A perspectiva correta de vida

A filosofia de vida que se preocupa em desfrutar o presente sem a perspectiva divina e sem a visão da eternidade, não é uma boa filosofia de vida, é loucura.

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Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
10a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 12.05.2002

A perspectiva correta de vida, Lucas 12.13-21

Mensagem: A filosofia de vida que se preocupa em desfrutar o presente sem a perspectiva divina e sem a visão da eternidade, não é uma boa filosofia de vida, é loucura.

Esboço:

Introdução
A parábola do rico insensato, Lucas 12.13-21
O contexto
Nos versículos 1 a 12 de Lucas 12, Jesus adverte que não devemos temer quem pode matar o corpo e depois nada mais pode fazer, mas devemos temer aquele que depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno.
Neste mesmo contexto Ele relembra sobre o valor que temos, e fala acerca da soberania, da provisão e do cuidado divino na vida daqueles que O confessam – que nEle crêem e que dEle testemunham diante dos homens.
No entanto Ele adverte sobre a condenação que virá sobre aqueles que O negam, que blasfemam contra o Espírito Santo. Em Mateus e Marcos nós podemos ver que Jesus foi rejeitado pelos líderes e pela nação de Israel e foi acusado de estar agindo sob o espírito de Belzebú, sob o poder de Satanás. O testemunho do Espírito Santo havia sido rejeitado. Aqueles homens que rejeitaram o testemunho de Deus, e assim não têm as condições para o arrependimento e fé em Jesus Cristo sofrerão a condenação eterna.

Enquanto Jesus ensinava estas verdades, uma interrupção criou a oportunidade para o ensino sobre “uma perspectiva correta de vida”.
A parábola começa com uma conversa entre Jesus e um requerente anônimo. Ele pede a Jesus para que faça justiça na questão entre ele e seu irmão, acerca da divisão da herança – “Mestre, dize a meu irmão que divida a herança comigo”, v.13.
A expressão “mestre” está ligada a palavra hebraica “Rabi”. Um rabi era uma profundo conhecedor da lei, e assim estava preparado para orientar e dar respostas acerca de assuntos legais.
No caso em questão dois irmãos estavam tendo um conflito, pois um dos irmãos não estava dando a outro a parte que lhe cabia na herança. Então, aquele que estava se sentindo injustiçado, pede a Jesus que ordene para que lhe fosse dada a sua parte na herança.
Havia aqui um problema comum no Oriente Médio, assim como há nos nossos dias, que é um problema de justiça social. Esta questão foi tratada pelos profetas no Velho Testamento, e por Jesus e os apóstolos no Novo Testamento. O Reino de Deus estabelece e requer relações sociais justas.
Assim este clamor por justiça era natural. De um modo geral todos nós pleiteamos os nossos direitos, queremos justiça.
Porém, o que se deve ressaltar é que havia um problema maior do que a partilha da herança, que era a questão do relacionamento entre os dois irmãos, e isto está relacionado com uma correta perspectiva da vida e seus valores.

A resposta de Jesus, vv. 14,15, tem um tom de reprovação. Aqueles irmãos tinham as relações cortadas. Eles estavam em sérios conflitos de relacionamento. No entanto havia apenas a preocupação com a partilha da herança, e não pelo bem maior – o relacionamento entre eles.
Jesus deixa claro que Ele veio não como ‘meristes’ – repartidor, mas sim como ‘mesites’ – reconciliador. Jesus aproveita aquele conflito entre os irmãos para demonstrar e ensinar que há algo mais importante do que riquezas, do que heranças ou do que a lutas por direitos pessoais.

A filosofia de vida que se preocupa em desfrutar o presente sem a perspectiva divina e sem a visão da eternidade, não é uma boa filosofia de vida, é loucura.

“Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens”, v. 14.

Não sejamos loucos
Na parábola Jesus fala sobre um homem rico, v. 16, e ele não é criticado ou condenado por ser rico, mas por ter um perspectiva errada da vida, ao ponto de ter sido chamado por Deus de “louco, insensato”, v. 20.
Este homem além de ter mais do que o suficiente, ele teve uma colheita excepcional. E isto trouxe um problema, o que fazer com tanta fartura?

Uma perspectiva louca da vida, nos conduz a:

I. Não ser sábio no trato dos problemas

Ele não foi sábio ao tratar do problema, pois:
Dialogou apenas consigo mesmo, v. 17,19
No Oriente Médio um dos costumes era assentar à porta da aldeia, conversar com outros, discutir, trocar idéias e buscar conselhos. No entanto este homem conversou apenas consigo mesmo… Não buscou a orientação de outros e muito menos de Deus.
Seu único auditório foi a sua própria alma. Como isso pode ser perigoso e fatal… Pv 18.1

II. Ter uma atitude egoísta

Teve uma atitude egoísta, vv. 17,18
Preste atenção nas expressões “minhas colheitas, meus celeiros, meus bens, minha alma”. Geralmente era nos celeiros que os dízimos e as ofertas eram separadas. Os sacerdotes e os levitas iam coletar e assim levar para o sustento da Casa de Deus e ajuda aos necessitados.
Mas ele estava focalizado apenas em si mesmo. Com uma perspectiva errada ele queria “regozijar-se”, gozar de todos aspectos da boa vida: descansa, come, bebe, folga. São necessidades legítimas, mas nessa parábola era loucura pois a perspectiva estava errada.

III. Não valorizar o que Deus valoriza

Deus o chama de tolo, de ignorante, de sem alguém sem mente, estúpido! (Parece forte, duro, mas é a triste realidade).
Ele não estava sendo “rico para com Deus”, v. 21, ou seja, por estar desconectado com Deus, e assim não ter uma perspectiva correta de vida, ele não estava usando e usufruindo das riquezas segundo a visão e a vontade de Deus.
Devemos reunir riquezas “dentro de Deus” (eis). E esta atitude sábia acontece quando há empenho de se adquirir e usar os bens materiais conforme os princípios bíblicos, com a plena convicção de que “a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens”, v. 15.
O verdadeiro problema na questão da herança, assim como no caso do rico louco, era a vontade de servir-se a si mesmo, ao seu ego, em vez de servir a Deus e de viver segundo a visão e os propósitos divinos.
A confiança e o foco nas posses materiais, impedem a confiança e o foco em Deus, e por consequência jogam relacionamentos para a periferia da vida. Coração e tesouro andam juntos. O coração do homem, as suas energias e o seu foco estão naquilo que ele mais dá valor. E não valorizar o que Deus valoriza é ter uma perspectiva errada da vida e de seus valores, e isto é loucura.

Conclusão
Desta parábola tiramos as seguintes aplicações para a nossa vida:
Jesus veio para ser reconciliador e não repartidor. Assim, antes da “partilha dos bens”, Ele está preocupado no bom relacionamento entre as partes envolvidas;

O valor de uma pessoa não consiste nos bens que ele tem, mas de quem ele é perante Deus e da qualidade do seu relacionamento com Ele;

Atitudes e motivações egoístas são pecados, e são reprovadas por Deus;

Viver e procurar desfrutar das coisas boas, por mais legítimas que estas sejam, sem a perspectiva divina é loucura.

Gostaria de citar algo Pr. Rick Warren, que vai nos ajudar a compreender o que é “perspectiva” e qual o valor de uma perspectiva correta de vida.
No livro “Igreja com propósitos”, São Paulo: Ed. Vida, 1998, p. 424, ele diz que: “existem cinco medidas para o crescimento espiritual: conhecimento, perspectiva, convicção, habilidades e caráter. Estes quatro níveis de aprendizado são os blocos que constróem a maturidade.
Perspectiva é a compreensão de algo que você vê com uma visão ampliada. É a habilidade de ver como as coisas são interligadas e depois julgar comparativamente sua importância. Em um sentido espiritual, isso significa ver a vida do ponto de vista de Deus. Na Bíblia, as palavras entender, sabedoria e discernimento tem a ver com perspectiva. O oposto de perspectiva é dureza de coração, cegueira e mediocridade.
Sl 103.7 diz: “Fez notórios os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel”. As pessoas de Israel viram o que Deus fez, mas Moisés entendeu o porquê Deus o fez. Esta é a diferença entre conhecimento e perspectiva…
Existem muitos benefícios em se aprender a ver tudo sob a perspectiva de Deus, mas vou mencionar somente quatro deles.
Primeiro. A perspectiva faz com que amemos a Deus ainda mais. Quanto melhor entendemos a natureza e os caminhos de Deus, mais nós o amamos, e mais amamos ao próximo (Ef 3.18; Mt 22.34-40)
Segundo. A perspectiva nos ajuda a resistir às tentações. Quando olhamos para uma situação do ponto de vista de Deus, reconhecemos que as conseqüências do pecado a longo prazo são maiores do que qualquer prazer que pode proporcionar. (Pv 14.12)
Terceiro. A perspectiva nos ajuda a lidar com as tribulações. Quando temos a perspectiva de Deus em nossas vidas reconhecemos “… que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus…” (Rm 8.28), e que “… a prova da vossa fé desenvolve perseverança” (Tiago 1.3). A perspectiva foi uma das razões pela qual Jesus foi capaz de suportar a cruz (Hb 12.2).
Quarto. A perspectiva nos protege do erro. A perspectiva é que produz estabilidade na vida das pessoas (Ef 4.14).

“Sonha como se vivesses para sempre. Vive como se fosses morrer hoje”. [James Dean]

Viver (ter as condições e o sustento necessário); Amar (relacionamentos significativos e sadios); Aprender (sonhos e aprendizado contínuo) e Legado (o desafio e exemplo que deixamos),são elementos importantes para que tenhamos qualidade de vida e sucesso. E, todas estas coisas devem estar debaixo dos valores e das prioridades do Reino de Deus.

“Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens”, v. 14
“… Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?…”

Persigamos ter uma perspectiva correta de vida, e assim viveremos hoje a vida na sua plenitude com a segurança da eternidade com Deus.

Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.

Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 16.06.2002

Last modified: January 30, 2025