Se Deus não existe

Se Deus não existe, a vida é estéril, sem propósito, sem significado, sem satisfação, e sem esperança eterna.

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(Nota: procure neste site, o texto da outra versão deste estudo, com o título “Se não há Deus”, Salmos 14 , datada de 05.06.2022. Você encontrará também o vídeo da mensagem)

Mensagens Bíblicas
Domingos Mendes Alves , 15.04.2007

Se Deus não existe, Salmo 14

Mensagem: Se Deus não existe, a vida é estéril, sem propósito, sem significado, sem satisfação, e sem esperança eterna.

Esboço:
Introdução
“Sociedade em desespero” – expectativas de guerras; assaltos e seqüestros; juros altos; desemprego; crises pessoais e familiares…
Desespero é um sentimento de total falta de confiança, de falta de um horizonte promissor.

Em Eclesiastes 2.20, numa cosmovisão de um mudo sem Deus, Salomão escreveu: “Cheguei ao ponto de me desesperar por todo o trabalho no qual tanto me esforcei debaixo do sol”. Desespero, este é um resultado da ausência de Deus.

Se Deus não existe, a vida é estéril, sem propósito, sem significado, sem satisfação, e sem esperança eterna.

Exposição do Salmos 14

I. A crença do tolo – Deus não existe, v. 1
O secularismo, além de destronar Deus, destrói o ser humano (John Stott).

Tolo, insensato “(nabal) sig. Perversidade agressiva, epitomizada na pessoa do Nabal de 1 Sm 25:25” (DereK Kidner).

A. A grande fonte do pecado: a alienação de Deus.

B. O local do domínio – o coração / a mente.
A negação de Deus é um suicídio mental e moral.

Soren kierkegaard, 1813-1855, filósofo e sociólogo dinamarquês, (“A Enfermidade para a Morte”) , argumentou que por trás de todo o desespero, está não a privação que se sente por causa do infortúnio terrestre mas, sim, o desespero diante da perda do verdadeiro ego e, portanto, da perda do Deus eterno que constitui o ego. Mesmo assim, o desespero é a “passagem para a fé” e, à medida que se torna mais intenso, coloca a pessoa mais perto da salvação. Para ele nas várias etapas (estética – espontaneidade e libertinagem; ética – boa consciência; e religiosa – “resignação infinita”) da existência humana, a religião (o cristianismo) é, assim, a etapa mais elevada da existência humana. (Larousse Cultural)

Mas, como valorizar esta etapa numa sociedade secularizada?

Sociedade secularizada.
Numa sociedade secularizada afirma-se que o cristianismo é para os deprimidos, os abatidos e os fracos.
A questão religiosa é tratada como um assunto puramente subjetivo ou emocional que envolve preferências pessoais geradas por necessidades e fraquezas.

Para o secularismo teórico – “Não há Deus” (Segundo Salmos 14.1, é o insensato quem faz tal afirmação), e para o secularismo pragmático – “Não me preocupo com Deus, sou indiferente”.

Vejamos alguns pensadores, e conseqüências do secularismo –
E, “Se Deus não existe, tudo é permitido” (Dostoevski); alternativamente, Se Deus não existe, “a realidade mais relevante é a liberdade individual, e sua expressão suprema é o suicídio”.
Bertrand Russel, 1872-1970, filósofo, lógico e matemático britânico, fundador da lógica do séc. XX, aceitava o nada como destino final, enfrentando-o com dignidade e coragem.
O “niilismo”, popularizado pelo novelista russo Turgenev, significava a rejeição total da moralidade, da tradição, da autoridade e da ordem social. Ceticismo filosófico negando as bases da verdade e da moralidade.

Thomas S. Elliot, 1888-1965, poeta inglês de origem americana, estudou em Havard, Oxford e Sorbonne, adotou a fé anglicana, e chamava este mundo de “terra do lixo”, ou “terra devastada” (sua obra prima, 1922).

Theodore Roszak (“Onde termina a terra do nada”) escreveu: “Pois o que a ciência é capaz de medir é apenas uma pequena porção de que o homem pode conhecer. Nosso conhecimento estende-se em busca do Sagrado”. “Sem transcendência “a pessoa encolhe”.

O secularismo, além de destronar Deus, destrói o ser humano. (Stott).

Mas, dizem alguns que este mesmo homem destruído, fraco, inventa “Deus” , por causa das pressões, dos temores e fraquezas humanas (como a criança que se sente só e conversa com os seus heróis imagináveis).
Para Freud, 1856-1939, médico austríaco, fundador da psicanálise moderna, a religião foi inventada para que o homem possa tratar com as forças hostis e impessoais da natureza.

Para Karl Marx, teórico do socialismo e revolucionário alemão, a “Religião é o ópio do povo”. Para Marx, a religião foi inventada pelos ricos, como um instrumento de manter as massas em seu lugar, ao enfatizar virtudes como trabalho, serviço, humildade e obediência – a religião dá uma espécie de “dignidade” espiritual aos oprimidos, e a promessa de uma vida futura cheia de felicidade (mel, ouro etc. nos céus; enquanto isso, os ricos aproveitam estas coisas nesta vida presente…). A ética religiosa e a promessa dos céus mantêm as massas embriagadas como uma espécie de ópio (pergunto – será que o carnaval, o futebol etc. não fazem isto hoje, no nosso contexto brasileiro?).

Para Nietzsche, Feuerbach, Russel e Sartre, apesar de algumas diferenças de argumento entre eles, há um ponto em comum – a religião deve sua origem e poder sustentador as necessidades psicológicas.

Toda esta ausência de Deus nos joga no ativismo procurando o sentido e a satisfação da nossa existência. E, parafraseando, o que certa vez ouvi do Dr. Samuel Kamaleson, ao falar sobre religião (não o cristianismo, mas a religião focada no ser humano), eu proponho que no ativismo o amor se torna mercado; a fé, programa; Deus, meio; e o sucesso, o fim em si mesmo.

Como alguém já afirmou:

– Sucesso que traz auto-satisfação, e nos rouba a perspectiva do outro;
– Sucesso que traz auto-suficiência, e nos rouba a dependência de Deus (afinal para que preciso de Deus);
– Sucesso que nos afadiga – como disse Lars Grael o problema não é chegar, mas se manter no topo. E com certeza meu amigo, um vez no topo, descer dele representa fracasso. E vivemos num mundo que não perdoa os “fracassados e derrotados”. A empresa nos cobra, assim como a família, a sociedade e nós mesmos… Tudo isso nos traz úlceras, ou leva para as drogas, alcoolismo, prostituição etc.;
– Sucesso que nos insensibiliza – perdemos o contato com o simples (Brincar com os filhos; andar descalço; pegar uma fruta na árvore; orar; cultuar a Deus; estudar a Bíblia etc., isto é “pequenos”, ou pessoas desocupadas, pois quem tem “sucesso” tem agenda cheia e não tem tempo para tais simplicidades. Esta era a visão dos que olhavam Jesus como o Mestre, e como tal não podia lidar com o simples, mas o Mestre simples nunca deixou o simples, e era isso que o fazia e fez Grande);
– E, sucesso que nos megaliza – só nos satisfazemos com o que é grandioso.

Lembre-se que acima dissemos que numa sociedade secularizada afirma-se que o cristianismo é para os deprimidos, os abatidos e os fracos. A questão religiosa é tratada como um assunto puramente subjetivo ou emocional que envolve preferências pessoais geradas por necessidades e fraquezas.

Admitamos: (R. C. Sproul)
Que o ser humano:
Tenha imaginação e criatividade, e capacidade para transformar fantasias em teorias ou sistemas religiosos;
Encontre conforto e consolo na religião;
É por vezes atraído por causa de suas necessidades emocionais, psicológicas;
Mas o mesmo pode ser dito sobre o ateísmo, a negação da existência de Deus – Yuri Gagarin, cosmonauta soviético após uma viagem espacial, disse: “Não vi Deus nenhum lá fora”. Há profundas razões que levam os indivíduos a negar Deus:
Desilusões com religiões e religiosos;
Perdas e dores profundas;
Questionamentos diante de certos mistérios e acontecimentos em sua vida e/ou ao seu redor;
Interesses pessoais;
Culpas e angústias íntimas, gerando profunda tristeza, insatisfação e desespero.
Como vemos existem igualmente profundas razões emocionais e psicológicas para se negar a existência de Deus.

A não existência de Deus é suposta.
É preciso estabelecer primeiro que de fato Deus não existe.
Por mais que questões emocionais, psicológicas ou racionais possam ser fundamentais, não são fatores decisivos com o que de fato aconteceu no passado – a questão fundamental é histórica (ontem ,hoje e amanhã).

A resposta Bíblica.
Na Bíblia, V. T. em Gênesis 1.1, lemos “No princípio criou Deus…”.
No N. T. o apóstolo Paulo em Romanos 1.18, fala da revelação de Deus através da ordem criada – e precisamos admitir:
algo não pode surgir do nada;
as palavras “acaso” e “geração espontânea” são termos vazios;
se algo existe agora, algo sempre existiu;
o Deus da Bíblia é auto-existente;
O mundo evidencia propósito, desígnio.
Mas, diz Paulo que o homem “suprime” a verdade de Deus. “Suprimem”, palavra grega “katakein”, sufocar, restringir, suprimir, reprimir e impedir. O Dicionário Webster, define “repressão” como “o processo pelo qual desejos ou impulsos inaceitáveis são excluídos da consciência e, ao ser negada assim a sua satisfação, eles passam a operar no subconsciente”.
O ser humano reprime naturalmente a verdade de Deus por ser contrária ao seu estilo de vida – ele se recusa a reconhecer o que sabe ser verdadeiro. Há tempos fui procurado por um professor de Biologia da USP. Ele estava em conflitos íntimos, pois depois de haver ensinado por anos sob uma perspectiva evolucionista, mais e mais chegava a questionar se de fato não havia por detrás da criação e dos ministérios da vida. Emprestei um livro sobre “Criação e evolução”, escrito por um cientista britânico que crê em Deus, em Jesus Cristo e na revelação bíblica.
Ao reprimir a verdade, Paulo diz em Romanos 1.25, que o homem troca, substitui a verdade de Deus pela mentira. Ele troca a verdade pela religiosidade antropocêntrica, idolatria, misticismo, ativismo etc. Mas, a verdade está no subconsciente ( Paulo em Romanos, fala na norma de Deus gravada no coração; e, Salomão, em Eclesiastes fala na busca pelo significado da vida, e o anseio por justiça e eternidade) – então ele fala “no poder do alto”, nas “forças sobrenaturais” etc. São divindades sem rosto, sem nomes, que não ameaçam seu estilo de vida, e não fazem exigências… – como o faz, o Deus da Bíblia, Infinito e Pessoal, que se revelou em Jesus Cristo.

Na relação com o Deus da Bíblia, Criador, teme-se Sua:
– Santidade (por que confronta nosso pecado);
– Onisciência (que confronta nossa privacidade – o fantasma do “Grande irmão” de George Orwell – “Big Brohter” que nos espia… mas, gostamos de espiar!!!);
– Soberania (que contraria nossos interesses pessoais. Aí “se não houver Deus, tudo é permitido” (Dostoevski));
– Onipotência (medo de ser esmagados por um poder que nos pode prejudicar);
– e, Sua Imutabilidade (Deus não vai mudar, não posso manipulá-lo, corrompê-lo… Ele é e será sempre o mesmo).

Paulo afirma em Efésios 2 que o homem que está no mundo, sem Deus e sem Cristo, está sem paz e sem esperança.

II. Os caminhos do tolo, vv.1-6
A. Corromperam-se e cometeram atos detestáveis, vv.1,3; Rm 1.28-32; 2 Tm 3.1-5;
“corrompem-se; cf. Gn 6:12, com respeito a Deus” (abominação se refere primariamente a algo que é ofensivo para Deus), e em relação ao próximo (não há quem faça o bem)” (Derek Kidner).
v. 3 – “se corromperam”, ficaram completamente podres…

B. Sem entendimento e sem busca a Deus, v.2; 10.4; Rm. 3.9-20;
Não age com sabedoria…

C. Oprimem o povo de Deus, v.4;

D. Não clamam “ao” e “pelo” Senhor, v.4;

E. Estão tomados de pavor, v.5;
Sl. 53.5; Is. 2.19ss; Ap 15ss.
“No fim, aquele Rosto que é o deleite ou o terror do universo tem de ser voltado a cada um de nós…, ou outorgando glória inexprimível ou impondo vergonha que nunca poderá ser curada ou disfarçada” (C.S. Lewis, The Weigth of Glory, 1949, p. 28).

F. Frustram os planos dos pobres, v.6

Conclusão:
Salmo 14.1-3, diz o insensato: “Não há Deus”.

Se Deus não existe, a vida é estéril, sem propósito, sem significado, sem satisfação, e sem esperança eterna.

No Salmo 15, podemos ver que aquele que confia em Deus e tem um viver obediente a Ele, também tem comunhão com Ele e, vive na prática do bem e da justiça.

Precisamos de um encontro pessoal com Deus, e a mediação de Jesus Cristo, Senhor e Salvador (Mateus 11.27-30 – Ele que disse: “Vinde a mim… e achareis descanso para as vossas almas)” (Sl. 14.6, 7).

Deus existe! Ele é Infinito e Pessoal, se revela em Cristo Jesus, e nós podemos conhecê-Lo e nos relacionar com Ele. É esta verdade que nos dá a sustentação e a razão para o viver bem sucedido no presente, e a gloriosa esperança para toda eternidade.

Em Cristo:
– não preciso temer a santidade divina, pois sei que Ele que perdoa e tem como projeto transformar-me mais e mais a Sua semelhança;
não preciso temer a soberania divina, pois sei que Deus tem o controle sobre todas as coisas e a verdadeira felicidade é fruto do viver sob Sua direção;
– não preciso temer a onisciência divina, pois sei que o Deus que conhece todas as coisas me aceita e ama do jeito como sou, sem deixar de investir para que eu não continue como sou;
– não preciso temer a sua onipotência, pois sei que Ele é maior e mais poderoso do que todos os meus problemas;
e não preciso temer a sua imutabilidade, pois a certeza de que Ele não muda me dá a segurança para hoje e o amanhã.

Conheça, compreenda, creia, aproprie-se e viva a verdade de Deus.

Dicas para você aprofundar seu relacionamento pessoal com Deus, por meio de Jesus Cristo, e no poder do Espírito Santo:
– Ler a Bíblia todos os dias, a fim de conhecer melhor a Cristo e Sua vontade (participe da Escola Bíblica e ou do Centro de Capacitação);
– Falar com Deus em oração todos os dias;
– Falar de Cristo aos outros (Projeto Pesca, Mc. 1.17);
– Adorar, ter comunhão e servir ao Senhor, juntamente com outros cristãos na igreja (participe de Grupos Pequenos);
– Demonstrar através da sua vida e amor e cuidado de Deus para com as outras pessoas.

Pr. Domingos M. Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil
Abril 2007

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