Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
5a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 17.03.2002
Graça – a base da recompensa divina, Mateus 20.1-16
Mensagem: Deus é justo, bondoso e soberano, e as suas recompensas, sendo a maior a vida eterna em Jesus Cristo, são fruto de sua infinita graça e não do mérito e/ou da conquista humana.
Introdução
Na última mensagem falamos sobre “Perdoado e perdoando”, tendo como base a parábola do ‘Servo impiedoso’ em Mateus 18.21-35.
A essência da mensagem foi “Uma das maiores bênçãos do Reino de Deus é o perdão divino e a capacitação e liberdade no Espírito para que possamos perdoar uns aos outros”
A parábola dos ‘Trabalhadores na vinha’, Mateus 20.1-16
O contexto – Três perguntas relevantes
A primeira pergunta foi feita pelo jovem rico a Jesus Cristo – “Mestre que farei de bom para Ter a vida eterna?”, Mt 19.16
Jesus respondeu dizendo que ele deveria obedecer aos mandamentos. O jovem quis saber quais mandamentos Jesus estava se referindo. Ao que Jesus respondeu: “Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’ “.
O jovem respondeu que se ele já estava fazendo tudo aquilo, que lhe faltava então? Jesus replicou dizendo que deveria ir, vender tudo o que tinha, dar aos pobres e segui-lo.
Diante de tal proposta o jovem ‘afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas’. Sua atitude revelou que o 10º mandamento ‘não cobiçaras’, não era obedecido. Ele estava cativo a cobiça, tendo acumulado muitas riquezas e estando apegado as mesmas, ao ponto destas serem um obstáculo para que seguisse a Jesus Cristo, tendo assim a vida eterna.
Jesus não está aqui ensinando que a caridade e a pobreza levam aos céus. Neste caso e com este jovem em particular Ele ensina que o apego as riquezas era deus, o ídolo daquele jovem e assim era a barreira para a vida eterna.
Tal postura do jovem levou Jesus a afirmar: “Digo-lhes a verdade: Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus”. Não pelo simples fato de ser rico, mas porque o rico tende a ser auto-suficiente, independente de Deus e a depositar a sua esperança nas riquezas ( cf. 1 Tm 6.9,10,17-19).
Diante da afirmação de Jesus, os discípulos que viam riquezas como sinal de bênção divina, fazem a segunda pergunta – “Neste caso, quem pode ser salvo?”, Mt 19.25. Jesus respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis”. Ou seja só pelo poder de Deus um homem pode ser salvo e entrar no Reino dos céus.
Jo 1.12,13 “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus”
Após Jesus falar que a salvação só é possível no poder de Deus, Pedro faz a terceira pergunta – “Nós deixamos tudo para seguir-te! Que será de nós?”, Mt 19.27
O que Pedro estava declarando é que eles, os discípulos, para seguirem Jesus Cristo haviam deixado para trás um contexto de vida que os proporcionara comunhão, segurança e manutenção econômica. E, o que eles ganhavam por terem deixado tudo aquilo? Jesus respondeu que eles ganhavam e ganhariam muito mais do que haviam deixado, e que tais recompensas, ganhos estavam relacionados com a vida presente e futura, a vida eterna, v. 29.
Jesus conclui dizendo: “Contudo, muitos primeiros serão últimos, e muitos últimos serão primeiros”, v. 30. Esta mesma afirmação se repete em Mateus 20.16, no final da parábola dos ‘trabalhadores na vinha’ – “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos”.
As três perguntas, as respostas e a conclusão de Jesus Cristo são muito importantes para entendermos a parábola dos ’trabalhadores na vinha’.
Deus é justo, bondoso e soberano, e as suas recompensas, sendo a maior a vida eterna em Jesus Cristo, são fruto de sua infinita graça e não do mérito e/ou da conquista humana.
O ensino e a aplicação, de Mateus 20.1-16
O Reino dos céus é como um é proprietário que saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a vinha.
Contratou o primeiro grupo e combinou pagar um denário (uma moeda de prata – valor pago pela diária de um trabalhador braçal) pelo trabalho.
Depois, vendo outros trabalhadores desocupados contratou um grupo por volta das 9h (hora terceira), outro grupo por volta das 12h (hora Sexta), outro por volta das 15h (hora nona) e por fim um outro por volta das 17h (11ª hora).
Como podemos observar eles tiveram cargas horárias diferentes, sendo que o grupo contratado por volta das 17h foi o que menos tempo trabalhou, até porque o pagamento era feito no fim do dia, ou seja às 18 h.
Não podemos esquecer o detalhe de que ao contratar os trabalhadores o proprietário combinou um valor, e prometeu pagar o que fosse justo.
No final do dia, ao chamou os trabalhadores para o acerto financeiro. Primeiro, chamou os que haviam sido contratados por último e pagou um denário. Em seguida foi chamou os outros e a todos pagou o mesmo valor.
Os que haviam sido contratados primeiro, vendo que ele dava a todos o mesmo valor, ficaram murmurando e disseram: ‘Estes homens contratados por último trabalharam apenas uma hora, e o senhor os igualou a nós, que suportamos o peso do trabalho e o calor do dia’. “Mas ele respondeu a um deles: ‘Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não concordou em trabalhar por um denário? Receba o que é seu e vá. Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que lhe dei. Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso?’. “Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” , Mt 20.12-16.
Aqueles murmuradores não tiveram a consciência de que o proprietário estava sendo justo para com eles, e bondoso para com os últimos.
Eles deveriam se alegrar com a justiça e bondade do proprietário, mas cegos pela inveja o que fizeram foi murmurar.
Não acontece algo semelhante conosco? Quantas vezes, nós não murmuramos ao ver a bondade de Deus se manifestar na vida de outros, nos esquecendo da Sua justiça e bondade para conosco?
Pv 14.30 “O coração em paz dá vida ao corpo, mas a inveja apodrece os ossos”.
Pv 27. 4 “O rancor é cruel e a fúria é destruidora, mas quem consegue suportar a inveja?”
Deus tem poder para nos salvar e nos libertar do pecado, da inveja e de tudo que não O agrada.
Tt 3.3 “Houve tempo em que nós éramos também insensatos e desobedientes, vivíamos enganados e escravizados por toda espécie de paixões e prazeres. Vivíamos na maldade e na inveja, sendo detestáveis e odiando uns aos outros”.
Nesta parábola, Jesus Cristo nos ensina que:
I. Deus é justo
Deus é justo – ‘Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não concordou em trabalhar por um denário? Receba o que é seu e vá’, Mt 20.13b,14a
Deus age segundo o Seu caráter santo e segundo os princípios e as leis por Ele estabelecidas, Rm 1.17; 5.17,18
II. Deus é bondoso
Deus é bondoso e compassivo estando atento – ‘Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que lhe dei’, Mt 20.14b
Movido pelo Seu amor Deus concede ao homem pecador aquilo que ele não merece, ou seja a vida eterna em Jesus Cristo, Rm 6.23
III. Deus é soberano
Deus é soberano – ‘Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que lhe dei. Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso?, Mt 20.14,15
Deus é livre para agir segundo a Sua vontade e propósitos. Ele não está sujeito a vontade, aos desejos e aos critérios humanos.
IV. O Reino dos céus é surpreendente
‘Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos’, Mt 20.16
– No Reino dos céus há e haverá surpresas;
– Deus não avalia as coisas segundo os padrões humanos;
– Deus trata os homens com igualdade de condições;
– Os benefícios do Reino são para todos que seguem a Jesus Cristo e se colocam sob o governo e o domínio divino;
-Judeus* não têm precedência sobre os não judeus, apesar de terem sido os “primeiros”, em posição geográfica e histórica e profética, a receberem a revelação divina por meio de Jesus Cristo (* assim como, os religiosos contemporâneas, não têm precedência sobre os não religiosos …);
– O Dom da vida eterna e todas as demais recompensas resultam da graça divina e não do mérito humano.
Ef. 2.7-10 “para mostrar … a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é Dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos”.
Jo 6.27-29 “Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem lhes dará. Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação”. Então lhe perguntaram: “O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?” Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou”.
Tt 3.4-8 “Mas quando, da parte de Deus, nosso Salvador, se manifestaram a bondade e o amor pelos homens, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador. Ele o fez a fim de que, justificados por sua graça, nos tornemos seus herdeiros, tendo a esperança da vida eterna”.
Deus é justo, bondoso e soberano, e as suas recompensas, sendo a maior a vida eterna em Jesus Cristo, são fruto de sua infinita graça e não do mérito e/ou da conquista humana.
Conclusão
Deus é justo, bondoso e soberano, e as suas recompensas, sendo a maior a vida eterna em Jesus Cristo, são fruto de sua infinita graça e não do mérito e/ou da conquista humana.
Diante desta verdade como nós reagimos?
Nos afastando de Jesus, a semelhança do jovem rico?
Com questionamentos sobre se é lucro seguir a Jesus, a semelhança de Pedro?
Com inveja da graça de Deus sobre os outros, a semelhança dos trabalhadores que estavam murmurando?
Com certeza Deus espera e exige de cada um de nós uma postura de fé que gere em nós uma vida sujeição em adoração a Ele, convictos da riqueza da Sua bondade e graça em Cristo Jesus.
Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 17.03.2002
Last modified: January 30, 2025