Mensagens bíblicas
Série: 1 Pedro – Esperança da glória
11a. Mensagem
Domingos Mendes Alves – 16.08.2020 (Nota: o esboço neste site é de DMAlves, mas, no vídeo a pregação é o Pr José Augusto)
A cidadania do discípulo de Cristo, 1 Pedro 2.13-17
Mensagem: O discípulo de Cristo, embora cidadão dos céus (Fp 3.20) vive neste mundo, e como cidadão deve viver segundo a ética do Reino de Deus, para que Deus seja honrado e o homem desafiado a conhecer a Jesus Cristo.
2.13 Por causa do Senhor, estejam sujeitos a toda instituição humana, quer seja ao rei, como soberano, 14 quer seja às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. 15 Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos. 16 Como pessoas livres que são, não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; pelo contrário, vivam como servos de Deus. 17 Tratem todos com honra, amem os irmãos na fé, temam a Deus e honrem o rei.
Esboço:
Introdução
Muitas vezes os cristãos são acusados de serem alienados das questões políticas, sociais etc. outras vezes são acusados de terem um estilo de vida que discrimina outras pessoas, outros grupos sociais, etc. Até que ponto não há verdade nestas e em outras acusações?
Veremos no estudo de hoje, de que viver segundo princípios bíblicos, é “praticar o bem” (v. 15). é viver como “servos de Deus” (v. 16), e desta maneira silenciar “a ignorância dos insensatos (caluniadores, v. 12)”, (v. 16).
“… Um padrão exemplar (“boas obras” v. 12), evidencia o poder e a graça de Deus para suprir as necessidades dos homens, chamar a atenção dos que ainda não foram convertidos, despertar seu apetite para um a salvação semelhante e serem salvos. Então aqueles que antes criticavam glorificarão a Deus por causa da vida espiritual de um verdadeiro cristão” (Welch).
Neste texto de 1 Pedro, examinaremos três padrões de procedimento segundo a ética do Reino de Deus: autoridade, liberdade e dignidade (respeito).
Exposição de 1 Pedro 2.13-17
I. A autoridade e o discípulo de Cristo
2.13 Por causa do Senhor, estejam sujeitos a toda instituição humana, quer seja ao rei, como soberano.
A. O reconhecimento da autoridade
1) Autoridade em princípio
a) O caráter de Deus pressupõe autoridade
“No princípio Deus…” Gn 1.1
“…tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque isto é o essencial para o homem. Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mau”, Ec 12.13,24.
Deus está no princípio… Ele é o Senhor… Rei dos reis… Ele tem autoridade sobre todos e todas as coisas.
“que, depois de ir para o céu, está à direita de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, potestades e poderes.”, 1 Pe 3.22
b) A criação de Deus requer autoridade
“…Encham e subjuguem a terra. Dominem sobre…” Gn 1.28
Deus deu ao ser humano autoridade sobre a criação…
c) Os filhos de Deus precisam autoridade
“Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo”, Ef 5.21
A tendência natural do ser humano, desde a infância, é rejeitar todo o tipo de autoridade.
Por livre escolha devemos viver em sujeição mútua. Isto é essencial para o viver bem em comunidade.
2) Autoridade em prática
2.13 Por causa do Senhor, estejam sujeitos a toda instituição humana, quer seja ao rei, como soberano.
a) Autoridade tem sido instituídas – v. 13; Rm 13.1
As autoridades foram constituídas por Deus.
Rm 13.7 “… Daí tributo, imposto, temos, honra”.
1 Co 11.3 “3 Quero, porém, que saibam que Cristo é o cabeça de todo homem, e o homem é o cabeça da mulher, e Deus é o cabeça de Cristo.”.
Há aqui foco nas funções diferentes do marido – mulher, Deus Pai – Deus Filho (Cristo), não se referindo a graus de superioridade.
Ef 6.1 “Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isto é justo.”
Ef 6.5 “Quanto a vocês, servos, obedeçam a seus senhores aqui na terra com temor e tremor, com sinceridade de coração, como a Cristo”
Hb 13.17 “Obedeçam aos seus líderes e sejam submissos a eles, pois zelam pela alma de vocês, como quem deve prestar contas…”
A tendência natural do ser humano, desde a infância, é rejeitar todo o tipo de autoridade…
b) Responsabilidades tem sido indicadas – v. 14
2.14 quer seja às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem.
O Estado, os magistrados etc. devem: “… não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal…” Rm 13.3; 1 Pe 2.14
Os maridos devem liderar em amor, cuidar, nutrir etc. Ef 5.21-31
Os pais não devem provocar seus filhos a ira, desanimá-los, mas criar na doutrina e admoestação do Senhor, Ef 6.4
Os senhores devem respeitar e fazer o bem para com os seus subordinados, Ef 6.9
Os pastores devem velar pela alma daqueles que estão sob os seus cuidados, Hb.13.17
B. A resposta a autoridade
1) Submissão porque é ordenada pelo Senhor – v. 13
E a vontade de Deus “boa, perfeita e agradável”, Rm 12.2
2) Submissão foi uma das “marcas” de Jesus Cristo
No contexto de pagamento de impostos, Jesus disse: “… Então Jesus lhes disse: — Deem, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”, Mt 22.21; Fp 2.8
3) Submissão é “prática do bem”, v. 15
2.15 Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos.
Submissão é um ato e uma atitude que agrada a Deus.
4) Insubordinação quando a submissão contraria a autoridade de Deus – At 5.29
Não devemos nos sujeitar aos homens, quando a sujeição aos homens significar desobediência à autoridade de Deus.
II. A liberdade e o discípulo de Cristo, v.16
2.16a Como pessoas livres que são …
O mesmo homem que se sujeita é também um homem livre.
A sujeição não é uma negação da liberdade, mas antes uma expressão da liberdade – pois resulta de uma livre escolha.
A. A experiência da liberdade
1) A lei da liberdade em termos de definição – Tg 1.25
Em Cristo somos livres da “escravidão do pecado” e livres para escolhermos viver para Deus – amando-o e amando uns aos outros.
2) Os limites da liberdade em termos da dependência – Gl 5.13
A minha liberdade deve ser usada tendo em vista o serviço ao próximo.
Alguém já disse “que a nossa liberdade termina, onde começa a liberdade do outro”.
3) A vida de liberdade em termos de discipulado – v. 16c
2.16c … vivam como servos de Deus.
O discípulo de Cristo é servo de Cristo, e como tal vive em sujeição a Sua vontade, Rm 14.7-9
B. Os excessos da liberdade – v. 16b
2.16 … não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal …
A liberdade deve ser vivida dentro dos limites estabelecidos por Deus, nas Escrituras.
1) Liberdade como desculpa para a “carne” e coisas ilegais
“carne” – Natureza pecaminosa; tendência para a prática do mal (o que não agrada a Deus).
Sou livre então devo satisfazer os desejos da “carne” e não devo satisfação para ninguém. O corpo, o dinheiro, o tempo, etc., é meu, e faço o que eu quero!!!
2) Liberdade como desculpa para a preguiça
Há pessoas que não se esforçam par envolver-se, ajudar, participar, etc., quando há oportunidades de trabalho, serviço no lar, na Igreja, na comunidade em geral, no auxílio aos outros… Simplesmente fazem o que tem obrigação de fazer, nada mais.
C. O exercício da liberdade – v.16
1) Viva como uma pessoa livre
Saiba que você tem a liberdade de fazer escolhas, de fazer a sua “agenda” (compromissos / projeto de vida) – não permita que outros determinem a sua “agenda” de vida.
Minha agenda de vida: Família, pastoreio – supervisão e capacitação da igreja, missões, ensino e proclamação da palavra de Deus, cidadania… Isto, deve ocorrer sob oração e segundo os princípios bíblicos, para honra e glória de Deus.
2) Mostrar claramente os atos da submissão
Use a liberdade em Cristo para escolher “tratar todos com respeito”, “amar os irmãos”, “temer a Deus”, e “honrar as autoridades” (veremos no ponto III. B)
III. A dignidade e o discípulo de Cristo
A. Acesso do crente à dignidade – v. 17
2.17 Tratem todos com honra, amem os irmãos na fé, temam a Deus e honrem o rei.
1) A dignidade do Senhor Jesus Cristo, revelado como Deus
“Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas e por tua vontade elas vieram a existir e foram criadas.”, Ap 4.11
2) A dignidade do indivíduo criado por Deus
Todo indivíduo foi criado a “imagem e semelhança de Deus” (Gn 1.26,27) e tem sua dignidade, seu valor…
3) A dignidade da comunidade redimida por Deus
A igreja de Jesus Cristo foi instituída por Deus Pai, comprada pelo “sangue de Jesus Cristo” (At 20.28) e, assim deve ser valorizada. Assim, como todas as demais instituições divinas: família e governo.
B. A afirmação cristã da dignidade
2.17 Tratem todos com honra, amem os irmãos na fé, temam a Deus e honrem o rei.
1) Tratar a todos com o devido respeito – v. 17
Não faça acepção de pessoas, por diferença social, tez da pele, religião, formação acadêmica … Trate a todos como criatura de Deus, e dignas de respeito. Não despreze, não maltrate. Coopere em questões sociais visando uma comunidade mais humana, mais digna e mais justa.
2) Amar os irmãos – v.17
“Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.”. Gl. 6.10
“Tendo purificado a alma pela obediência à verdade, e com vistas ao amor fraternal não fingido, amem intensamente uns aos outros de coração puro”, 1 Pe 1.22
O amor está relacionado com o caráter de Deus (1 Jo 4.8) e com um comportamento que visa o bem do outro.
3) Temer a Deus – v. 17
“De tudo o que se ouviu, a conclusão é esta: tema a Deus e guarde os seus mandamentos, porque isto é o dever de cada pessoa. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más.”, Ec 12.13,14
Leve Deus a sério. Fuja do que O desagrada. Viva segundo a Sua vontade revelada nas Escrituras – Palavra de Deus.
4) Honrar o rei – v. 17
Tenha uma atitude de respeito para com as autoridades, para com as instituições humanas.
Ore por elas… “Orem em favor dos reis e de todos os que exercem autoridade, para que vivamos vida mansa e tranquila, com toda piedade e respeito.” 1 Tm 2.2
Dentro de suas possibilidades, e dentro dos limites legais, procure influenciar as autoridades para que vivam e façam aquilo que é justo e bom aos olhos de Deus.
Conclusão / Desafios
Lembre-se, de que viver segundo estes princípios bíblicos, é “praticar o bem” (v. 15), é viver como “servos de Deus” (v. 16), e desta maneira silenciar “a ignorância dos insensatos (caluniadores, v. 12)”,(v. 16).
“…Um padrão exemplar (“boas obras”. v.12), evidencia o poder e a graça de Deus para suprir as necessidades dos homens, chamar a atenção dos que ainda não foram convertidos, despertar seu apetite para uma salvação semelhante e serem salvos. Então aqueles que antes criticavam glorificarão a Deus por causa da vida espiritual de um verdadeiro cristão” – Welch
Próxima mensagem – 1 Pedro 2.18-25
Lembre-se:
A sua responsabilidade, debaixo da graça e capacitação divina, é a de perseverante e confiante aplicar os princípios e as verdades divinas que tens ouvido (Fp.2.12 -13; 1 Tm. 4.7-9; Tg 1.22-27).
Ao meditar nesta mensagem, pergunte-se:
O que Deus quer transformar no meu modo de pensar e agir?
Como eu posso colocar isto em prática na minha vida?
Qual o primeiro passo que darei nessa direção (para que haja real transformação em minha vida)?
Conheça… creia…Aproprie-se… E, pratique a verdade divina para que experimenteis a vida plena que há em Jesus Cristo – Jo. 10.10
Bibliografia:
Bíblia Nova Almeida Atualizada© Copyright © 2017 Sociedade Bíblica do Brasil.
Keller, Timothy. “Refined By Fire” 1 Peter 1:1-9, April 24, 2011 – http://www.christcovenantcullman.org/sermonnotes/notes-04-24-11.html
MacArthur, John. Bíblia de Estudo, texto ARA. Barueri, SP: Sociedade Biblica do Brasil, 2010.
Mueller, Ênio R. 1 Pedro, introdução e comentário – Série Cultura Bíblica. São Paulo, SP: Ed. Vida Nova & Ed. Mundo Cristão, 1988.
Pinto, Carlos Osvaldo C. (1950 – 2014). Foco e desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008.
Piper, John. Teologia da alegria: a plenitude da satisfação em Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2001.
Raymer, R. M. (1985). 1 Peter. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 2, p. 839–840). Wheaton, IL: Victor Books.
Rienecker, Fritz & Rogers, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo, SP: Ed. Vida Nova, 1985.
Wiersbe, Warren W. Comentário Expositivo: Nova Testamento: volume II. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006.
Domingos Mendes Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil
Agosto de 2020
Last modified: January 26, 2025