Mensagens bíblicas
As Parábolas de Jesus Cristo
1a. Mensagem
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 24.01. 2002
Entendendo o programa de Deus, Mateus 13
Mensagem: Pessoas com os corações sensíveis e prontos para ouvir a Palavra de Deus, têm a alegria de entender e viver segundo o programa e os princípios do Reino de Deus ( Mt 13.16; 11.25,26).
Esboço:
A. Introdução
Começamos hoje uma série de 18 mensagens bíblicas sobre as parábolas de Jesus Cristo. Alguns comentaristas bíblicos chegam a alistar, nos Evangelhos, mais de 70 parábolas. No entanto durante esta série nós estamos contemplando apenas cerca de 30 parábolas.
Estudamos esta séria com a plena consciência de que “… as Sagradas Letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Tm 3.15-17).
Assim, louvamos a Deus por mais esta oportunidade, privilégio e responsabilidade de estudarmos a Sua Palavra, com a plena consciência que ela é poderosa para salvação e transformação de vidas, produzindo em nós um caráter semelhante ao caráter de Jesus Cristo. E, não há dúvida de que um dos grandes desafios em nossa sociedade atual é de homens e mulheres que têm em si as marcas revolucionárias do Reino de Deus. Reino que “não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17).
Que Deus nos conceda sabedoria para que tiremos do seu “tesouro coisas novas e coisas velhas” (Mt 13.52), e que sejamos reputados por Deus como felizes por termos “olhos que vêem, e ouvidos que ouvem” (Mt 13.16)
B. As Parábolas
O que é uma parábola?
Parábolas não são ilustrações…
“As parábolas de Jesus são uma forma concreta e dramática de linguagem teológica que força o ouvinte a reagir. Elas revelam a natureza do Reino de Deus e/ou indicam como um filho do Reino deve agir.” (Bayley, 1985, SP)
“As parábolas são estórias a respeito de pessoas que viveram em um determinado tempo e lugar.” (Bayley)
As parábolas do Reino de Deus são “… elementos essenciais da revelação de Deus que se estava efetuando concretamente na Pessoa e obra de Jesus o Messias.” ( TASKER, 1980, p. 109)
É o “Método didático do qual se transfere verdades de um campo conhecido (físico) para um campo desconhecido (espiritual).” (Pentecost, OPV)
Para interpretação das parábolas é importante levar em consideração, que as parábolas são partes de uma unidade literária maior, e ela precisa ser examinada. Aliás, uma das máximas da lei de interpretação é que “texto sem contexto é pretexto”. Ou seja, devemos sempre considerar, por exemplo, o contexto bíblico, teológico, histórico e gramatical.
C. O Contexto de Mateus 13
Mateus 13 tem causado confusão. Descreve a igreja? Israel, ou o reino milenar futuro? Podemos afirmar que descreve ambos.
No estudo de hoje destacaremos a parábola do “Semeador”, do “Joio” e a da “Rede de pescar”. No próximo estudo focaremos a parábola do “Grão de mostarda”, do “Fermento” e a da “Semente que brota secretamente” (Marcos 4).
Em Mateus 12 temos o contexto imediato, mas vamos também considerar o contexto anterior. Pois como já falamos, um dos grandes segredos da interpretação está no contexto.
No início do Evangelho de Mateus após a narrativa da genealogia e do nascimento de Jesus Cristo, encontramos a mensagem de João Batista acerca do Reino e do Messias. No batismo de Jesus, por João há o testemunho do Pai acerca do Filho “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mt 3.17).
Em Mateus 4 temos a tentação e a vitória de Jesus, e o início do seu ministério público. Nos capítulos 5 a 7 temos o sermão do monte, e nele Jesus ensinando sobre a verdadeira justiça e o caráter daquele que faz parte do Reino de Deus. A “justiça” religiosa e hipócrita dos fariseus (um grupo religioso da época) foi questionada e rejeitada por Jesus Cristo.
Em Mateus 8 a 11 há um registro de alguns dos milagres de Jesus, que autenticavam a Sua Pessoa e mensagem. Os milagres foram em áreas diversas mostrando a Sua autoridade sobre o pecado, a doença, a morte etc. Milagres, em áreas que por sua vez ilustravam a situação espiritual da nação de Israel. Um estado de corrupção, cegueira, paralisia espiritual etc.
No capítulo 11 Jesus começou “a denunciar as cidades em que havia sido realizada a maioria dos seus milagres, porque não se arrependeram” v. 20. Jesus, o revelador do Pai, v. 27, afirma que no dia do juízo haverá maior rigor para aqueles que O conheceram mas não se arrependeram, do que para aqueles que não tiveram a mesma oportunidade, v. 24.
No capítulo 12, os líderes da nação de Israel levantam uma acusação contra Jesus, dizendo que ele quebrava a tradição dos anciãos, ao violar o Sábado (pois os discípulos “colhiam” o trigo e comiam). Por isso, queriam apedrejar a Jesus, mas Ele os mostra que atos de misericórdia (Davi entra no templo e come do pão que não lhe era permitido comer… vv. 3, 4 ) e de adoração (sacerdotes matando animais no Sábado… v. 5) não eram violação da lei mosaica, mas sim da interpretação e tradição farisaica.
Em todo este contexto, vv. 22 e seguintes, há um fato em especial que devemos destacar, que é o da cura de um endemoninhado, revelando que Cristo derrotou e derrotará o reino de Satanás. No entanto os líderes da nação de Israel queriam demonstrar ao povo que Jesus não era quem ele dizia ser.
Ao interpretar a expulsão de um demônio, eles acusam Jesus de estar agindo sobre o poder de Belzebu, do Diabo. Eles não estavam negando o poder sobrenatural, pois sabiam que há dois poderes – Deus e o diabo, mas estavam atribuindo a ação de Jesus ao diabo.
Não devemos ignorar que o poder de Deus é diferente e maior que o do diabo. Muitos milagres que Jesus operou, o diabo não podia imitar (assim como ocorreu como os magos de Faraó diante de Moisés, segundo o relato no livro de Êxodo, no Antigo Testamento).
Jesus oferece 3 provas pela quais não podia estar operando pelo poder de Satanás.
1ª v. 25,26 – Estaria dividindo o reino contra si mesmo, se Ele agisse pelo poder de Satanás:
2ª v. 27 – Os filhos de Israel expulsavam demônios, mas eles eram bem recebidos pelo povo, e não atribuíam o milagre destes homens a Satanás.
3ª v. 29 – Cristo removeu o poder de Satanás, e este não podia dar a Cristo um poder maior do que ele mesmo (Satanás) possuía.
Nos vv. 31,32 Jesus apresenta a advertência de que eles haviam recebido um testemunho mas O estavam rejeitando. A nação já havia recebido o testemunho, acerca do Messias, por parte dos profetas, de Deus Pai, do próprio Cristo e do Espírito Santo. Tinham rejeitado todos os testemunhos, e ao rejeitarem o testemunho do Espírito Santo (“blasfêmia contra o Espírito”, vv. 30-32), não haveria perdão, salvação, mas sim condenação.
A incredulidade e rejeição deles resultava em julgamento, em condenação – “Pois por suas palavras vocês serão absolvidos, e por suas palavras serão condenados” v. 37.
Após isso, ao pedir a Jesus um sinal miraculoso Ele afirma que apenas lhes seria dado o sinal de Jonas, numa referência a Sua morte e ressurreição. O capítulo 12 se encerra com Jesus revelando que aceita aqueles que estão ligados a Ele por laços de fé, e não pelos laços de sangue. Os judeus pensavam que tinham entrada garantida no Reino dos céus, simplesmente por serem na carne descendentes de Abraão. Mas, assim como ensinou a Nicodemos em João 3, Jesus revela que sem “nascer de novo” (o crer nEle como único e suficiente Salvador) ninguém entrará no Reino dos céus.
A partir deste momento, Jesus se afasta da nação de Israel e começa a investir mais diretamente nos seus discípulos, revelando o programa do Reino de Deus (“os mistérios do Reino dos céus” 13.11) e preparando-os para o ministério que haveria de vir – “fazei discípulos”, Mt 28.18-20.
Podemos resumir o contexto da seguinte forma: Jesus se revela a Israel como Rei e Salvador. Apresenta seus ensinos e milagres. Mas há um contexto de rejeição, de incredulidade e de acusação. Acusam-no de estar agindo sobre o poder do Diabo – blasfemando contra o Espírito Santo de Deus, atraindo sobre si mesmos a ira e a condenação divina. Jesus se volta para os discípulos, revelando o programa do Reino de Deus e preparando-os para o ministério futuro – “fazer discípulos”.
D. UMA PERGUNTA
“Por que falas ao povo por parábolas?”, Mt 13.10
Jesus responde citando uma profecia de Isaías capítulo 6, no Velho Testamento.
Jesus fala sobre o coração insensível do povo. “Olhos” que não viam/entendiam o significado da Sua Pessoa. “Ouvidos” que não escutavam/entendiam as implicações do Seu ensino.
Assim Jesus falava em parábolas para:
Revelar a verdade aos seus discípulos;
Esconder a verdade aos incrédulos (Insensíveis/duros a Sua Pessoa e ensino).
Como vimos em Mateus 12, os homens são responsáveis pela verdade que ouvem e conhecem. Quanto mais conhecem, mais responsáveis diante de Deus e maior a condenação no caso de rejeição.
Jesus por parábolas estava revelando os “mistérios” do Reino, Mateus 13.11 e 35 – “mistério” verdade que até determinado tempo não fora revelado. Havia sido revelado o Reino pelos profetas no Antigo Testamento, mas não o programa do Reino. Com Jesus do “tesouro” são tiradas coisas velhas – familiaridade e coisas novas – sem familiaridade, v. 52.
Mensagem: Pessoas com os corações sensíveis e prontos para ouvir a Palavra de Deus, têm a alegria de entender e viver segundo o programa e os princípios do Reino de Deus ( Mt 13.16; 11.25,26).
Entendendo o Pragrama de Deus
Analisemos 2 características do programa de Deus:
I. Característica – Filhos do Reino semeando a Palavra de Deus.
O Reino de Deus é o completo domínio e influência do poder de Deus sobre todos e todas as coisas.
Aonde o Evangelho de Jesus Cristo é anunciado, crido, apropriado e praticado ali há a presença do Reino de Deus.
Na parábola do “Semeador” e do “Joio”, vemos que Deus age no mundo por meio de duas boas sementes – a Palavra de Deus e os filhos do Reino.
Os filhos do Reino devem saber que haverá diferentes respostas a Palavra, e que nem toda semente produzirá fruto. Mas, a primeira e grande diferença está no “solo”, ou seja no coração humano.
4 tipos de respostas ( Mt 13.18-23):
1. “Beira do caminho” – solo duro, não arado. Ouve a mensagem do Reino, não entende. O Diabo arrebata o que foi semeado no coração.
2. “Pedra” – terra rala, sem raízes. Ouve a mensagem. Recebe com alegria. Mas não tem raiz em si mesmo. Permanece pouco tempo. Surge tribulação ou perseguição por causa da palavra, e logo abandona, desiste. Choca-se ao ver que a vida cristã é muito diferente do que esperava.
3. “Espinhos” – solo despreparado. Ouve a palavra, mas a preocupação desta vida e o engano das riquezas a sufocam, tornando-a infrutífera. Lucas, diz que não amadurecem.
4. “Bom solo” – frutifica. Ouve a palavra. Lucas, diz que entende com o coração bom e generoso, retém e dá fruto com perseverança. Tiago, diz que acolhe com mansidão a Palavra de Deus. Ouve, crê e pratica. Torna-se verdadeiramente um discípulo fiel e frutífero?
II. Característica – Deus permite que o Diabo semeie a má semente.
Na parábola do “Joio” vv. 24s e na da “Rede” vv. 47s, encontramos a 2ª característica.
Deus semeia a boa semente – os filhos do Reino (os “bons peixes” , os justos). Mas o Diabo semeia a má semente – o joio, os filhos do maligno (os “peixes ruins”, os perversos). O grande problema é que aos olhos humanos o “trigo” e o “joio”, e os “bons peixes” e os “peixes ruins” se confundem.
A maioria das pessoas não nota diferença alguma – acham iguais todas as igrejas, todas as religiões, todas as mensagens, todos os líderes cristãos etc.
Não ignoremos que Satanás cega o entendimento do incrédulos e tenta imitar a obra de Deus, aparecendo como “anjo de luz”. Paulo nos mostra isso em 2 Coríntios, no capítulo 4 e no 10. Jesus diz em Mateus 24 que o Diabo faz sinais e maravilhas podendo enganar até os escolhidos.
Por isso, saibamos que no contexto da igreja de Cristo espalhada pelo mundo há “joio” e “peixes ruins”. Tal realidade confunde e atrapalha o programa do Reino de Deus, e esta é a intenção do Diabo.
Há oposição a Deus. Imitação. Falso ensino. Falsos ministros. Falsa doutrina. Falsa igreja de Cristo etc. pois este mundo ainda está sob o domínio do Diabo.
Mas Jesus, Apocalipse 19 a 21, entre outros textos bíblicos, reinará de fato, assim como já reina de lei.
Vemos no programa de Deus que esta era, após a 2ª vinda de Jesus Cristo, vai terminar em juízo, em julgamento – os anjos serão os ceifeiros, vv. 41-43; 49,50. Cristo será o juiz, e separará os salvos (os que nEle crêem / justos) dos não salvos (os incrédulos / perversos). O s não salvos serão rejeitados e condenados eternamente – Jo 3.36 “Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”.
Os poderes do mal farão tudo para resistir ao Reino de Deus (parábola do joio). Mas somos convocados a sermos frutíferos e fiéis, na certeza de que as portas do inferno, não poderão vencer a Igreja de Jesus Cristo e nem impedir que o programa de Deus seja realizada.
Conclusão
A palavra de Deus sempre nos coloca diante de uma difícil situação, pois exige de nós uma decisão, uma tomada de posição. São de Jesus Cristo as seguintes afirmações:
– “Aquele que não está comigo, está contra mim; e aquele que comigo não ajunta, espalha”, Mt 12.30
– “… Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vós o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”, Mt 11.27-30
– “Então perguntou Jesus: “Vocês entenderam essas coisas?”, Mt 13.51.
– “…Os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça”, Mt 13.43
“… Felizes são os olhos de vocês, porque vêem; e os ouvidos de vocês, porque ouvem”, Mt 13.16
Para reflexão:
Que tipo de “solo” caracteriza o meu coração? Quais as conseqüências para a minha vida no presente e por toda a eternidade?
Consigo eu discernir a ação do Diabo para confundir o programa de Deus? Que conhecimento real e crítico tenho da situação presente do Evangelho e da Igreja de Jesus Cristo no Brasil e no mundo?
Quais as marcas do “justo”, do “trigo”, dos “bons peixes”, dos “filhos do Reino de Deus”? Consigo identificar estas marcas na minha vida e na “Família Nova Aliança”? Que devo fazer, ou o que devemos fazer, para que tais marcas sejam sempre presentes em nossas vidas?
O que continua e/ou muda em nossa vida a partir desta mensagem?
Próxima mensagem – “O sucesso do programa de Deus”, Mateus 13.31-33; Marcos 4.26-29
Bibliografia:
Bayley, Kenneth. A poesia e o camponês. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1985
Pentecot, Dwight – notas de uma palestra, num encontro de Pastores e líderes, promovido pela Organização Palavra da Vida, Atibaia, SP, Brasil. Não tenho nota da data …
Rops, Henri Daniel. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1983
TASKER, R. V. G. Mateus introdução e comentário. São Paulo: Ed. Mundo Cristão e Vida Nova, 1980.
Domingos Mende Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil – 24.01.2002
Last modified: January 30, 2025