Perdoado e perdoando

Uma das maiores bênçãos do Reino de Deus é o perdão divino e a capacitação e liberdade no Espírito para que possamos perdoar uns aos outros.

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Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
4a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 01.03.2002

Perdoado e perdoando, Mateus 18.21-35

Mensagem: Uma das maiores bênçãos do Reino de Deus é o perdão divino e a capacitação e liberdade no Espírito para que possamos perdoar uns aos outros.

Esboço:

Introdução

A. Recordando
Na mensagem passada, nós estudamos sobre “Um tesouro de incalculável valor”, Mateus 13.44-46, examinando as parábolas do “tesouro escondido” e da “pérola preciosa”. A mensagem foi que “a Pessoa de Deus e a vida em comunhão com Ele, sob Sua autoridade e poder, são os maiores tesouros que o ser humano pode ter hoje, com dividendos por toda a eternidade”.
Naquela ocasião refletimos sobre “quanto vale”, “o que é”, e “como fazer parte do Reino de Deus”.
Houve o desafio que: precisamos estar convictos de que conhecer a Deus Pai, por meio de Jesus Cristo é a maior descoberta e o maior tesouro que podemos ter.

B. As parábolas do Reino de Deus
Lembre de que nós estamos numa série de 18 mensagens acerca das parábolas de Jesus Cristo, do Reino de Deus.
Lembre-se: Quando falamos no “Reino de Deus”, “Reino dos céus” ou “Reino de Cristo”, estamos falando na autoridade, no poder, no exercício da soberania divina sobre todos e sobre tudo. E isto tem implicações práticas e eternas sobre a nossa crença, sobre o que somos, o que temos, o que fazemos e como vivemos. Em todas estas áreas e coisas devemos viver segundo a vontade de Deus e sob o Seu poder.
Em Lucas 17.20,21, Jesus disse: “… o Reino de Deus não vem de modo visível, nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está entre vocês”.
Nesta passagem Jesus nos revela mais algumas características do Reino: 1) ele não é de natureza humana e política (visível aparência); 2) se faz presente em Jesus Cristo (entre vocês) – aonde o Evangelho é proclamado, ouvido, crido e obedecido ali há a presença vivificadora e transformadora do Reino; 3) tem uma dimensão futura – a vida do Reino concede bênçãos presentes (como por exemplo a justiça – perdão de Deus; a paz – relações novas; e a alegria – realização em e gratidão diante de Deus, Rm 14.17), mas também tem a esperança do Reino futuro em poder e glória, que se concretizará após a segunda vinda de Jesus Cristo.

C. Perdão – um desafio nos relacionamentos em CristoMateus 17-19

O contexto de Mateus 18
Em Mateus capítulo 17 temos a narrativa da transfiguração de Jesus na presença de Pedro, Tiago e João. Naquele momento de glória, Pedro diz para Jesus Cristo: “Senhor é bom estarmos aqui. Se quiseres, farei três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias”, v. 4. No entanto, Jesus, assim com Pedro, Tiago e João precisavam descer o monte pois a missão ainda não havia terminado e uma multidão e grandes tarefas os esperava.

Logo após, Jesus curou um menino que estava endemoninhado, e decide pagar o imposto do templo, sendo que o mesmo era cobrado pelos coletores de impostos. Ele pagou o imposto não porque se sentia obrigado, mas sim para não causar escândalo.
No capítulo 18 temos os discípulos perguntando “Quem é o maior no Reino dos céus?”. A preocupação humana em ser o maior, em ser grande, o gera disputas e crises em relacionamentos. Jesus ensina que o maior é aquele que se humilhar como uma criança, ao ponto de não buscar coisas grandes, ter fé, ser ensinável e estar pronto para obedecer.
Ainda no capítulo 18 temos a “parábola da ovelha perdida”(esta parábola estudaremos futuramente) e o ensino como lidar com a ofensa de um irmão, no contexto da igreja.
O capítulo 19 começa a tratar a questão do divórcio.
Quando nós pensamos sobre relacionamento com Deus e no contexto do discipulado, da sociedade, da igreja, do casamento e família temos situações aonde o perdão é um elemento de fundamental importância. Fundamental para que haja paz, e se construa relacionamentos sadios e significativos.

Exposição de Mateus 18.21-35

I. A pergunta de Pedro – Mt 18.21
“Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?”
Jesus respondeu: “Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete”. Na resposta de Jesus está implícito e explícito que o perdão não está limitado ao número de vezes.

Os rabis, mestres da lei, ordenavam perdoar até três vezes. Pedro coloca a possibilidade de perdoar até sete vezes. Não parece fantástico?

Em Lc 17.4 Jesus disse aos discípulos, se o seu irmão : “ … pecar contra você sete vezes no dia, e sete vezes voltar a você e disser: ‘Estou arrependido’, perdoe-lhe”. Os discípulos ao perceberem a incapacidade deles diante de tal imperativo e desafio, dizem ao Senhor ‘aumenta-nos a fé’.
Será que Jesus estava preocupado com números de vezes que devemos perdoar e qual o tamanho da fé necessária para perdoar?
Com certeza o foco de Jesus está na necessidade, na importância do perdão, e no fato de que a fé, por menor que seja, quando depositada em Deus torna os Seus discípulos capazes de perdoar, nas situações mais difíceis e mais diversas.

II. O ensino de Jesus por meio da parábola – Mt 18
Jesus ilustra o seu ensino colocando três personagens em cena: 1) um rei; 2) um servo que devia ao rei; 3) e, um outro servo, devedor ao servo que devia ao rei.

1) Um rei desejava acertar contas com os seus servos, v. 23
O rei no exercício de sua autoridade, poder e justiça.

Mas, que agiu com compaixão, como veremos a seguir, v. 27

2) Um servo que devia ao rei, e não tinha como pagar a dívida, v. 24,25
Ele devia ao rei cerca de 10.000 talentos (o talento equivalia a cerca de 35 quilos). Ou seja este homem devia uma enorme quantidade de prata, e não tinha como pagar. O rei ordena que ele, sua mulher, seus filhos e tudo quanto possuía fossem vendidos para pagar a dívida.

A súplica do servo, v. 26
Diante de uma situação tão desesperadora o servo se prostra diante do rei, reconhecendo a sua majestade, e implora por paciência e por uma oportunidade para que ele possa pagar a dívida.

A compaixão e o perdão do rei, v. 27
O rei vendo a situação do servo tem compaixão dele, e decide perdoar, cancelando a dívida e deixando-o ir.

Um servo que foi perdoado, teve a sua dívida cancela pelo rei; mas, que não perdoou, a quem o devia, como veremos a seguir…

3) Um servo perdoado pelo rei, mas que não perdoou a quem lhe devia, v. 28
Quando o servo, perdoado e livre da sua enorme dívida, saiu da presença do rei, ele encontra um companheiro que lhe devia 100 moedas de prata (equivalentes a 100 dias de trabalho de um trabalhador braçal).
O servo que havia sido perdoado, agiu com agressividade e sem perdão para com aquele que lhe devia uma menor quantia do que aquela que fora perdoada. Mesmo diante da súplica do outro ele não perdoou, não teve compaixão e mandou prendê-lo até que a dívida fosse paga. Foi usado de compaixão, de misericórdia (não recebendo o castigo que merecia) para com ele, mas quando teve oportunidade de perdoar o outro agiu como um servo mau não usando de misericórdia.
O rei ao tomar conhecimento do ocorrido ficou irado e ordenou que ele fosse entregue ‘aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia’, v. 32,34.

III. A conclusão de Jesus Cristo
“Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão”, v. 35.
Há, por parte de Jesus Cristo, uma conclusão dura e severa.
O perdão brota do amor e da graça divina e não do mérito humano. E, o perdão divino é base e a motivação do perdão que devemos conceder uns aos outros.
Ausência de perdão uns aos outros é uma atitude pecaminosa, e se não houver o arrependimento e a prática do perdão estamos sujeitos ao castigo e a disciplina divina.

Conclusão

Aplicando o ensino as nossas vidas

1) Deus é o Rei desejava acertar contas com os seres humanos
Diz a Bíblia que todos comparecerão perante Deus para “acertar contas” com Ele.
Os homens, grandes e pequenos, comparecerão diante do tribunal de Cristo e aquele que não tiver o seu nome inscrito no livro da vida (ocorre quando nos arrependemos dos pecados, e cremos em Jesus Cristo como único e suficiente Salvador) será condenado a eternidade sem Deus, Ap 20.11-15.
“Pois o salário do pecado é a morte, mas o Dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”, Rm 6.23

2) O ser humano, pecador, é o devedor que não tem como pagar a sua dívida
“não por causa de atos de justiça nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”, Tito 3.5.
Nós por causa da nossa natureza pecaminosa temos um débito com Deus, e não temos como pagar. Mas, Cristo pagou a dívida – Cl 2.13b … E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; 14 tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz.
Cristo morreu na cruz pelos nossos pecados, pagando o preço que a justiça de Deus exigia – “… segundo a lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão”, Hb 9.22; “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus”, 2 Co. 5.21
Assim, somos perdoados por causa do amor, da graça e da misericórdia divina, quando reconhecemos que somos pecadores, que o pecado nos condena, cremos em Jesus Cristo e pela fé invocamos a Deus e o Seu perdão – “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça”, 1 Jo 1.9.

3) O cristão, o filho de Deus, pela fé em Cristo, perdoado pelo amor, pela misericórdia e graça divina, é o servo perdoado, que deve perdoar aos outros …
“Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão”, v. 35.
Quando Jesus respondeu ao pedido dos discípulos para que os ensinasse a orar, Ele ensinou, entre outras coisas, ‘Perdoa-nos os nossos pecados, pois também perdoamos a todos os que nos…’, Lc 11.4.
Como já afirmamos anteriormente, o perdão brota do amor, da graça e da misericórdia divina e não do mérito humano. E, o perdão divino é base e a motivação do perdão que devemos conceder uns aos outros.
Ausência de perdão uns aos outros é uma atitude pecaminosa, e assim se não houver o arrependimento e a prática do perdão estamos sujeitos ao castigo e a disciplina divina – “porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou se misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo” Tg 2.13.

Com base no amor, na graça, na misericórdia e no perdão divino, o discípulo de Jesus Cristo deve perdoar aquele que o ofendeu, cancelar a dívida resultante da ofensa, restaurar o relacionamento e deixar o devedor livre da sua dívida.

A amargura no coração é uma ruína para aquele que não perdoa, além de ser um “vírus” que contamina outros – “cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus; que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos”, Hb 12.15. Alguém já disse que ‘uma pessoa amargurada é como alguém que toma veneno esperando que o outro morra’.

O processo da cura das feridas interiores passa pelo conhecimento do amor e do perdão divino por nós, pelo reconhecimento da ofensa, da necessidade do perdão e pelo ato de perdoar em Cristo Jesus. Tome a decisão de perdoar, mesmo se outro não te pedir perdão, assim como Jesus na cruz e Estevão sendo apedrejado disseram ‘Pai, perdoa-lhes’.

Agora se você é ofensor e é verdadeiramente discípulo de Jesus Cristo tome a iniciativa de pedir perdão e alegre-se em agir segundo os princípios do Reino de Deus. Felizes aqueles que são perdoados e que perdoam.

Desafio:
Se você ainda não crê em Jesus como seu único e suficiente Salvador, tome a decisão de crer e entregar a sua vida a Ele, recebendo o perdão, a adoção de filho, o Dom do Espírito Santo e a vida eterna.
Se você já crê, aproprie-se da verdade divina e no poder do Espírito Santo viva segundo os princípios da Palavra de Deus.
Se você tem seu coração amargura por causa da ofensa de alguém busque o perdão e a restauração do relacionamento.
Se você ofendeu alguém procure a pessoa e com humildade e sinceridade peça perdão…
Crie o hábitos de confessar os pecados a Deus e com fé e alegria aproprie-se do seu perdão e da purificação dos pecados.

Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.

Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 01.03.2002

Last modified: January 30, 2025