Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
2a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 10.02.2002
O sucesso programa de Deus, Mateus 13.31-33; Marcos 4.26-29
Mensagem: Jesus Cristo era e é verdadeiramente o Messias, e tinha plena convicção de que nada poderia e nem pode impedir os propósitos, o crescimento e o sucesso do programa do Reino de Deus
Esboço:
Introdução
A. Recordando
Estamos numa série de 18 mensagens bíblicas sobre as parábolas de Jesus Cristo.
Como vimos na 1ª mensagem a parábola é o “Método didático do qual se transfere verdades de um campo conhecido (físico) para um campo desconhecido (espiritual).” (PENTECOST, Dwight)
Jesus Cristo se utilizou dos aspectos da vida diária para revelar e ensinar os maravilhosos propósitos e as verdades do Reino dos céus.
Quando refletimos sobre o contexto de Mateus 13 apresentamos que “Jesus Cristo se revelou a nação de Israel como o Messias, o Salvador. Havia a Seu favor o testemunho dos profetas, de João Batista, de Deus Pai e do Espírito Santo. Além disso havia o Seu próprio testemunho por meio do ensino e dos milagres. Mas, por causa da incredulidade da nação de Israel representada pelos seus líderes religiosos, Jesus foi rejeitado e acusado de agir sobre o poder de Belzebu, o príncipe dos demônios. Diante de tal rejeição e acusação, Ele adverti-os acerca da ira, do juízo e da condenação divina. A partir daí se afastou da nação voltando-se mais diretamente para os Seus discípulos, revelando-lhes o programa do Reino de Deus e preparando-os para o ministério futuro – Fazer discípulos de todas as nações”.
Então, com base em Mateus 13, parábolas do “Semeador, do Joio e da Rede”, analisamos 2 características do “Programa de Deus”. A 1ª – Os filhos do Reino semeando a Palavra de Deus (a boa semente), Mateus 13.18-23, 37,38; a 2ª – Deus permitindo que o Diabo semeie a má semente (os filhos do maligno), Mateus 13.24ss, 36-39, 47-50.
Jesus nos ensina que os poderes do mal sob a liderança do Diabo farão de tudo para resistir ao Reino de Deus e ao Seu crescimento. Mas, somos convocados as sermos fieis e frutíferos, na certeza de que esta era, após a 2ª vinda de Jesus Cristo, vai terminar em juízo e em condenação para os perversos, os incrédulos (Mateus 13.40-43, 49-50), e em salvação eterna para os justos (Mateus 13.43; João 3.36).
O ponto central da 1ª mensagem foi que “Pessoas, com os coração sensível e pronto para ouvir e crer na Palavra de Deus, têm a alegria de entender e viver segundo o programa e os princípios do Reino de Deus” (Mateus 13.16; 11.25,26).
B. A convicção messiânica de Jesus Cristo
O contexto de dúvida, incredulidade, oposição e rejeição a Sua Pessoa, era tão real que Jesus afirmou “… só em sua própria terra e em sua própria casa é que um profeta não tem honra”, e não realizou “… muitos milagres ali, por causa da incredulidade deles” (Mt 13.57,58).
No entanto, Ele jamais teve dúvidas acerca da Sua identidade e do propósito da Sua missão. Quando João Batista, que estava preso, enviou seus discípulos perguntarem a Jesus: “És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar outro?”, Ele respondeu: “Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos vêem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres; e feliz aquele que não se escandaliza por minha causa” (Mt 11.3-6).
Mais tarde Ele reafirmou ser: o “Filho do homem” (Mt 11.19); o revelador do Pai e Aquele que tem autoridade para dar descanso para a alma (Mt 11.25-30); e o “Senhor do Sábado” revelando Sua autoridade e poder divino (Mt 12.8). Ele chamou para Si o cumprimento da profecia de Is 42.1-4, que diz “Eis o meu servo, a quem escolhi, o meu amado… Em seu nome as nações porão a sua esperança” (Mt 12.17-21), declarou e demonstrou ter mais poder que o Diabo (Mt 12.22-29). Quando Lhe pediram mais um sinal miraculoso, Ele apresentou como grande sinal a Sua morte, pelos nossos pecados, e a Sua ressurreição (Mt 12.38-40).
Ressurreição que autenticou a Sua divindade – “… mediante o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 1.1-6).
Mensagem: Jesus Cristo era e é verdadeiramente o Messias, e tinha plena convicção de que nada poderia e nem pode impedir os propósitos, o crescimento e o sucesso do programa do Reino de Deus.
Como base nas parábolas – “Grão de mostarda”, Mt 13.31,32; “Fermento”, Mt 13.33; e da “Semente”, Mc 4.26-29 -, vejamos três verdades sobre o sucesso do programa do Reino de Deus.
(Antes do mais, gostaria de esclarecer de que no estudo destas parábolas não vamos nos focalizar nos detalhes. As parábolas do “Semeador” e a do “Joio” foram interpretadas por Jesus. Mas, as três acima citadas não foram. Com isso se dá margem para uma série de interpretações, as quais duvido ter sido a preocupação de Jesus. Por exemplo: na parábola do “Fermento”, há os que tentam identificar a “mulher” como sendo “Israel” ou a “Igreja”; as “três medidas” como sendo o “corpo, a alma e o espírito” do homem, ou a tríplice divisão das terras entre os filhos de Noé após o dilúvio etc.; na parábola da “Semente” para alguns o crescimento automático da semente se refere a evolução do mundo, ou do homem, ou ao crescimento da igreja ou do cristão etc. Parece-me que tais interpretações pretendem ir além daquilo que estava na mente de Jesus – o Reino de Deus. Lemos em Mt 13.34,35 “… Nada lhes dizia sem usar alguma parábola, cumprindo-se, assim, o que fora dito pelo profeta: “Abrirei minha em parábolas, proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo””. Por parábolas Jesus estava revelando os “mistérios” do Reino de Deus. Seu foco estrava no propósito, no programa, na agenda e nas implicações da mensagem e vida do Reino. E este foco será a nossa linha de pensamento nesta mensagem.)
3 verdades sobre o sucesso do programa do Reino de Deus
I. Um pequeno começo, mas com um crescimento rápido e com grandes proporções
A parábola do “grão de mostarda” – “… O Reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo. Embora seja a menor das sementes, quando cresce torna-se a maior das hortaliças e se transforma numa árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer os seus ninhos em seus ramos” (Mt 13.31,32).
Jesus, não está cometendo um erro, ao afirmar que o grão de mostarda é a “menor das sementes”. Com certeza Ele sabia que o grão de mostarda não era a menor das sementes, mas no contexto da cultura judaica representava a menor medida de peso e tamanho, ou seja era a menor quantidade mensurável. E é neste sentido de padrão de medida que Jesus usou a expressão “menor da sementes”.
Embora fosse uma semente pequena ela produz uma árvore que em pouco tempo pode atingir mais de cinco metros de altura.
Jesus estava apresentando que o Reino de Deus começa pequeno, mas em pouco tempo cresce rapidamente e com grandes proporções.
Podemos ver este exemplo no livro de Atos dos Apóstolos – Depois de Jesus Ter dito aos discípulos que deveriam ser testemunhas em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra (At 1.8), nós encontramos o registro de cerca de 120 pessoas reunidas no dia der Pentecostes (At 1.15). Jesus é glorificado pelo Pai, sobe aos céus, o Espírito Santo é dado, e naquele dia “Partos, medos e lamitas; habitantes da Mesopotânia, Judéia e Capadócia, do ponto e da província da Ásia, Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma, tanto judeus como convertidos aos judaísmo; cretenses e árabes”, ouviram em suas próprias línguas as maravilhas de Deus (At 2.8-11). Quando Pedro anuncia a Palavra de Deus ”há um acréscimo de cerca de 3.000 pessoas (At 2.41), e mais tarde creram perto de 5.000 homens (At 4.4). Em At 8 a igreja foi dispersa por causa da perseguição, e os que foram dispersos iam por toda a parte anunciando o Evangelho de Jesus Cristo, tendo chegado até Fenícia, Chipre e Antioquia, mas anunciando o evangelho apenas aos judeus (At 11.19). A igreja em Antioquia, atendendo o chamado do Espírito Santo, envia Paulo e Barnabé. O Senhor ordenou a Paulo: “Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até os confins da terra” (At 13). E assim a mensagem do Reino se expandiu…
A mensagem do Reino de Deus se expande no mundo da época, e continua avançando até os dias de hoje, e assim será até o fim estabelecido por Deus.
Na visão de João há “milhares de milhares e milhões de milhões” em volta do trono de Deus. Gente de toda tribo, língua, povo e nação (Apocalipse 4.8-12).
II. Um crescimento fruto do poder que opera internamente
Parábola do “fermento” – “… O Reino do céu é como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada” (Mt 13.33).
O “fermento” muitas vezes aparece na Bíblia como símbolo do pecado (Lv 2.11; 1 Co 5.6-8). Por isso alguns interpretam esta parábola afirmando que o programa do Reino de Deus será corrompido pelo pecado.
Mas nem sempre o fermento simboliza pecado ( Lv 7.13, o fermento presente na oferta de comunhão, e 23.17 presente na Festa das Semanas, de Pentecostes), e creio que o foco de Jesus aqui (diferentemente quando em outra oportunidade Ele adverte sobre o “fermento dos fariseus”) não está no que o fermento é, mas sim no que ele faz e como opera. Ele opera internamente produzindo o crescimento da massa onde está inserido.
Assim, o Reino de Deus cresce a partir de um poder interno que advém do próprio Deus.
Por exemplo quando Paulo fala sobre a Igreja, que é um dos meios para Deus exercer a Sua Soberania, ele escreve “… unido à Cabeça, a partir do qual todo o corpo, sustentado e unido por seus ligamentos e juntas, efetua o crescimento dado por Deus” (Cl 2.19).
Em 1 Co 2.6-9, lemos de Paulo: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem faz crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento…”.
O Reino de Deus cresce, se expande como fruto do poder divino que opera internamente nele. E é nisso que precisamos crer e descansar, e não ter a pretensão de atribuir a forças humanas e externas o sucesso do programa do Reino de Deus.
III. Um crescimento em etapas sucessivas
A parábola da “semente” – “… O Reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente sobre a terra. Noite e dia, estando ele dormindo ou acordado, a semente germina e cresce, embora ele não saiba como. A terra por si própria produz o grão: primeiro o talo, depois a espiga e, então o grão cheio na espiga. Logo que o grão fica maduro, o homem lhe passa a foice, porque chegou a colheita” (Mc 4.26-29).
O agricultor lança a semente, “dorme e se levanta”. Ou seja não precisa haver ansiedade, pois sem a sua ação a semente “germina e cresce” e no final haverá a “colheita”.
A palavra do Reino de Deus se espalha de modo imperceptível e em etapas sucessivas. Os planos de Deus se concretizam de modo gradual e tudo se concluirá.
Rick Warren no livro “Igreja com Propósitos”, fala sobre um tipo de bambu chinês, que cria raízes na terra, e por 4 ou 5 anos nada acontece de modo visível. Mas, de repente ele começa a brotar e crescer, e num período de 6 semanas chega a atingir 30 metros.
Assim é com o programa do Reino de Deus, de modo gradual, sucessivo e por vezes imperceptível ele vai crescendo e se expandindo. No final os propósitos divinos se concretizarão.
CONCLUSÃO
Quando falamos sobre as parábolas do Reino de Deus, e sobre o Reino nos referimos a Sua soberania através do Seu domínio, do Seu governo. E Deus usa meios diferentes para exercer a Sua soberania, e a Igreja é um desses meios, um dos instrumentos.
A Igreja de Jesus Cristo é composta pelos seus discípulos espalhados na face da terra. É composta por todos que nEle crêem como único e suficiente Salvador.
Assim precisamos:
– Ser fiéis e diligentes na proclamação da mensagem do Reino de Deus, do Evangelho de Jesus Cristo;
– Crer no poder de Deus, certos de que é pelo Seu poder que o Reino cresce e se expande;
– Focalizar o Reino de Deus e viver segundo as exigências éticas do mesmo.
Relembremos a pergunta de Jesus:
“Então perguntou Jesus: “Vocês entenderam essas coisas?”, Mateus 13.51.
Relembremos a Sua promessa:
“…Os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça”, Mateus 13.43
Relembremos a Sua afirmação:
– “… Felizes são os olhos de vocês, porque vêem; e os ouvidos de vocês, porque ouvem”, Mt 13.16
Para reflexão:
Eu tenho a convicção de que pela fé em Jesus Cristo já pertenço ao Reino de Deus?
Tenho sido fiel e diligente na proclamação da mensagem do Reino de Deus? Que posso fazer para fiel e diligentemente proclamar a mensagem do Reino de Deus?
Trace planos e passos para “buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”, Mateus 6.33, sabendo que o domínio de Deus deve envolver a totalidade do nosso ser, ter e fazer.
Próxima mensagem – “Um tesouro de grande valor”, Mateus 13.44-46
Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 10.02.2002
Last modified: January 30, 2025