Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
3a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 17.02.2002
Um tesouro de incalculável valor, Mateus 13.44-46
Mensagem: A Pessoa de Deus e a vida em comunhão com Ele, sob Sua autoridade e poder, são os maiores tesouros que o ser humano pode ter hoje, com dividendos por toda a eternidade.
Esboço:
Introdução
Recordando
Nas duas primeiras mensagens, desta série sobre as parábolas de Jesus Cristo, nós refletimos sobre o “Programa de Deus” e o “Sucesso do programa de Deus” tendo com base as parábolas do “Semeador, do Joio, da Rede, do Grão de Mostarda e a do Fermento (ambas em Mateus 13)” e a da “Semente” (esta em Marcos 4).
Nesta 3a. mensagem, nós estaremos refletindo sobre “Um tesouro de incalculável valor”.
Filmes como “A última cruzada” com Robert Bredford e Sean Connery têm como roteiro à busca por preciosos tesouros… Além disso, há livros sobre tesouros como os dos Egito da época dos faraós, os da Rússia na época dos czares etc.
Há quadros, jóias, carros etc., que são vistos e vendidos como relíquias e tesouros.
Há anos, a região de Argyle na Austrália Ocidental já havia produzido mais de 100 toneladas de diamantes. Em busca dos diamantes: mais de 22 milhões de toneladas de pedra foram retirados do local das minas e conduzidas por gigantescos veículos para os trituradores e separadores. Os diamantes de melhor qualidade podem ser vendidos até por mais de um milhão de dólares na feira anual de diamantes-rosa de Genebra.
Muitos buscam tesouros, riquezas por meio de jogos como a “Loteria”, que distribui por ano, por exemplo no Brasil, mais de 600 milhões de reais em prêmios.
Há ainda aquelas relíquias de mito valor afetivo – sentimental (passadas de gerações para gerações), mais por vezes com pouco valor comercial. Ainda no lado afetivo e sentimental quantas vezes não falamos e/ou ouvimos expressões tais como: “meu filho, meu tesouro”, ou uma pessoa dizer para alguém que ama: “tesouro”.
Mas, não é sobre estes tipos de tesouros que vamos refletir. O tesouro de incalculável valor que queremos focar é o “Reino de Deus”.
Mensagem: A Pessoa de Deus e a vida em comunhão com Ele, sob Sua autoridade e poder, são os maiores tesouros que o ser humano pode ter hoje, com dividendos por toda a eternidade.
As parábolas do “tesouro escondido” e a da “pérola preciosa” nos revelam e ensinam sobre o valor do Reino de Deus.
Exposição de Mateus 13.44-46
I. Quanto vale o Reino dos céus?
“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de nove e, então, em sua alegria, foi, vendeu tudo que tinha e comprou aquele campo”.
“O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo que tinha e a comprou” (Mt 13.44-46).
Estas parábolas nos revelam e ensinam que o Reino de Deus vale tanto que um homem deve fazer e dar tudo para fazer parte dele, e trazer outros para que façam parte do Reino de Deus.
Jesus Cristo deu o que demais precioso tinha, a Sua própria vida para que todo o que n’Ele crê faça parte do Reino – “Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo…” (1 Pe 1.18,19).
Paulo em 2 Coríntios 4, revela que “o conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” é um tesouro que temos em “vasos de barro” (se referindo a fraqueza e as limitações da nossa humanidade diante do poder de Deus).
O Reino de Deus tem um valor incalculável.
II. O que é o Reino dos Deus?
Quando falamos no “Reino de Deus”, “Reino dos céus” ou “Reino de Cristo”, estamos falando na autoridade, no poder, no exercício da soberania divina sobre todos e sobre tudo. E isto tem implicações práticas e eternas sobre a nossa crença, sobre o que somos, o que temos, o que fazemos e como vivemos. Em todas estas áreas e coisas devemos viver segundo a vontade de Deus e sob o Seu poder.
Em Lucas 17. 20, 21, Jesus disse: “… o Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está entre vocês”.
Na oração do “Pai nosso” temos a declaração “… porque teu é o Reino, o poder e glória para sempre. Amém” (Mt 6.9-13).
Aonde o Evangelho de Jesus Cristo é proclamado, crido e vivido ali há as marcas do Reino de Deus. Reino que não é “… comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens” (Rm 14.17,18).
Em Hb 11.24-26 temos o exemplo de Moisés que “considerou a desonra por amor de Cristo como riqueza maior que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa”. Moisés que sabia que Deus era (é e será) e tinha algo melhor e de incalculável valor.
Quando Tiago, Pedro, João e demais homens foram chamados para ser discípulos de Jesus eles deixaram as “redes”, deixaram tudo e O seguiram.
Quanto vale para nós o Reino dos céus? Existe algo mais precioso do que o Reino de Deus?
Achar o Reino deve ser motivo de grande alegria, e motivo para crer em Jesus Cristo e deixar tudo (nosso “eu”, auto-suficiência, religião, filosofia de vida sem Cristo, os valores deste mundo etc.) para entrar no Reino de Deus.
III. Como fazer parte do Reino de Deus?
Fazendo parte do Reino de Deus…
Nicodemos, homem religioso e que sabia que Jesus realizava os sinais miraculosos porque Deus estava com Ele, ouviu da boca de Jesus: “…Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo” (Jo 3.3).
A Bíblia, Palavra de Deus, afirma que para ver, pertencer ao Reino dos céus é necessário “nascer de novo”. “Nascer de novo”, não é uma referência ao nascimento físico, nem a reencarnação, mas ao “nascer de cima”, ou seja, nascer do Espírito, de Deus, a partir do arrependimento dos pecados e da fé, do crer em Jesus Cristo – “… aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de homem algum, mas nasceram de Deus” (Jo 1.12,13).
Tanto João Batista, como Jesus Cristo em suas mensagens deixaram claro a necessidade do arrependimento dos pecados, e o crer, a fé, para entrar no Reino dos céus – Mensagem de João Batista “… Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo” (Mt 3.3).
“Daí em diante em Jesus começou a pregar: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”” (Mt 4.17).
Arrependimento envolve o reconhecimento do pecado, a tristeza pelo pecado (a ofenda contra Deus), a confissão e a disposição do abandono do pecado. Tudo isto porque o Espírito Santo conduz o indivíduo a mudança de mente, de desejos, de atitude…
O pecado gera rebelião ativa e/ou indiferença diante de Deus, e nos condena a eterna separação de Deus – “Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais, passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. Assim foram alguns de vocês…” (1 Co 5.9-11).
Conta-se que um viajante no deserto pede água a um passante. E, ouve como resposta: Sinto muito. Não tenho água, e sim lindas gravatas que estou levando para o mercado.
O viajante cambaleia pelo deserto e encontra outro homem.
Água! – implora. – Por favor, água. Ouve como resposta: Não tenho água, só estas gravatas.
Quase morto de sede, o viajante encontra um terceiro homem, que também levava gravatas ao mercado. O infeliz viajante arrasta-se até que, surpreso, vê um grande hotel a distância.
Ao chegar lá, engatinhando pela recepção, grita: Por favor, pelo amor de Deus, preciso de água!
Desculpe, senhor – responde o recepcionista. – Não deixamos ninguém entrar sem gravata. (Paul Dunne, Grã Bretanha – Seleções Reader’s Digest – Novembro de 1997).
O infeliz viajante estava sem gravata e não podia entrar no hotel, e muitos não entrarão no Reino de Deus por não ter se arrependido dos pecado e dos pecados, e por não ter depositado a sua fé em Jesus Cristo, na suficiência da Sua morte pelos pecados e na Sua ressurreição…
O arrependimento e o crer, a conversão produz sujeição em adoração a Deus – Mt 7.21, “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”.
Em Mateus 5 a 7 Jesus ensina sobre a justiça do Reino de Deus, e a ética exigida aos filhos do Reino.
Após a nossa decisão de crer em Jesus Cristo, como único e suficiente Salvador, nós somos “… lavados, santificados, justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus” (1 Co 5.9-11), e passamos a ser filhos e povo de Deus, “… geração eleita, nação santa, sacerdócio real…” (1 Pe 2.9,10).
E este é o maior tesouro que podemos ter.
Quando os discípulos enviados por Jesus Cristo, voltaram alegres pelas vitórias ministeriais conseguidas no poder de Deus, Ele afirmou: “… alegrem-se não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus” (Lc 10.20).
A maior alegria e o maior tesouro que um ser humano pode ter é o de fazer parte do Reino de Deus.
Mas cuidado, conforme algumas parábolas irão nos ensinar alguns ficarão de fora, pois por sua incredulidade não têm em Cristo o acesso ao Reino dos céus.
Conclusão
Na parábola do rico insensato, Lc 12.13-21, Jesus ensina que é loucura guardar riquezas para si e não ser rico para com Deus. É loucura ter riquezas materiais nesta vida, mas não ter a eternidade com Deus por não ter se investido na salvação eterna.
Em 1 Tm 6.17-19, lemos: “Ordene aos que são ricos no presente mundo que não sejam arrogantes, nem ponham sua esperança na incerteza da riqueza, mas em Deus, que de tudo nos provê para a nossa satisfação. Ordene-lhes que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e prontos para repartir. Desta forma, eles acumularão um tesouro para si mesmos, um firme fundamento para a era que há de vir, e assim alcançarão a verdadeira vida”.
Num contexto onde ensina acerca da vitória sobre as preocupações com as coisas desta vida, Jesus Cristo exortou: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas” (Mt 6.33).
Reconhecendo o incalculável valor de Deus e do Seu Reino devemos perseguir, buscar uma vida sobre a Sua soberania e segundo o Seu caráter e ensinos revelados na Bíblia.
Relembremos a pergunta de Jesus:
“Então perguntou Jesus: “Vocês entenderam essas coisas?”, Mt 13.51.
Relembremos a Sua promessa:
“…Os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça”, Mt 13.43
Relembremos a Sua afirmação:
“… Felizes são os olhos de vocês, porque vêem; e os ouvidos de vocês, porque ouvem”, Mt 13. 16.
Próxima mensagem – Perdoando e sendo perdoados”, Mateus 18.23-35.
Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 17.02.2002
Last modified: January 30, 2025