Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
8a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 12.05.2002
Amando o próximo, Lucas 10.25-37
Mensagem: “A parábola do “bom samaritano”, alerta-nos e desafia-nos para o fato de que a vida do pecador arrependido, que pela fé se voltou para Deus por meio de Jesus Cristo, deve ser marcada por atos de misericórdia e amor ao próximo”.
Esboço:
Introdução
“A parábola do “bom samaritano”, alerta-nos e desafia-nos para o fato de que a vida do pecador arrependido, que pela fé se voltou para Deus por meio de Jesus Cristo, deve ser marcada por atos de misericórdia e amor ao próximo”.
“ ‘Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘ame o seu próximo como a si mesmo’ “, Lc 10.27.
Duas perguntas, com motivações erradas… vv. 25,29
O perito da lei, citado em Lucas 10, era alguém que se ocupava com a lei mosaica. Sua função era interpretar a lei, e conduzir o povo em como aplicar a lei na sua vida diária.
Ele, assim como o sacerdote e o levita citados na parábola, faziam parte de um grupo religioso de pessoas que: confiavam em si mesmos; consideravam-se justos e desprezavam os outros.
Tinham uma religião falsa, focalizada nos rituais religiosos e na mera pureza cerimonial, destituída do genuíno amor a Deus e de compaixão ao próximo, e por isso estavam debaixo do juízo de da condenação divina.
Esse perito da lei, fez duas perguntas a Jesus, com motivações erradas.
A primeira pergunta: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?” . Na verdade sua motivação não era saber como obter a vida que não termina, que tem a qualidade divina e que é dom de Deus. O que ele queria mesmo era testar o conhecimento e a autoridade de Jesus. De algum modo ele queria colocar Jesus numa situação constrangedora, onde Ele fosse envergonhado e desmoralizado.
Há pessoas que fazem perguntas, não porque queiram informações sobre a verdade, mas somente com o objetivo de testar e de ridicularizar.
Jesus respondeu com outra pergunta – “O que está escrito na lei?”, “Como você a lê?”, v. 26. Jesus agiu como os peritos da lei agiam ao serem perguntados acerca da lei.
Isto me lembra do Pr. John MacArthur Jr. dizendo que quando perguntado se ele é tradicional ou renovado, ele responde, perguntando: “Me diga o que é ser tradicional ou renovado? O que você entende acerca desses termos?”
A segunda pergunta: “Quem é o meu próximo?”, v. 29.
Ele queria se justificar, dando uma de ignorante, de “João sem braço” (como se diz no ditado popular).
Há perguntas, que revelam a intenção de fugir da responsabilidade, deixando entender que não sabe o que se deve ser feito.
Jesus respondeu contando a parábola do “bom samaritano”, e em seguida faz outra pergunta: “Qual desses três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”, v. 36.
Ao lidar com tais perguntas Jesus revelou a Sua sabedoria e a autoridade divina, e conduziu o perito da lei à conclusão de que o próximo é qualquer pessoa que se encontre em necessidade, e que os atos de misericórdia fazem parte da vida daquele que verdadeiramente confia e ama a Deus.
O pecado da transgressão e o da omissão
Nesta parábola Jesus revela duas atitudes pecaminosas para com o próximo, e que são também (assim como é todo o pecado) pecados e ofensas contra Deus.
I. O pecado da transgressão
“Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, e espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto”, v. 30.
Entre Jerusalém e Jericó havia uma distância de aproximadamente 24 Km. A estrada num vale rochoso era perigosa, cheia de assaltantes.
A Bíblia, Palavra de Deus, deixa claro que “assalto” é pecado, é violação dos princípios bíblicos. Pecado é transgressão da lei de Deus.
“Todo aquele que pratica o pecado transgride a Lei; de fato, o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4).
Êx 20.13: “Não matarás”, v. 15: “Não furtarás”.
1 Co 6.9, 10 “Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? … ladrões… nem trapaceios herdarão o Reino de Deus”.
Quando transgredimos a lei de Deus nós pecamos…
II. O pecado da negligência, omissão.
“Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado. E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado”, v. 31,32.
O sacerdote e o levita viram o necessitado e nada fizeram. Seja por causa da pureza moral (não tocarem num “imundo”), seja por medo ou por qualquer outro motivo, o fato é que não agiram segundo o princípio do amor que procede de Deus e deve ser manifesto ao próximo.
Pecaram por negligência e por omissão.
“… Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4.17).
“Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?” ( 1 Jo 3.17)
As vezes pecamos sendo negligentes e omissos quanto aos ensinos e aos propósitos de Deus.
Conclusão
Misericórdia – uma das marcas do cristianismo autêntico
Após ter citado a transgressão dos assaltantes e a negligência e omissão do sacerdote e do levita, Jesus falou sobre a ação do samaritano, v. 33-36.
O samaritano ( samaritanos – uma raça mista entre judeus e gentios, eram desprezados e odiados pelos judeus), a última pessoa que um judeu esperava que fosse o “herói” citado por Jesus, prestou socorro ao homem que havia sido assaltado, e estava a beira do caminho.
Jesus disse que o samaritano teve “piedade” do homem que foi assaltado, v.33. “Piedade”, ‘splancha’ refere-se a sede das emoções, as “entranhas”, ao “coração”. Ou seja, o samaritano teve o seu coração tocado diante da necessidade do outro e isto o moveu em seu socorro.
Mas como ele demonstrou piedade? Tratou das feridas, usando vinho (limpar) e azeite (aliviar as dores); levou-o para uma hospedaria, um abrigo seguro; pagou as despesas; e comprometeu-se a passar na volta da viagem para pagar possíveis despesas extras.
Então Jesus fez a seguinte pergunta ao perito da lei: “Qual desses três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”, v. 36.
O perito da lei respondeu: “Aquele que teve misericórdia dele”, v. 37.
“Misericórdia”, ‘eleos’ , “compaixão”, “piedade”.
A expressão no Novo Testamento “splanchna eleos”, se refere ao coração misericordioso de Deus.
“Misericórdia”, deve ser uma das marcas do verdadeiro cristianismo, do verdadeiro discípulo de Jesus Cristo ( Tg 3.17, “plena de misericórdia” – ‘meste eleous’).
Por outro lado ausência de misericórdia é a negação do conhecimento de Deus (Rm 1.29-32, “sem misericórdia” – ‘aneleemonas’).
A misericórdia de Deus, deve nos conduzir a solidariedade, à ajuda aos necessitados. Ajuda espiritual, física e material.
Deus se demonstrou misericórdia em Cristo Jesus – “… éramos por natureza merecedores da ira. Todavia, Deus, que em rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões – pela graça vocês são salvos…” (Efésios 2.1-10)
A vida eterna é Dom de Deus. Pela fé em Jesus Cristo, na Sua morte na cruz pelos nossos pecados e ressurreição, somos salvos da ira, da condenação do pecado, do juízo eterno. Somos salvos, não por obras, mas somos salvos para as boas obras.
Como filhos de Deus precisamos ter a marca da “misericórdia”.
“Vá e faça o mesmo”, Lc 10.37.
De quem devo me tornar próximo?
Qualquer pessoa que se encontre em necessidade. Há “próximos” que são em Cristo membros da família de Deus; e há aqueles que não são filhos de Deus em Cristo, mas para os quais também devo demonstrar o amor de Deus, a misericórdia divina.
O verdadeiro amor, sente e faz. Não fica só no sentimento e nem na palavra. Mas, atua servindo e socorrendo o necessitado.
Devemos ter a visão e a missão da proclamação do Evangelho de Jesus para todo homem. A preocupação da necessidade espiritual, da esperança da vida eterna.
No entanto, devemos também visar o homem todo, e termos uma missão social, econômica, o compromisso com a responsabilidade social. E isto é uma forma de servir a Deus, de demonstrar amor para com Deus e de glorificar o Seu Nome.
Como disse João Calvino (1509-1564), um dos notáveis da reforma protestante: “Deus mistura os ricos e pobres para que eles possam encontrar-se e ter comunhão uns com os outros, de modo que os pobres recebam e os ricos repartam” (Institutas IV.20.3).
“ ‘Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘ame o seu próximo como a si mesmo’ “ (Lc 10.27).
“… seu próximo…”, ‘ho plesion’, é mais do que o que vive perto. Há aqui o pensamento de comunidade, de comunhão.
Demostremos misericórdia, nos envolvendo com os outros e as suas necessidades, ajudando e suprindo segundo os recursos e as posses de cada um de nós.
À semelhança do samaritano: “Vá e faça o mesmo” – na sua família, na igreja e na comunidade em geral.
Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 12.05.2002
Last modified: January 30, 2025