos céus:
– “… haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam se arrepender”, v.7;
“… há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”, v.10.

O ‘pastor’, a ‘mulher’ e o ‘pai’ alegraram-se e promoveram festas comunitárias quando o que estava perdido foi achado.
Jesus disse aos seus discípulos: “… Alegrem-se não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus”, Lc 10.20.

Conclusão
Alegre-se pela sua salvação em Cristo Jesus. Alegre-se quando um pecador arrependido se voltar para Deus Pai, pois há grande festa e alegria nos céus.
Que a festa e alegria celestial se manifeste de modo visível no nosso meio, e que sejamos um povo contagiado pela alegria dos céus diante dos atos salvíficos de Deus em Cristo Jesus. Aleluia!

Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.

Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 21.04.2002

Last modified: January 30, 2025