Proclamadores das virtudes de Deus

O ser humano alcançado pela misericórdia de Deus torna-se parte do povo de Deus, tendo em Jesus Cristo a tremenda responsabilidade e o privilégio de ser proclamador das gloriosas virtudes divinas.

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Mensagens bíblicas
Série: 1 Pedro – Esperança da glória
9a. Mensagem
Domingos Mendes Alves – 02.08.2020 (Nota: o esboço no site é de DMAlves, mas, no vídeo a pregação é o Pr Hélder Cardin)

Proclamadores das virtudes de Deus, 1 Pedro 2.9,10

1 Pe 2.9 Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. 10 Antes, vocês nem eram povo, mas agora são povo de Deus; antes, não tinham alcançado misericórdia, mas agora alcançaram misericórdia.

Mensagem: O ser humano alcançado pela misericórdia de Deus torna-se parte do povo de Deus, tendo em Jesus Cristo a tremenda responsabilidade e o privilégio de ser proclamador das gloriosas virtudes divinas.

Esboço:
Introdução
Na última mensagem em 1 Pe 2, nós refletimos nos vv. 4 a 8, focando “Jesus Cristo a “Pedra” viva”, e concluímos com o desafio, de que: os verdadeiros cristãos, como “pedras que vivem”, têm o privilégio de ser “habitação espiritual de Deus e sacerdócio santo” – a fim de oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo”.

Hoje, 1 Pe 2.9,10, nós focaremos, uma outra grande responsabilidade e privilégio, como “povo de Deus” – o propósito, a missão de proclamar as gloriosas virtudes de Deus.

Exposição de 1 Pedro 2.9,10

1 Pe 2.9a Vocês, porém
Vocês, porém …
Primeiramente, isto no leva a olhar para o versículo 8.
2.8 E: “Pedra de tropeço (‘proskomma’ obstáculo no caminho que leva a pessoa a cair … ) e rocha de ofensa (‘skandalon’, armadilha, cilada, qualquer pessoa ou coisa pela qual alguém (torna-se presa …).”

São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes (‘apeitheō’, recusar a crer), para o que também foram destinados (‘tithēmi’, colocar, pôr, estabelecer, apontar …).

“Não foram destinados por Deus para ser desobedientes e incrédulos. Em vez disso, foram destinados à condenação por causa da desobediência e incredulidade. O juízo pela incredulidade foi determinado por Deus assim como a salvação o foi pela fé.” (MacArthur, p. 1731)

Vocês, porém …
Em segundo lugar, isto nos leva a considerar as afirmações seguintes …
1 Pe 2.9a Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus …

Vocês, porém, “as pedras que vivem” (2.5), são:
I. Geração eleita (eklektos genos)
1.1,2; Ef 1.4,5; Rm 8.33
Recordando o que estudamos na 1a. Mensagem, desta série:
Antigo Testamento – Israel, o povo escolhido – Dt 7.6-8; Is 41.8-10; 45.5; Am 3.1,2
Novo Testamento – Igreja, a comunidade escolhida, v. 2; aos cristãos, escolhidos por Deus para salvação por meio de Jesus Cristo – 2.9,10; Rm 8.33; Ef 1.3-7.

“A eleição ou predestinação de Deus não opera à parte da responsabilidade do ser humano de crer em Jesus Cristo como Senhor e Salvador ou a anula (cf. Mt 3.1,2; Jo 5.40)”. (MacArthur, p. 1600)

Eleitos, segundo a presciência (‘prognosis’) de Deus Pai – conforme foi predeterminado no conhecimento de Deus Pai; ou seja, a escolha foi de acordo com o planejado por Deus Pai, por Sua graça, e não pelos méritos humanos…

Essa salvação já estava na mente de Deus (Mueller, p. 71).

“A escolha de Deus faz parte de Seu plano predeterminado, e não se baseia em nenhum mérito humano daqueles que são eleitos, mas apenas em Sua graça e amor por eles antes de sua criação” (Raymer, Vol. 2, p. 840)

A doutrina da eleição não pode ser negada, pois é evidente na Palavra de Deus. Deus segundo a sua livre e soberana vontade, misericórdia e graça, Ele escolhe para a salvação eterna, não havendo nenhum mérito humano neste processo…

Vocês, porém, “as pedras que vivem” (2.5), são:

II. Sacerdócio real (basileios hierateuma)
Sacerdócio Santo – 1 Pe 2.5a … sacerdócio (‘hierateuma’, eleitos e capacitados por Deus, para o seu serviço …) santo (hagios’, separados do mal, consagrados a Deus; perdoados e purificados do pecado … ).
Sacerdócio real – pertencente a Reino de Deus…

E, “participam da realeza de Cristo (cf. Ap 1.6; 5.10; 20.4,6; 22.5)”. (Muller, p. 135)

Vocês, porém, “as pedras que vivem” (2.5), são

III. Nação santa (hagios ethnos)
Separados do mal, pecado, sendo consagrados para o viver agradável a Deus.

Vocês, porém, “as pedras que vivem” (2.5), são

IV. Povo de propriedade exclusiva de Deus (‘eis peripoiēsis laos’ – “para obter ou preservar”)

Os cristão são um povo especial porque Deus os preservou para si mesmo (Raymer, Vol. 2, p. 845–846).

2.2.9b … daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. 10 Antes, vocês nem eram povo, mas agora são povo de Deus; antes, não tinham alcançado misericórdia (‘eleeō’), mas agora alcançaram misericórdia (‘eleeō’).
Antes do crer em Jesus, estávamos nas “trevas” – pecado, mentira, alienados, ignorantes de Deus, mortos espiritualmente… Mas, chamados, atraídos pelo evangelho de Jesus Cristo, nós estamos na “luz” – santidade, verdade, comunhão com Deus, vida eterna …

Tt 3.4 Mas quando se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor por todos, 5 ele nos salvou, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia. Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, 6 que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, 7 a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. (Cf. 1 Jo 1.1-2.6)

Conclusão / Desafio:
1 Pe 2.9a Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus …

Como Israel era “um povo escolhido, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo pertencente a Deus”, também hoje os crentes são escolhidos, são sacerdotes, são santos e pertencem a Deus. Semelhança não significa identidade (Raymer, idem).

Ou seja, apesar da semelhança, a Igreja não é Israel (AT – Êx 19.5,6; Dt 7.6 etc.), e nem Israel é a Igreja (NT – 1 Pe 2.9,10).

O ser humano alcançado pela misericórdia de Deus torna-se parte do povo de Deus, tendo em Jesus Cristo a tremenda responsabilidade e o privilégio de ser proclamador das gloriosas virtudes divinas.

2.9b … a fim de proclamar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

Proclamar (‘exaggellō’) – declarar publicamente, tornar conhecido …

Virtudes (‘aretē’) – excelências, méritos, qualidades, louvores … , Fp 4.8; 2 Pe 1.3,5

2 Pe 1.3 Pelo poder de Deus nos foram concedidas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude. 4 Por meio delas, ele nos concedeu as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vocês se tornem coparticipantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção das paixões que há no mundo. 5 Por causa disso, concentrando todos os seus esforços, acrescentem à fé que vocês têm a virtude; à virtude, o conhecimento.

Os cristãos devem viver para que as qualidades de seu Pai celestial sejam evidentes em suas vidas. Eles devem servir como testemunhas da glória e graça de Deus, que os chamou das trevas para Sua maravilhosa luz. Pedro (1 Pedro 2:10). (Raymer, idem)

Ef 5.8 Porque no passado vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz 9 — porque o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade —, 10 tratando de descobrir o que é agradável ao Senhor.

Mt 5.13 — Vocês são o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. 14 — Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no alto de um monte. 15 Nem se acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto, mas num lugar adequado onde ilumina bem todos os que estão na casa. 16 Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus.

At 1.8 Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra.
(Nota: a partir do cumprimento, em At 2, da promessa da descida do Espírito Santo, todo o verdadeiro cristão já tem o Espírito Santo – Ef 1.13,14; Rm 8; 1 Co 12.12-14; 1 Jo 2.27,28 …; tendo sim, o desafio permanente de andar, de viver cheio do Espírito Santo … – Gl 5.16-25; Ef 5.18 … )

Desafios finais:
– No Espírito Santo, tendo como base a sã doutrina, desenvolva fortes convicções sobre “Jesus Cristo a pedra que vive, a pedra angular, eleita e preciosa para Deus”, e convicções sobre a a sua identidade e missão corporativa (Vocês … vv. 5,9,10)Nele como “pedra viva” …
– Defenda o que é eternamente bom, e rejeite todo o tipo e forma de – pecado, do que não agrada a Deus, não é segundo a verdade, O ofende …
– Viva no Espírito Santo com integridade, tendo um estilo de vida que glorifique a Jesus Cristo…
– Orando no Espírito Santo, fale dos atributos de Deus, por exemplo revelados no Evangelho de Jesus Cristo – amor, santidade e justiça.

Próxima mensagem – 1 Pedro 2.11,12

Lembre-se:
A sua responsabilidade, debaixo da graça e capacitação divina, é a de perseverante e confiante aplicar os princípios e as verdades divinas que tens ouvido (Fp.2.12 -13; 1 Tm. 4.7-9; Tg 1.22-27).

Ao meditar nesta mensagem, pergunte-se:
O que Deus quer transformar no meu modo de pensar e agir?
Como eu posso colocar isto em prática na minha vida?
Qual o primeiro passo que darei nessa direção (para que haja real transformação em minha vida)?
Conheça… creia…Aproprie-se… E, pratique a verdade divina para que experimenteis a vida plena que há em Jesus Cristo – Jo. 10.10

Bibliografia:

Bíblia Nova Almeida Atualizada© Copyright © 2017 Sociedade Bíblica do Brasil.
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Pinto, Carlos Osvaldo C. (1950 – 2014). Foco e desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008.
Piper, John. Teologia da alegria: a plenitude da satisfação em Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2001.
Raymer, R. M. (1985). 1 Peter. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 2, p. 839–840). Wheaton, IL: Victor Books.
Rienecker, Fritz & Rogers, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo, SP: Ed. Vida Nova, 1985.
Wiersbe, Warren W. Comentário Expositivo: Nova Testamento: volume II. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006.

Domingos Mendes Alves
IEBNA – RP,SP – Brasil
Agosto de 2020

Last modified: January 26, 2025